Geely lança sedan híbrido a metanol na China, enquanto o combustível enfrenta problemas legais no Brasil
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Geely lança sedan híbrido a metanol na China, enquanto o combustível enfrenta problemas legais no Brasil

A fabricante chinesa Geely apresentou na terça-feira, dia 3, na China, o modelo Xingyao 6 EF. Este sedã híbrido possui a capacidade de operar utilizando metanol, gasolina ou eletricidade.

De acordo com a própria montadora, este representa o primeiro veículo de passeio híbrido a metanol fabricado em escala global. Os dois combustíveis líquidos podem ser utilizados em qualquer proporção dentro do mesmo reservatório, similar ao funcionamento dos carros flex brasileiros que utilizam etanol e gasolina.

O sistema conta com um sensor que monitora em tempo real a concentração de metanol no tanque, permitindo que a central eletrônica ajuste a injeção e a ignição conforme a mistura utilizada. O motor alcança uma eficiência térmica de 48,15%, o que significa que quase metade da energia do combustível é convertida em movimento. A Geely afirma que este é o índice mais elevado entre os motores a metanol produzidos em série.

Graças à injeção direta de 350 bar e à ignição de alta potência, o veículo consegue iniciar a combustão mesmo em temperaturas tão baixas quanto -40 °C. No ciclo CLTC chinês, considerado mais otimista que o do Inmetro, o sedã percorre 230 km apenas com energia elétrica. Com a bateria totalmente carregada, a autonomia total atinge 1.250 km usando metanol no tanque cheio, e 1.880 km quando abastecido com gasolina. Essa diferença energética deve-se à composição química, visto que um litro de metanol contém aproximadamente metade da energia de um litro de gasolina.

As dimensões do Xingyao 6 EF são de 4,8 metros de comprimento e 2,76 metros de distância entre eixos. O metanol, também conhecido como álcool metílico, apresenta características semelhantes ao etanol por ser líquido em temperatura ambiente. Ele pode ser estocado, transportado e abastecido de maneira comparável à gasolina, exigindo uma infraestrutura mais simples do que a necessária para o hidrogênio.

Na China, o interesse neste combustível possui um caráter estratégico. O país dispõe de escassos recursos petrolíferos, mas possui abundância de carvão, que é a matéria-prima primária do metanol chinês, sendo a China o maior produtor mundial deste combustível. Na cidade de Guiyang, localizada no sul do país, mais de 90% dos táxis operam com metanol, segundo dados fornecidos pela Geely.

Outro fator motivador para a Geely é o clima. Durante o inverno no norte da China, os veículos elétricos sofrem uma perda significativa de autonomia, e o modelo híbrido a metanol oferece uma solução para esse desafio.

Adicionalmente, há uma perspectiva ambiental envolvida. A Geely, que vem pesquisando o metanol desde 2005, está investindo no conceito de metanol verde. Este é produzido a partir de dióxido de carbono (CO2) capturado e hidrogênio gerado por meio de fontes de energia renovável. A marca relatou ter desenvolvido um sistema capaz de capturar o carbono proveniente do escapamento para reutilizá-lo no processo de fabricação do combustível.

Em contraste, no Brasil, o metanol ganhou notoriedade por razões distintas. Em 2025, a Operação Carbono Oculto expôs um esquema criminoso que desviava mais de 10 milhões de litros de metanol com o intuito de adulterar gasolina e etanol em postos vinculados ao PCC. Em alguns desses locais, a proporção de metanol chegava a 50% da mistura, excedendo drasticamente o limite estabelecido pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que é de apenas 0,5%.

No mesmo ano, o consumo de bebidas falsificadas contendo metanol resultou em 76 casos confirmados de intoxicação e 25 óbitos no território nacional, conforme dados do Ministério da Saúde. Isso ocorre porque o metanol é consideravelmente mais tóxico que o etanol e não pode ser distinguido dele por meio de olfato ou paladar. Mesmo pequenas ingestões podem provocar cegueira e morte, além de a substância poder ser absorvida através da pele e das vias respiratórias.

O manuseio do metanol requer precauções adicionais: sua chama é quase imperceptível sob luz diurna, dificultando a detecção de um incêndio, e o líquido possui propriedades corrosivas para borrachas e certos metais, o que impõe a necessidade de componentes específicos no sistema de alimentação de combustível.

A Geely, que possui participação na operação da Renault no Brasil, não divulgou planos para comercializar o Xingyao 6 EF no mercado brasileiro.

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Investigação apura possível fraude com registro de veículos elétricos na divisa de Brasília

Existe uma disparidade notável entre o número de carros elétricos e híbridos por habitante em Brasília e nas cidades goianas localizadas no Entorno do Distrito Federal. Enquanto Brasília apresenta o maior índice nacional, as cidades vizinhas do Entorno demonstram um registro muito baixo desses veículos.

Essa diferença estatística motivou uma suspeita que está sendo investigada pelo Fisco de Goiás: há indícios de que veículos circulando no Entorno estão registrados em Brasília, aproveitando-se da isenção de IPVA oferecida na capital federal.

Um levantamento realizado pelo AutoPapo comparou dados de emplacamentos da ABVE, abrangendo o período de janeiro de 2022 a setembro de 2026, com estimativas populacionais fornecidas pelo IBGE. As oito principais cidades goianas do Entorno, incluindo Águas Lindas de Goiás e Formosa, possuem uma população total de 1,2 milhão de habitantes, mas registraram apenas 57 carros eletrificados (totalmente elétricos e híbridos), o que representa menos de 5 veículos a cada 100 mil moradores.

Em contraste, o Distrito Federal registra um índice de 2.539 por 100 mil habitantes, um valor mais de 500 vezes superior. Em Santo Antônio do Descoberto, com 76 mil residentes, nenhum veículo foi emplacado, enquanto Cidade Ocidental, com 104 mil, registrou um.

Embora a menor renda no Entorno contribua para essa diferença, outros fatores foram analisados, utilizando a Grande Goiânia como grupo de controle experimental. Cidades como Aparecida de Goiânia, Senador Canedo e Trindade, que compartilham o mesmo estado e regras de IPVA, mas não fazem fronteira com o DF, apresentam índices significativamente maiores: Aparecida com 291 por 100 mil, Senador Canedo com 344, e Trindade com 250.

Ao somar os municípios goianos com mais de 50 mil habitantes fora do Entorno (excluindo Goiânia), o índice atinge 425 por 100 mil, quase cem vezes superior ao dos municípios próximos a Brasília. Números tão baixos em cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes são raros, sendo comparáveis apenas a locais remotos na Amazônia, como Parintins (AM).

O principal incentivo para que cidadãos de Goiás registrem seus automóveis em Brasília, possivelmente de forma irregular, reside na legislação de 2019 do Distrito Federal, que isenta totalmente o IPVA para carros elétricos e híbridos até o final de 2027. Esta é a única unidade federativa que oferece tal isenção sem restrição de valor, diferentemente de Goiás.

Devido a essa situação, a Secretaria da Economia de Goiás e a Polícia Civil iniciaram a Operação Quíron em agosto de 2024. A operação visa combater proprietários residentes em Goiás que registram seus veículos fora do estado, utilizando endereços falsos, de parentes ou incorretos.

Na sua primeira etapa, a polícia identificou cerca de 500 proprietários, sendo que 99% dos casos estavam relacionados ao DF. Em abril de 2025, o estado já havia recuperado mais de R$ 3 milhões, e em setembro, o número de donos notificados subiu para cerca de 700, com um prejuízo estimado em R$ 10 milhões.

Uma nova fase da investigação, anunciada em outubro de 2025, focou em 172 veículos adquiridos fora de Goiás, majoritariamente no DF. Além da cobrança do IPVA, os infratores podem ser multados em 100% do valor devido, pagar a diferença de ICMS e responder por crime contra a ordem tributária, sujeito a pena de até dois anos de detenção.

As autoridades não divulgaram as cidades de residência dos investigados. Enquanto isso, a isenção no DF permanece válida, e há um projeto em tramitação na Câmara Legislativa que busca estender esse benefício até 2030.

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