Modelos mais buscados no Move Brasil são voltados para Uber Black ou são eletrificados
Leia mais
AutoPapo
autopapo.com.br

Modelos mais buscados no Move Brasil são voltados para Uber Black ou são eletrificados

O programa Move Brasil disponibiliza condições especiais de financiamento para a aquisição de veículos novos destinados a taxistas e motoristas de aplicativo. Um estudo realizado pela Webmotors Autoinsights compilou os modelos que apresentaram maior procura durante o período de validade deste programa governamental.

Os dados coletados revelam que os participantes do Move Brasil têm priorizado automóveis que se adequam às categorias mais elevadas dos serviços de transporte, como o Uber Black. Especificamente, sete dos dez veículos mais requisitados podem ser utilizados nesta modalidade.

Análise dos Modelos Mais Procurados

O veículo com maior demanda foi o Hyundai Creta, um SUV compacto que cumpre os requisitos para o Uber Black e possui boa aceitação no mercado. O Honda HR-V ocupa a segunda posição no ranking de popularidade.

O top 5 também inclui três opções chinesas eletrificadas: o Geely EX2, o BYD Dolphin Mini e o BYD King. Os veículos elétricos e os híbridos plug-in representam exatamente metade dos carros listados.

Apenas três carros neste ranking do Move Brasil não se encaixam na categoria Uber Black: Chevrolet Onix, BYD Dolphin Mini e Geely EX2. Esta preferência demonstra que os motoristas buscam atuar em categorias de serviço mais qualificadas, o que resulta em maiores ganhos financeiros.

Os carros elétricos têm sido bem recebidos pelo público, visto que em certas cidades eles possuem categorias específicas. O silêncio proporcionado por esses veículos é um atrativo, e o uso do ar-condicionado neles não afeta significativamente o consumo de energia.

Para os motoristas, há benefícios notáveis, como custos de manutenção reduzidos e a possibilidade de recarga domiciliar. Já nos casos dos modelos híbridos, observa-se uma diminuição considerável nos gastos com combustível.

Este levantamento conduzido pela Webmotors pode sinalizar uma mudança no cenário dos pontos de táxi e dos aplicativos de transporte, cumprindo o objetivo do Move Brasil de promover a renovação da frota.

Histórias semelhantes

Audi A3 Sedan usado: 10 fatos sobre o modelo produzido no Brasil
Leia mais
autopapo.com.br

Audi A3 Sedan usado: 10 fatos sobre o modelo produzido no Brasil

O Inovar-Auto, um programa setorial governamental lançado no início dos anos 2010, introduziu particularidades no mercado brasileiro, permitindo que marcas de luxo, como a Audi, iniciassem a montagem de veículos localmente, incluindo o A3 Sedan.

A fabricante alemã retomou suas atividades na planta compartilhada com a Volkswagen no Paraná, após um período de operação entre 1999 e 2006. Desta vez, a Audi focou na produção do A3 Sedan. Embora o modelo tenha recebido adaptações para a fabricação nacional, ele preservou a dinâmica refinada, o desempenho robusto e o luxo característicos da marca alemã.

Histórico e Evolução do Modelo

A terceira geração do Audi A3 foi a responsável por apresentar a versão Sedan. Este modelo foi apresentado globalmente no Salão do Automóvel de Nova York em 2013 e chegou ao Brasil em janeiro de 2014, inicialmente importado da Hungria. Inicialmente, o carro utilizava o motor 1.8 TFSi de 180 cv. Posteriormente, surgiu uma versão de entrada com motor TFSI 1.4 a gasolina de 122 cv, que se tornou flex com a linha de montagem nacional em 2015.

O Audi A3 Sedan também ofereceu uma opção mais potente, o 2.0 com 220 cv, e passou por uma reformulação estética em 2017. Em 2019, foi lançada uma edição especial de 25 Anos, limitada a 600 unidades, celebrando o aniversário da marca na América Latina. Esta primeira geração do sedã encerrou sua produção em 2020.

O relançamento do A3 Sedan marcou a reinauguração da linha de montagem da Audi em São José dos Pinhais, no Paraná, tudo sob o guarda-chuva do Inovar-Auto, que oferecia incentivos fiscais para a produção local. Outras montadoras beneficiadas por este programa incluíram BMW em Araquari (SC), Mercedes-Benz em Iracemápolis (SP) e Jaguar Land Rover em Itatiaia (RJ).

Vale notar que a fábrica utilizada pela Audi havia sido inaugurada em 1998 para produzir o Volkswagen Golf IV e, de 1999 a 2005, fabricou a primeira geração do A3 Sportback. Nesta unidade paranaense, além do A3 Sedan, também foi produzido o Q3. As operações da unidade foram suspensas em dezembro de 2020, pois a montadora alegou a ausência de definição sobre os créditos de IPI acumulados que não foram totalmente devolvidos.

Atualmente, a unidade funciona no regime SKD para a montagem do Q3, um processo onde o veículo chega quase completo e apenas a união da carroceria com a base ocorre na planta.

Adaptações Brasileiras e Mudanças Mecânicas

Ao receber o passaporte brasileiro em 2015, o Audi A3 Sedan passou por diversas adaptações, sendo que alguns aspectos mecânicos foram simplificados para reduzir custos de produção. Uma alteração notável ocorreu na suspensão traseira: a Audi substituiu o sistema independente multibraço por um eixo de torção, uma configuração comum em sedãs médios de marcas generalistas da época.

Outra mudança significativa foi no sistema de transmissão. O câmbio automatizado S tronic, conhecido por seu sistema de dupla embreagem de sete marchas, foi substituído por uma caixa automática Tiptronic de seis marchas com conversor de torque. Em compensação, o Audi A3 Sedan ganhou um aumento considerável de potência. O motor 1.4 TFSI, que originalmente entregava 122 cv, foi adaptado para ser flex, recebeu comando variável de válvulas no escapamento e passou a gerar 150 cv.

Um diferencial importante do A3 Sedan fabricado no Paraná é a altura do veículo. Para adequar-se ao padrão de asfalto local, a suspensão foi elevada em 1,5 cm em comparação com o modelo importado.

Desempenho e Acabamento

Analisando especificamente o modelo 1.4 flex, apesar das alterações na transmissão, os 150 cv do motor turbo com injeção direta da família EA211 proporcionam um nível satisfatório de prazer ao dirigir. As acelerações são ágeis, e o câmbio Tiptronic, embora menos sofisticado que o S tronic, entrega um tempo de 0 a 100 km/h de 8,8 segundos, segundo a fabricante.

Em rodovias, o Audi A3 Sedan demonstra boa evolução, atingindo rapidamente os 100 km/h permitidos. Para retomadas, os 25,5 kgfm estão disponíveis entre 1.500 e 4.000 rpm, e o turbo atua rapidamente para ultrapassar outros veículos.

A engenharia alemã é evidente na construção sólida do sedã, que mantém firmeza em curvas acentuadas e em trechos de alta velocidade. A direção é descrita como precisa e firme, dando a sensação de que o carro está firmemente plantado no solo. A suspensão por eixo de torção no modelo brasileiro possui uma calibração mais suave, sem comprometer a estabilidade ou a dinâmica do veículo.

No interior, o A3 Sedan fabricado no Brasil mantém a identidade da marca. O painel apresenta espuma injetada com superfície agradável ao toque, e o revestimento das portas e as colunas com tecidos também se destacam, assim como o acabamento suave do porta-luvas. Os bancos dianteiros oferecem boa densidade e material de qualidade, embora não sejam extremamente envolventes. O quadro de instrumentos analógico é considerado clássico e fácil de visualizar, sendo o volante o único elemento que poderia ter um diâmetro menor.

O espaço traseiro comporta confortavelmente dois adultos e uma criança. A suspensão mais macia em relação ao exemplar húngaro, combinada com rodas de 17 polegadas, reflete mais as imperfeições internas, mas sem ser um problema grave. O isolamento acústico é eficiente, e o porta-malas oferece 425 litros, um volume adequado para sedãs médios.

Versão Ambiente 2016 e Equipamentos

Considerando o Audi A3 Ambiente 1.4 TFSi do ano 2016, já adaptado ao mercado brasileiro, ele inclui seis airbags, sistemas de controle de estabilidade, controle de tração e de subida, sensor de ré, faróis de xenônio, luz de condução diurna e Isofix. Adicionalmente, o sedã conta com ar condicionado, trio elétrico, freio de estacionamento eletrônico, sensores de chuva e crepusculares, sistema start-stop, volante com ajustes de altura e profundidade, e central multimídia com leitor de CD e cartão de memória.

Entretanto, essa transição para o modelo Ambiente simplificou alguns recursos. O ar condicionado deixou de ser automático, os bancos trocaram o revestimento em couro por tecido, e a central multimídia não dispõe de Bluetooth. Pacotes superiores, contudo, incluíam tecnologias ADAS, como controle de cruzeiro adaptativo, alertas de colisão frontal e de saída de faixa, além de frenagem automática de emergência. Outros opcionais disponíveis eram câmera de ré, sensores de estacionamento dianteiros, assistente de estacionamento semiautomático, acabamento em couro, chave presencial, teto panorâmico, GPS nativo e DVD player.

Ao consultar valores médios do Audi A3 Sedan Ambiente 2016 na KBB Brasil, é fundamental lembrar que se trata de um veículo de luxo, exigindo manutenção especializada, e as peças de acabamento e carroceria tendem a ser mais caras. É positivo que o motor 1.4 flex seja conhecido e que a caixa Tiptronic geralmente apresente menos problemas que a S tronic. Recomenda-se verificar os preços de componentes específicos e os problemas relatados em fóruns de discussão e no Reclame Aqui.

BYD Sealion 7 estabelece novo padrão de desempenho e sofisticação em SUVs premium
Leia mais
g1.globo.com

BYD Sealion 7 estabelece novo padrão de desempenho e sofisticação em SUVs premium

Desde que a BYD chegou ao Brasil, os consumidores têm descoberto um leque de veículos elétricos e super híbridos que ultrapassam os modelos já conhecidos. Dentre os luxuosos carros totalmente elétricos da greentech, o BYD Sealion 7 se destaca: este novo membro da linha Ocean une as dimensões robustas de um SUV de luxo com as linhas esportivas e elegantes de um cupê.

Dotado de tração integral (AWD), o veículo gera 531 cv de potência e 690 Nm de torque, alcançando a velocidade de 0 a 100 km/h em meros 4,5 segundos. Este conjunto posiciona o modelo como o mais potente entre seus rivais diretos, elevando o nível de desempenho e sofisticação da categoria.

Considerando as características da topografia brasileira, a BYD realizou uma calibração específica para o mercado nacional, conforme explicou Alexandre Aquino, diretor de produto da BYD Auto Brasil. Ele ressaltou que o Sealion 7 oferece o melhor dos dois mundos: a praticidade de um SUV combinada com o vigor de um esportivo de alta performance, mencionando um ajuste cuidadoso para o Brasil sem perder a dinâmica do modelo, com um vão livre de 169 mm.

Design, performance e conforto

A capacidade de um SUV apresentar números de supercarro facilita a decisão de compra para quem aprecia ambas as propostas. Com o BYD Sealion 7, o comprador não precisa escolher entre emoção e funcionalidade. Na área urbana, o formato cupê atrai olhares, enquanto o vão livre de 169 mm e o porta-malas com abertura sem contato simplificam o dia a dia. Em estradas, a potência é complementada por controle e proteção de altura.

O Sealion 7 possui nota máxima de segurança no Euro NCAP e está equipado com nove airbags (incluindo frontais, laterais, de cortina e um central entre os assentos), além de um pacote completo de assistência ao condutor (ADAS 2). Este pacote inclui Controle de Cruzeiro Adaptativo e Inteligente (ACC), Frenagem Automática de Emergência (AEB), assistentes de permanência e mudança de faixa (ELKA/LDA), e radares avançados para alerta e frenagem em tráfego cruzado, tanto frontal quanto traseiro.

Este modelo 100% elétrico redefine os padrões de tecnologia, design e desempenho. Sua autonomia atinge 360 km no ciclo PBEV, e a recarga rápida permite elevar a bateria de 30% a 80% em aproximadamente 30 minutos.

A sofisticação começa pelo exterior, evidenciada pelos faróis duplos em formato de U, pelas rodas de 20 polegadas equipadas com pneus Michelin 245/45 R20 e pela lanterna traseira com visual futurista. Internamente, o BYD Sealion 7 transforma o conforto premium em uma experiência de altíssimo nível.

A cabine apresenta revestimento em couro legítimo tipo Nappa, teto panorâmico com persiana elétrica, iluminação ambiente multicolorida e sistema de som Dynaudio com 12 alto-falantes. Os assentos dianteiros oferecem aquecimento, ventilação e ajustes elétricos detalhados (oito posições para o motorista, incluindo suporte lombar), e os assentos traseiros também possuem função de aquecimento.

No painel, uma tela rotativa de 15,6 polegadas acompanha o painel de instrumentos de 10,25 polegadas e um *head-up display*, que exibe alertas e informações de navegação no para-brisa. Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD Brasil, concluiu que o Sealion 7 demonstra que a eletrificação não é apenas uma escolha racional, mas também aspiracional e sofisticada, atendendo ao consumidor brasileiro que busca performance e conectividade.

Cálculo do custo de importação de um carro antigo dos EUA para o Brasil: experiência e despesas
Leia mais
flatout.com.br

Cálculo do custo de importação de um carro antigo dos EUA para o Brasil: experiência e despesas

Todo ano, no início do ano, é publicado uma lista de carros que completaram trinta anos e se tornam elegíveis para importação. Embora descobrir que um modelo específico pode agora ser trazido para o Brasil cause entusiasmo, esse sentimento rapidamente dá lugar à decepção ao calcular aproximadamente o custo final desse carro no Brasil. Por exemplo, um carro anunciado por US$ 10.000 pode custar R$ 50.000 antes mesmo de você começar a pensar na sua entrega.

A taxa de câmbio reflete nossa história econômica: décadas de inflação, crises, instabilidade e desconfiança na moeda brasileira são evidentes até mesmo na compra de um carro com 30 anos. A isso se soma nosso caos tributário, que cobra altos impostos até mesmo sobre mercadorias usadas importadas para uso pessoal ou coleção, como se fossem concorrentes diretos da produção mais recente da indústria nacional.

No entanto, este é apenas o primeiro obstáculo. Um cálculo rápido, somando o preço do carro, o frete e os impostos, permite estimar o custo de trazer este clássico americano para o Brasil. O problema é que esse cálculo não considera tudo. Existem outras despesas, requisitos e procedimentos que surgem durante o processo, mas que não estão incluídos nas regras alfandegárias.

Para descobrir o que existe entre o anúncio de um carro americano e sua chegada, legalizado e registrado em uma garagem brasileira, conversamos com Mario Zerbetto, que importou um Corvette C4 junto com seu amigo Pedro, que trouxe um Dodge Ram 2500. Eles dividiram um contêiner para reduzir custos e enfrentaram seis meses de burocracia, viagens pelos Estados Unidos e algumas circunstâncias imprevistas antes de conseguirem colocar ambos os carros na garagem. Mario conta sobre sua experiência e, principalmente, sobre quanto custa tal importação, usando uma simulação para dividir os custos sem revelar preços particulares dos veículos.

Durante uma conversa informal, típica de entusiastas que gostam de complicar a vida e não abrem mão de uma boa aventura, surgiu um plano: 'Vamos expandir o raio de busca de lasanha. Vamos importar!' Essa grande ideia, que todo entusiasta já pensou, decidimos realizar. E fizemos isso em dobro!

Meu parceiro neste empreendimento foi meu amigo Pedro, que mora na Carolina do Sul. Eu tenho formação em comércio exterior e trabalhei nessa área por muitos anos (embora não no segmento automotivo), enquanto ele já tinha experiência em enviar carros brasileiros para os EUA e estava 'na fonte', tendo a oportunidade de visitar e avaliar nossos alvos. Foi uma parceria promissora: dois entusiastas motivados, dois carros ainda não escolhidos e um contêiner de 40 pés para uso compartilhado, o que permitiu diluir os custos logísticos. Nós começamos!

A Busca: Quando os Carros Escolhem Você

A principal questão inicial para alguém com gosto automotivo amplo e eclético é: qual modelo comprar? Na verdade, mesmo no mercado interno, eu acredito que não sou eu quem escolhe os carros — são eles que me escolhem. Segui essa filosofia, com mente aberta e várias opções na lista de buscas, procurando oportunidades por dias e trocando opiniões com Pedro sobre os candidatos.

Ele decidiu primeiro, e de forma bastante impressionante: uma verdadeira picape americana, Dodge Ram 2500 de 1996 com cabine estendida, equipada com o famoso motor Cummins 6BT — um lendário motor turbo diesel de seis cilindros — e tração 4x4 potente. Foi uma escolha digna que elevou o nível para que eu encontrasse algo igualmente incrível.

Continuamos a busca até que ele deu um resultado. Encontramos um verdadeiro muscle car americano, um clássico da geração com o óbvio V8 do 'Uncle Sam': Chevrolet Corvette C4. Mas não era apenas um exemplar. Embora mais de 300 mil 'Vettes' desta geração tenham sido produzidos, encontramos uma raridade: um modelo de 1993 da série comemorativa de 40 anos (40th Anniversary).

Além da combinação icônica monocromática da carroceria e do interior na cor Ruby Red, característica desta versão, o carro era um conversível com teto de tecido e possuía um raro teto rígido. Como um toque especial, ele tinha um terceiro pedal para controlar a desejada caixa de câmbio manual ZF de seis velocidades, acoplada ao motor V8 LT1! O preço era atraente, e o carro ficava a uma distância razoável de 150 milhas da casa de Pedro, que o inspecionou rapidamente e tomou a decisão. O Vette era nosso. Lembra que mais de 300 mil unidades foram produzidas? Nesta configuração específica do nosso exemplar, o número é de cerca de 500 unidades, e isso sem contar o teto rígido opcional, que torna o carro ainda mais exclusivo.

Burocracia Antes da Diversão

Após concluir a primeira parte da missão, passamos para os procedimentos burocráticos. O processo começa com a coleta de toda a documentação, fotos e dados necessários para solicitar a Licença de Importação (LI) como veículo de coleção. Para isso, o carro deve ter mais de 30 anos, e é necessária a certificação do veículo e do importador pelo clube de carros antigos associado à Federação Brasileira de Veículos Antigos (FBVA). Nesta fase também participa o registro da pessoa física no sistema da Receita Federal e a emissão do Certificado de Conformidade ao Código de Trânsito (CAT) pelo Departamento Nacional de Trânsito (Senatran).

Este processo documental levou cerca de 45 dias antes de recebermos a permissão para o transporte da carga para o porto — no nosso caso, Fort Lauderdale, Flórida, a cerca de 800 milhas da casa de Pedro, onde os carros esperavam. Inicialmente, logisticamente, ambos os veículos deveriam ser entregues por um transportador em um armazém em Miami, onde seriam preparados e colocados em um contêiner. No entanto, no caminho, tivemos outra 'ótima' ideia!

Por que pagar pelo transporte se podemos fazer uma viagem de carro? Já que íamos gastar com um transportador, por que não usar esse dinheiro para levar os carros em uma viagem de carro até Miami? Eu não perderia tal oportunidade. Comprei uma passagem promocional de última hora e viajei para os EUA, com escala em Miami e voo final em Charlotte, onde Pedro me esperava, já de férias e pronto para viajar. No primeiro dia, passamos pela região dele, visitamos um museu na fábrica da BMW em Spartanburg e preparamos os carros. Como o Ram estava equipado com pneus off-road grandes e tinha um pequeno problema com a ativação do overdrive da transmissão, decidimos ser cautelosos e o enviamos por transportadora. Continuamos a rota no Corvette, que já havia completado com sucesso a viagem de compra.

No dia seguinte, partimos e decidimos estender a rota em 200 milhas para visitar a sede da conhecida FuelTech em Ball Ground, Geórgia, na esperança de cumprimentar o CEO e grande entusiasta de carros clássicos, Dick Anderson. Conseguimos: através de um amigo em comum que estabeleceu contato, fomos muito bem recebidos para conversar e fazer um tour pelos projetos da empresa. De lá, deixamos os arredores de Atlanta e seguimos para a Flórida, atravessando toda a Geórgia no primeiro dia para chegar à costa, em St. Augustine histórico. Um passeio, algumas cervejas merecidas e descanso.

Na manhã seguinte, desviamos das rodovias e escolhemos a clássica US Route 1, aproveitando a estrada costeira até a parada obrigatória: Daytona Beach. Dois amantes de carros em uma viagem de carro não poderiam perder o berço da NASCAR, certo? Assim que estacionamos o Corvette na entrada do museu, um segurança se aproximou, elogiou o carro e imediatamente notou quão raro era aquele teto rígido. Quando contamos sobre nossa missão de levá-lo ao Brasil, ele ficou impressionado e nos parabenizou. Não pudemos visitar a pista porque uma megaestrutura para um festival de rock que começaria no dia seguinte estava sendo construída. Voltando à estrada, mudamos o plano, decidindo não fazer mais uma parada e seguir direto pela rodovia até Miami, ganhando um dia extra na cidade antes de entregar o carro.

O Suco do Dinossauro na Collins Avenue

Chegamos tarde da noite, fizemos check-in no hotel, deixamos as mochilas, tomamos banho e saímos jantar. Após cruzar a famosa Ocean Drive, seguimos pela rua paralela Collins Avenue, procurando um lugar para estacionar. De repente, bem durante a manobra, o V8 começou a falhar. Pedro estava dirigindo: quando acelerava, o carro morria, até apagar completamente. Ele olhou para mim e disse: 'Acabou a gasolina!' O tráfego pesado em que caímos, combinado com a sede do oito cilindros LT1 na cidade, brincou conosco. Mas entusiastas de carros clássicos não se incomodam: abrimos o Google, encontramos um posto de gasolina a 10 minutos de caminhada, compramos um galão, voltamos e abastecemos o 'suco do dinossauro' no tanque. O motor voltou a funcionar perfeitamente na primeira partida, e nós voltamos ao jogo!

No dia seguinte, dirigimos por Miami mais algumas vezes, deixamos Pedro no aeroporto de Fort Lauderdale, entregamos o Corvette no depósito de logística e chamamos um Uber para ir ao nosso voo. A primeira metade da missão foi concluída.

O Perigoso Canal Vermelho e o Teste Final de Paciência

A partir desse momento, começou a operação marítima: preparação dos carros, carregamento no contêiner e embarque no navio de carga. Duas semanas depois, o casal chegou ao porto de Santos, iniciando o desembaraço aduaneiro. É neste estágio que ocorre a parametrização da Receita Federal, que determina o nível de controle da carga. No nosso caso, caímos no temido Canal Vermelho, exigindo análise documental minuciosa e inspeção física detalhada dos veículos. É um processo tenso e mais longo, mas como tudo estava estritamente de acordo com a lei, a carga foi aprovada e liberada quatro semanas após a chegada ao porto.

Quando os carros finalmente estavam em nossas mãos, restava o último — e mais exaustivo — passo burocrático, que muitos esquecem de mencionar: envio da documentação ao Senatran em Brasília para registro preliminar na Base Nacional de Dados (BIN). No nosso caso, esta etapa levou longos dois meses. Somente após esse registro o declarante pôde solicitar o registro no Detran local, e só então isso aconteceu rapidamente, seguindo os mesmos procedimentos de um carro novo.

Grande Final: 700 km até a Ilha dos Milagres

Para encerrar a jornada em grande estilo, faltava um detalhe. O Ram já estava em casa, enviado por transportadora diretamente para Florianópolis, mas o Corvette esperava em São Paulo pela emissão das placas. Já que levamos o carro até o porto nos EUA, era justo levá-lo para casa no Brasil! Tanque cheio, placas instaladas e 700 quilômetros de asfalto pela frente até Floripa. Viagem perfeita e missão cumprida: seis meses após o início do projeto, tínhamos ambos os carros clássicos americanos devidamente nacionalizados, documentados e sendo exibidos na Ilha dos Milagres!

E agora vamos calcular: quanto custou? Após a conclusão de todo o processo de importação e nacionalização, chegamos ao momento mais curioso: quanto isso custou? Vale a pena? Na minha opinião, vale — e muito! Mas antes de revelar os números, vale adicionar uma observação importante: as pessoas sempre perguntam sobre o 'aumento percentual' sobre o custo do carro, que exige o processo. Na prática, este cálculo é variável, pois existem muitas taxas operacionais fixas ao longo de todo o processo. Ou seja, quanto maior for o valor do carro comprado lá, menor será o impacto percentual desses custos no custo final. E dividir o contêiner entre dois carros ajuda a diluir a maior parte desses custos.

Para simplificar a explicação, faremos uma simulação prática, supondo um clássico comprado por US$ 10.000, transportado em um contêiner compartilhado com outro veículo. Os seguintes valores são ilustrativos e não correspondem necessariamente aos custos particulares em nossa história:

Popular