Devido ao desempenho inferior ao esperado da fábrica na Bahia, a BYD decidiu interromper a fabricação do sedã King, que havia superado o Toyota Corolla nas vendas, para concentrar seus esforços no modelo Atto 2.
A montagem deste sedã híbrido foi temporariamente paralisada na unidade de Camaçari, localizada na Bahia. Atualmente, essa fábrica está dedicando quase toda sua capacidade produtiva ao SUV híbrido flex Atto 2, que já registrou aproximadamente 7 mil pedidos desde o início da pré-venda.
Embora a BYD assegure possuir estoque suficiente do King para suprir as concessionárias, a empresa não forneceu informações sobre a data prevista para a retomada da produção do veículo.
Essa mudança de foco revela um problema estrutural maior: a necessidade de a BYD escolher qual carro produzir indica que a planta de Camaçari está operando significativamente abaixo das metas inicialmente estabelecidas pela marca.
Ao anunciar a fábrica em 2023, a BYD projetava iniciar a produção no segundo semestre de 2024, visando uma capacidade de 150 mil unidades anuais na primeira fase e 300 mil na segunda. Durante a cerimônia de inauguração, em outubro de 2025, o fundador da companhia, Wang Chuanfu, mencionou uma meta ambiciosa de 600 mil carros por ano.
No entanto, a concretização desse plano ocorreu mais lentamente. Os atrasos foram parcialmente causados pelo resgate de 163 trabalhadores chineses em condições comparáveis à escravidão no local, ocorrido em dezembro de 2024, e a montagem só teve início em julho de 2025.
Desde o começo das operações, a fábrica produziu cerca de 150 mil veículos, o que representa uma média de pouco menos de 10 mil unidades mensais. Para atingir a capacidade inicial planejada, seria necessário produzir 12,5 mil carros por mês. A meta atual da BYD é elevar essa produção para 25 mil unidades mensais até o final de 2026.
Adicionalmente, a unidade de Camaçari ainda depende de componentes que chegam prontos da China. As etapas de estamparia, soldagem e pintura, essenciais para a fabricação completa dos automóveis, só devem entrar em operação entre novembro e dezembro.
Esta pausa afeta um modelo que estava em grande destaque. Nos meses de agosto e setembro, o King liderou o segmento de sedãs médios, ultrapassando inclusive o Toyota Corolla, um resultado auxiliado também pela paralisação do concorrente, que mudou de fábrica nesse período.
O King está disponível nas versões GL e GS, ambas híbridas plug-in, equipadas com motor de 1.5 litro a gasolina e motor elétrico. A versão GL possui 209 cv combinados e bateria Blade de 8,3 kWh, enquanto a GS oferece 235 cv e bateria de 18,3 kWh. O sedã apresenta dimensões de 4,78 metros de comprimento, 2,72 metros de entre-eixos e um porta-malas com capacidade para 450 litros.
A interrupção da produção pode pavimentar o caminho para uma atualização estética ou para a introdução de uma versão híbrida flex, seguindo o exemplo do Song Pro e do Atto 2. A BYD está testando protótipos com design renovado no Brasil, mas ainda não confirmou alterações no sedã King.



