A Honda introduziu a linha 2027 do City, disponível nas versões hatchback e sedan, com faixas de preço que variam de R$ 117.700 até R$ 156.400. Esses valores posicionam os veículos compactos japoneses em um segmento altamente competitivo do mercado.
Este nível de preço apresenta uma vasta gama de opções, incluindo SUVs de entrada, SUVs compactos, picapes leves, compactos elétricos, sedãs compactos e até SUVs médios em promoções. Diante dessa concorrência acirrada, o City deve se apoiar em argumentos sólidos para se destacar.
O principal diferencial da marca reside na sua reputação. A Honda possui um forte apelo comercial sustentado pela confiabilidade, mecânica comprovada, boa liquidez no mercado e baixa depreciação, termo que o marketing denomina de 'custo residual'. Essa combinação estabeleceu a Honda como um produto desejado, uma imagem construída ao longo de mais de 35 anos desde a liberação das importações.
A fabricante conseguiu alcançar um nível de qualidade superior ao de outras montadoras generalistas, situando-se um degrau abaixo das marcas premium alemãs. Contudo, o cenário mudou com a ascensão das marcas chinesas, que deixaram de ser vistas apenas como veículos baratos de qualidade questionável, atingindo um padrão de sofisticação comparável aos carros premium europeus.
Apesar das flutuações no panorama automotivo, incluindo o aumento da participação das marcas chinesas, a Honda manteve sua estabilidade no varejo brasileiro, sem necessidade de modificar seu plano de produção ou sua política de preços. Em contraste com outras marcas que perderam espaço para o avanço chinês, a Honda registrou crescimento nas vendas.
Entre janeiro e setembro, a marca registrou a licença de 82.634 unidades, superando as 73.570 unidades vendidas no mesmo período de 2025, o que representa um aumento ligeiramente superior a 12%, significativamente acima dos 8% do mercado total. Embora sua fatia de mercado tenha diminuído de 4,07% para 3,83% no mesmo intervalo, quase todas as marcas tradicionais viram suas participações reduzidas devido à consolidação de novos competidores como BYD, GWM, GAC, Geely e Omoda & Jaecoo.
Assim, a Honda prossegue em sua trajetória no varejo brasileiro, amparada pela lealdade de sua base de clientes, que confia no valor agregado pelo emblema H.
Especificações técnicas e desempenho
O City 2027 compartilha as mesmas características das gerações atuais, sendo oferecido com um único conjunto mecânico. Ele utiliza o motor 1.5 VVTI, que entrega 126 cv e 15,8 kgfm de torque. Este motor é acoplado a uma transmissão CVT, sendo o mesmo conjunto usado no sedan, hatch e nos SUVs WR-V e HR-V (nas versões de entrada). Este motor é adequado para consumidores que ainda demonstram receio em relação a motores turbo de três cilindros ou unidades eletrificadas.
O desempenho do City é consistente, embora não surpreendente. A potência e o torque fornecem boa agilidade tanto na cidade quanto na estrada. Como é um motor aspirado, o pico de torque ocorre em rotações mais altas, acima de 4.000 rpm. No entanto, a caixa de câmbio ajusta as relações rapidamente, elevando o giro imediatamente, o que resulta em retomadas ágeis e ultrapassagens seguras, apesar de não possuir o impulso de um motor turbo.
O comportamento geral do City é caracterizado por ser equilibrado e suave, típico de qualquer veículo Honda, sem apresentar solavancos. A suspensão possui uma calibração excelente, mantendo-se firme durante as curvas, ao mesmo tempo em que absorve imperfeições do pavimento.
Os dados do Inmetro apontam um consumo satisfatório: o City Sedan consome 9,1 km/l na cidade e 10,8 km/l na estrada utilizando etanol. Com gasolina, os números são de 12,9 km/l na cidade e 15,3 km/l na estrada.
Acabamento e tecnologia
O pacote de equipamentos varia desde as versões LX até Touring, além da RS, exclusiva do hatch. Todas as versões incluem climatização digital, direção elétrica e um sistema multimídia com conectividade sem fio para Android Auto e Apple CarPlay.
O sistema de assistência à condução Honda Sensing torna-se padrão a partir da versão EX. Já nas versões topo de linha, Touring e RS, é adicionada a função Low Speed Follow, juntamente com o controle de cruzeiro adaptativo (ACC), que mantém o controle de aceleração mesmo em velocidades inferiores a 32 km/h.
O acabamento interno do City chama a atenção pela qualidade dos materiais. As versões mais caras apresentam bancos e painéis revestidos em couro, o que aumenta a sensação de sofisticação. Entretanto, o modelo pode melhorar pela ausência de bancos com ajuste elétrico, um recurso que poderia ser um atrativo adicional para incentivar o consumidor a investir mais de R$ 150 mil em um compacto, considerando as diversas alternativas disponíveis.
Em resumo, o Honda City é um automóvel atraente, oferecendo motor confiável sem depender de turbinas ou módulos eletrônicos complexos, consumo eficiente e um pacote de recursos esperado de um carro moderno e bem equipado.
O ponto fraco do City pode estar em seu design externo. O consumidor brasileiro, assim como grande parte do público global, demonstra preferência por SUVs, mesmo que sejam essencialmente a mesma estrutura com uma carroceria modificada. O próprio cliente Honda reflete essa tendência: o WR-V, que compartilha plataforma, motor, transmissão e equipamentos, começa em R$ 150 mil, mas vendeu 27.145 unidades de janeiro a setembro, superando as vendas do sedan (11.568) e do hatch (10.005). Para quem busca um carro por R$ 117.700, o City é uma opção difícil de ser superada.


