A Ilha do Marajó, localizada no estado do Pará, destaca-se por seu grande tamanho, comparável ao da Suíça, e sua rica biodiversidade, fruto de sua posição entre a Amazônia e o Oceano Atlântico. Apesar dessa riqueza natural, a região abriga aproximadamente 500 mil búfalos.
Embora os búfalos sejam originários da Ásia, sua presença no Marajó possui diversas explicações, mas a maioria concorda que eles foram introduzidos por fazendeiros europeus atraídos pelos animais de 700 kg que viram no Oriente.
Há cerca de duzentos anos, a atividade econômica baseada nos búfalos, conhecida como bubalinocultura, sustenta muitos dos 600 mil moradores locais. Esses animais fornecem carne, queijo, couro e são utilizados até mesmo na logística da Polícia Militar.
Desde 1992, a Polícia Militar do Pará emprega os búfalos como meio de transporte para patrulhamento e policiamento ostensivo. Um sargento relatou ao The Wall Street Journal que essa decisão inicial foi motivada pelo baixo custo, visto que a corporação possuía apenas uma Kombi na época. Os búfalos representavam a forma mais econômica de alcançar áreas pantanosas e alagadas, comuns no Marajó durante a estação chuvosa.
Para que um búfalo possa cumprir sua função cívica ao lado dos policiais, ele necessita de um treinamento rigoroso que começa quando é filhote. Tratadores relatam que pode levar até um ano para que o animal seja domesticado o suficiente para aceitar a montaria, além de serem muito apegados aos seus cuidadores.
Devido a isso, os policiais que trabalham com os búfalos são residentes da ilha. Eles mencionam que, embora a prática de montar em cavalos ajude, existem distinções importantes entre as espécies. No caso dos búfalos, as selas são específicas e as rédeas são presas diretamente ao anel que perfura o septo do animal.
Considerando seu grande porte, o búfalo geralmente se desloca a uma velocidade de cerca de 6 km/h, percorrendo entre 10 e 20 km diariamente em regime de trabalho, conforme dados da Embrapa e da Veterinary World. Essa capacidade é mais do que suficiente, especialmente em pântanos onde motocicletas e cavalos não conseguiriam avançar.
Não é coincidência que os búfalos do Marajó atuem majoritariamente fora das áreas urbanas. De acordo com relatos policiais, eles são particularmente úteis no combate ao abigeato, ou seja, o furto e roubo de outros animais, prática mais frequente em regiões rurais isoladas.
A aptidão desses animais para nadar e atravessar obstáculos foi um fator que levou os criadores marajoaras a incentivar a reprodução desta espécie invasora, em vez de tentar combatê-la.
Apesar do apreço e do folclore associados aos animais, a tecnologia tem transformado o patrulhamento com búfalos em uma prática de preservação cultural, reconhecida por certos órgãos. A dupla Baratinha e Canária, por exemplo, recebe os turistas que chegam à ilha todas as manhãs.
Embora pareça um número pequeno, essa dupla representa uma fatia significativa da frota; os registros variam, mas geralmente apontam para cerca de cinco búfalos em uso atual pela PM. Este número é metade do que havia há quinze anos. Outros animais permanecem em fazendas mais distantes, visando uma resposta mais rápida a incidentes na zona rural, segundo o The Wall Street Journal.
Em paralelo, a PM, que em 1990 operava com apenas uma Kombi, está agora mais bem equipada. O Comando de Policiamento Regional XI, responsável pelos búfalos, recebeu três Renault Duster e 20 Toyota Hilux em 2024, veículos preparados para terrenos off-road ideais para a região.
Contudo, a substituição dos búfalos está sendo realizada principalmente por drones da moderna Patrulha Rural georreferenciada, implementada pelo CPR XI no início de 2025. Neste programa, cada propriedade rural é registrada com coordenadas de GPS e monitorada por uma central. Em situações de emergência, o drone é o primeiro a chegar ao local, oferecendo uma visão privilegiada da ocorrência, com foco especial no roubo de gado e outros búfalos.
O coronel Augusto Guimarães, então comandante do CPR XI, declarou que «Nossos policiais estavam precisando desse conhecimento específico para poderem dar uma resposta melhor nas missões preventivas e reativas. Com o uso dos drones, vamos ter mais controle das áreas urbana, rural e fluvial» durante o curso que capacitou os policiais ao uso da nova tecnologia no ano anterior.

