Novos carros chineses redefinem o valor de veículos seminovos a combustão no mercado brasileiro
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Novos carros chineses redefinem o valor de veículos seminovos a combustão no mercado brasileiro

Com a entrada de fabricantes chineses no mercado automotivo brasileiro, observa-se uma mudança significativa na forma como o valor dos veículos seminovos a combustão é percebido. Consumidores que adquiriram SUVs a combustão há alguns anos podem agora ter como concorrente direto um automóvel chinês totalmente novo ao tentar revender seu veículo.

Este movimento ganhou impulso em 2023 com a introdução de modelos como BYD Dolphin e GWM Haval H6, e se acentuou entre 2024 e 2025 devido aos lançamentos contínuos e à competitividade de preços. Em 2026, a influência chinesa já é notável: segundo a Bright Consulting, essas marcas representaram 21,4% dos emplacamentos de veículos leves em setembro, mais que o dobro da participação registrada no ano anterior, transformando uma mera alternativa de compra em um fator que influencia toda a dinâmica do setor.

A disputa de preços na faixa intermediária

A competição é particularmente visível na faixa de preço entre R$ 100 mil e R$ 150 mil. Um comprador interessado em um SUV seminovo a combustão com dois ou três anos de uso pode encontrar, dentro do mesmo orçamento, um elétrico chinês de entrada, como o BYD Dolphin Mini. Apesar das diferenças em tamanho e proposta, esses veículos passam a competir pela atenção do mesmo consumidor, o que explica a pressão exercida sobre os valores dos SUVs usados nessa categoria.

Embora alguns clientes priorizem o espaço e a versatilidade de um SUV tradicional, outros optam por um veículo novo, que oferece tecnologia embarcada, garantia de fábrica e suporte pós-venda, mesmo abrindo mão de uma carroceria maior. Assim, a comparação de mercado transcende modelos similares, passando a envolver os benefícios de categorias distintas, exigindo uma nova análise do custo-benefício no segmento de seminovos.

Impacto na formação de preços e desafios para lojistas

O principal impacto dessa concorrência reside na formação de preços. Historicamente, o veículo zero-quilômetro servia como uma referência crucial para o valor de um seminovo. Contudo, quando as montadoras chinesas oferecem descontos, bônus ou condições de financiamento mais vantajosas, essa referência é alterada, pressionando a depreciação dos modelos a combustão e, consequentemente, diminuindo o valor dos usados.

Para os comerciantes, o desafio se agrava, pois um carro adquirido para estoque pode necessitar de redução de preço para manter a competitividade, o que afeta diretamente as margens de lucro. Dados fornecidos pelo IBV Auto, do Banco BV, indicam que veículos a combustão comparáveis aos eletrificados lançados em 2023 sofreram uma desvalorização de 22,2% até setembro de 2026. Vale ressaltar que essa queda não é exclusiva dos chineses, visto que os próprios elétricos e híbridos registraram perdas ainda maiores neste levantamento, demonstrando que a pressão sobre o valor de revenda afeta diversas tecnologias.

Adaptação do varejo e reação das montadoras

O cenário atual impõe ao varejo a necessidade de gerenciar estoques com maior rigor. A liquidez e o preço de um mesmo modelo podem variar regionalmente, dependendo da oferta e da demanda local, sugerindo que a precificação deve ir além das referências tradicionais, utilizando dados atualizados, inteligência artificial e análise comportamental para otimizar vendas e rentabilidade.

As montadoras estabelecidas também estão respondendo a essa dinâmica, seja através de ofertas comerciais mais atraentes, seja investindo em atualizações de equipamentos e eletrificação. Projetos de hibridização com tecnologia flex, como os desenvolvidos pela Stellantis, ilustram a busca por soluções adequadas ao mercado brasileiro. Entretanto, existe um risco adicional nessa disputa: a preservação do valor residual dos veículos. Descontos muito agressivos podem impulsionar as vendas de zero-quilômetro no curto prazo, mas também distorcer a referência de preço para quem já possui um carro daquela marca.

Perspectivas futuras do mercado automotivo

Olhando para os próximos anos, espera-se que a concorrência ganhe novas camadas. A produção de veículos chineses em Camaçari, na Bahia, e Iracemápolis, em São Paulo, adiciona uma variável importante relacionada à recomposição dos impostos de importação. Paralelamente, os elétricos e híbridos introduzidos recentemente no Brasil estão consolidando um mercado de seminovos mais vasto. Com potenciais preços mais baixos, esses modelos competirão diretamente com os usados a combustão, expandindo a rivalidade para além dos eletrificados novos.

Este momento é visto como uma fase de maturação do mercado brasileiro. Os automóveis a combustão manterão sua relevância, mas sua capacidade competitiva passará a depender menos da tradição das marcas. Para compradores e vendedores, a posse de informações fidedignas sobre preços, histórico, manutenção e condições dos veículos será essencial para negociações mais transparentes e seguras. Em última análise, o valor de um seminovo será determinado não apenas pelo estado em que saiu da concessionária, mas também pelos veículos com os quais terá que competir no momento da venda.

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Geely lança sedan híbrido a metanol na China, enquanto o combustível enfrenta problemas legais no Brasil

A fabricante chinesa Geely apresentou na terça-feira, dia 3, na China, o modelo Xingyao 6 EF. Este sedã híbrido possui a capacidade de operar utilizando metanol, gasolina ou eletricidade.

De acordo com a própria montadora, este representa o primeiro veículo de passeio híbrido a metanol fabricado em escala global. Os dois combustíveis líquidos podem ser utilizados em qualquer proporção dentro do mesmo reservatório, similar ao funcionamento dos carros flex brasileiros que utilizam etanol e gasolina.

O sistema conta com um sensor que monitora em tempo real a concentração de metanol no tanque, permitindo que a central eletrônica ajuste a injeção e a ignição conforme a mistura utilizada. O motor alcança uma eficiência térmica de 48,15%, o que significa que quase metade da energia do combustível é convertida em movimento. A Geely afirma que este é o índice mais elevado entre os motores a metanol produzidos em série.

Graças à injeção direta de 350 bar e à ignição de alta potência, o veículo consegue iniciar a combustão mesmo em temperaturas tão baixas quanto -40 °C. No ciclo CLTC chinês, considerado mais otimista que o do Inmetro, o sedã percorre 230 km apenas com energia elétrica. Com a bateria totalmente carregada, a autonomia total atinge 1.250 km usando metanol no tanque cheio, e 1.880 km quando abastecido com gasolina. Essa diferença energética deve-se à composição química, visto que um litro de metanol contém aproximadamente metade da energia de um litro de gasolina.

As dimensões do Xingyao 6 EF são de 4,8 metros de comprimento e 2,76 metros de distância entre eixos. O metanol, também conhecido como álcool metílico, apresenta características semelhantes ao etanol por ser líquido em temperatura ambiente. Ele pode ser estocado, transportado e abastecido de maneira comparável à gasolina, exigindo uma infraestrutura mais simples do que a necessária para o hidrogênio.

Na China, o interesse neste combustível possui um caráter estratégico. O país dispõe de escassos recursos petrolíferos, mas possui abundância de carvão, que é a matéria-prima primária do metanol chinês, sendo a China o maior produtor mundial deste combustível. Na cidade de Guiyang, localizada no sul do país, mais de 90% dos táxis operam com metanol, segundo dados fornecidos pela Geely.

Outro fator motivador para a Geely é o clima. Durante o inverno no norte da China, os veículos elétricos sofrem uma perda significativa de autonomia, e o modelo híbrido a metanol oferece uma solução para esse desafio.

Adicionalmente, há uma perspectiva ambiental envolvida. A Geely, que vem pesquisando o metanol desde 2005, está investindo no conceito de metanol verde. Este é produzido a partir de dióxido de carbono (CO2) capturado e hidrogênio gerado por meio de fontes de energia renovável. A marca relatou ter desenvolvido um sistema capaz de capturar o carbono proveniente do escapamento para reutilizá-lo no processo de fabricação do combustível.

Em contraste, no Brasil, o metanol ganhou notoriedade por razões distintas. Em 2025, a Operação Carbono Oculto expôs um esquema criminoso que desviava mais de 10 milhões de litros de metanol com o intuito de adulterar gasolina e etanol em postos vinculados ao PCC. Em alguns desses locais, a proporção de metanol chegava a 50% da mistura, excedendo drasticamente o limite estabelecido pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que é de apenas 0,5%.

No mesmo ano, o consumo de bebidas falsificadas contendo metanol resultou em 76 casos confirmados de intoxicação e 25 óbitos no território nacional, conforme dados do Ministério da Saúde. Isso ocorre porque o metanol é consideravelmente mais tóxico que o etanol e não pode ser distinguido dele por meio de olfato ou paladar. Mesmo pequenas ingestões podem provocar cegueira e morte, além de a substância poder ser absorvida através da pele e das vias respiratórias.

O manuseio do metanol requer precauções adicionais: sua chama é quase imperceptível sob luz diurna, dificultando a detecção de um incêndio, e o líquido possui propriedades corrosivas para borrachas e certos metais, o que impõe a necessidade de componentes específicos no sistema de alimentação de combustível.

A Geely, que possui participação na operação da Renault no Brasil, não divulgou planos para comercializar o Xingyao 6 EF no mercado brasileiro.

Cinco categorias de veículos no Brasil que resistirão à substituição por modelos chineses
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Cinco categorias de veículos no Brasil que resistirão à substituição por modelos chineses

O mercado automobilístico brasileiro apresenta características próprias. Embora os veículos eletrificados chineses estejam ganhando espaço em segmentos mais comuns, como SUVs, hatches e sedãs, ainda existem nichos onde as marcas estabelecidas mantêm domínio e modelos que carecem de concorrentes diretos.

Alguns desses segmentos brasileiros são bastante específicos, dependendo de projetos locais, ou são áreas de menor interesse para os fabricantes chineses. Abaixo, detalham-se cinco tipos de carros que dificilmente serão ultrapassados no país.

Minivans e a tradição

A Chevrolet renovou toda a sua linha de carros de passeio utilizando novas plataformas e motores de três cilindros. Contudo, a minivan Spin permanece como um ponto forte da geração anterior, mantendo sua arquitetura Gamma II e o motor 1.8 Família 1.

Apesar de ser um modelo mais antigo, a Spin recebeu uma grande atualização em 2024, incorporando seis airbags, sistemas de assistência ativa de segurança, maior conectividade e outras modernizações. A própria montadora justificou essa manutenção com dados internos, indicando que o público da minivan é o mais leal dentro da empresa.

Este veículo é popular entre taxistas, famílias grandes, motoristas de aplicativos, profissionais de turismo, órgãos de licitação e frotas corporativas. O motor Família 1 é conhecido por sua durabilidade e baixo custo de manutenção, estando presente no mercado brasileiro desde a introdução do Corsa em 1994.

A Stellantis tentou competir com a Spin através do Citroën Aircross, que oferece sete lugares e preços comparáveis. No entanto, a simplicidade do modelo, a ausência de câmbio manual, o uso de motor turbo e a limitada presença da marca no território nacional foram fatores desfavoráveis.

Embora existam minivans compactas e simples fabricadas por empresas chinesas, como a Wuling Hongguang (vendida como Chevrolet em certos mercados), este modelo é considerado mais básico que a Spin e focado primariamente em mercados asiáticos.

Picapes Compactas e o legado italiano

A Fiat Strada detém o título de carro mais vendido no Brasil há vários anos. Este segmento de picapes compactas foi concebido no Brasil pela fabricante italiana, com o lançamento da 147 Pick-up em 1979.

O principal desafio à liderança da Strada não provém das marcas chinesas, mas sim da Volkswagen Tukan. A montadora alemã replicou elementos cruciais do sucesso da Fiat, como a suspensão traseira com molas semielípticas e a disponibilização de um motor aspirado como opção de entrada.

A BYD está preparando o lançamento da Mako, uma picape intermediária derivada de SUV, visando competir com a Fiat Toro. Além disso, há informações de que a chinesa desenvolve um rival para a Strada, mas, neste segmento de entrada, os modelos simples voltados ao trabalho ainda são altamente valorizados.

Uma picapinha compacta chinesa eletrificada teria impacto limitado, afetando, no máximo, a Chevrolet Montana.

SUVs Compactos e propostas distintas

Atualmente, há opções de SUVs compactos chineses disponíveis no Brasil, incluindo o GAC GS3, o Caoa Chery Tiggo 5X, o BYD Atto 2 e o GWM Ora 5. Estes modelos têm gerado concorrência significativa aos veículos de marcas tradicionais no varejo, apostando na tecnologia embarcada para conquistar espaço.

O Renault Duster também se enquadra na categoria de SUV compacto, mas opera com uma proposta diferente. Ele se assemelha mais a um utilitário clássico, caracterizado por seu alto vão livre, suspensão resistente, mecânica descomplicada e amplo porta-malas.

Essa configuração o tornou um dos veículos mais populares utilizados como viatura policial no Brasil. A Stellantis tenta capturar parte desse público com o Citroën Aircross, contudo, as marcas chinesas não chegam perto de desenvolver um SUV tão simples quanto o Duster.

Picapes Médias e o domínio americano

As marcas chinesas estão ingressando no mercado de picapes médias, com a GWM, a JAC e a Foton adotando a abordagem tradicional ao lançar modelos equipados com motor diesel. Entretanto, existe uma faixa superior que é explorada exclusivamente por fabricantes norte-americanos: a das caminhonetes grandes.

Especificamente, estamos falando de veículos robustos com motor diesel e peso bruto total superior a 3,5 toneladas. No Brasil, apenas a Ram explora essa categoria com seus modelos 2500 e 3500.

Essas picapes são muito apreciadas pelo setor agropecuário e atraem um público dividido entre aqueles que buscam ostentação e os usuários reais que empregam a Ram para rebocar reboques, frequentemente puxados por cavalos.

As maiores caminhonetes chinesas no cenário global são classificadas como médias; algumas são híbridas e ultrapassam os 400 cv, mas nenhuma possui as capacidades operacionais de uma Ram 3500.

Esportivos e a preferência por experiências clássicas

Embora pareça modesto, a Ford registrou a venda de 858 unidades do Mustang no Brasil em 2025. Quando a empresa anunciou a importação de 200 unidades com transmissão manual, estas esgotaram rapidamente.

Existe um público dedicado aos carros esportivos no Brasil; o Mustang possuía vendas notáveis através de importadores independentes antes da Ford iniciar a distribuição oficial. Com o encerramento da produção do Chevrolet Camaro, a posição do pony car se tornou ainda mais favorável.

Os consumidores estão cientes de que, por um custo muito inferior, existem carros elétricos chineses com mais de 400 cv e acelerações impressionantes. No entanto, quem busca um carro esportivo valoriza outros aspectos, como um excelente equilíbrio dinâmico, a sonoridade do motor e toda a vivência sensorial proporcionada ao dirigir tal veículo.

As marcas chinesas atuais focam em produzir carros elétricos generalistas que também são extremamente velozes. Seus modelos esportivos são supercarros com mais de 1.000 cv e preços igualmente altos. Por outro lado, os entusiastas continuam preferindo o Ford Mustang, o BMW M2, o Porsche 911 e outros automóveis com características tradicionais.

Demanda por carros com motor CNG cresce no mercado indiano; Maruti e Tata lideram
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Demanda por carros com motor CNG cresce no mercado indiano; Maruti e Tata lideram

Observa-se um aumento na demanda por veículos com motor CNG no mercado indiano. Em setembro, a participação desses veículos foi de 23,11% do total vendido, tornando-os o segundo combustível mais popular após a gasolina no segmento de automóveis de passeio. De acordo com os relatórios, foram registrados 105.410 veículos em operação em setembro.

Este indicador demonstra um crescimento significativo em comparação com o ano anterior: em setembro do ano passado, foram vendidos 83.357 carros com motor CNG, o que corresponde a um aumento de 26,5% em relação ao ano anterior.

A Maruti Suzuki domina este segmento, vendendo o maior número de veículos com motor CNG. A Hyundai também está ativamente aumentando sua posição no mercado. A Tata Motors ocupa o segundo lugar em volume de vendas de veículos com motor CNG.

O carro Maruti Suzuki Ertiga CNG tornou-se um best-seller na categoria CNG devido à sua versão de sete lugares. Além dele, entre os modelos mais vendidos estão Dzire, Punch, Hyundai Aura e Maruti Suzuki Vittoris.

De acordo com o Auto Panditz, a Maruti Suzuki Ertiga CNG liderou as vendas, registrando 12.481 unidades na versão CNG. A Maruti Suzuki Dzire ficou em segundo lugar, vendendo 12.026 unidades, embora suas vendas em setembro tenham diminuído 4% em comparação com setembro do ano passado.

O terceiro lugar na lista foi ocupado pela Maruti Suzuki WagonR, que vendeu 8.596 unidades na versão CNG. A Tata Punch entrou no top cinco, vendendo 8.473 unidades. Na quinta posição está a Hyundai Aura, que registrou 7.278 unidades em CNG.

A Vittoris apresentou o ritmo de crescimento mais alto entre os carros CNG. A Maruti Suzuki vendeu 7.216 unidades deste modelo em CNG, enquanto em setembro do ano passado foram vendidas apenas 1.449 unidades. Também está na lista a Maruti Suzuki Brezza, que vendeu 7.214 unidades em CNG.

A Tata Nexon tornou-se o oitavo carro mais vendido em CNG, registrando 7.149 unidades em setembro. A Maruti Suzuki Fronx vendeu 6.034 unidades na versão CNG, e a Maruti Eco, apesar de ser uma van, entrou no top dez de vendas, registrando 5.823 unidades em setembro.

No geral, a Maruti Suzuki vendeu 69.780 carros CNG em setembro. A Tata Motors ficou em segundo lugar com 20.171 carros CNG, a Hyundai vendeu 11.908 unidades e a Toyota vendeu 3.551 carros CNG. Vale notar que esta análise se refere apenas às versões CNG de fábrica dos veículos, embora outras empresas também ofereçam tais modelos.

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