A Volkswagen decidiu pausar o desenvolvimento do seu modelo Golf totalmente elétrico, citando a falta de recursos financeiros como o motivo principal. Essa informação foi divulgada por Thomas Schäfer, presidente da Volkswagen, durante uma entrevista interna obtida pela emissora alemã NDR.
Schäfer confirmou que, embora a diretoria tenha aprovado a paralisação, o projeto não foi cancelado permanentemente. O executivo declarou: «Simplesmente não podemos arcar com esse trabalho no momento». O modelo, conhecido como ID. Golf, representaria a nona geração do hatchback, cuja estreia estava inicialmente prevista para 2028 e já havia sido postergada para 2030; agora, sua chegada deve ocorrer no começo da próxima década.
Enquanto isso, o Golf continua sendo produzido com motores a combustão e híbridos. No mercado brasileiro, o veículo retornou este ano apenas na versão esportiva GTI, que é importada da Alemanha e comercializada a partir de R$ 430 mil.
Esta decisão ocorreu poucos dias após o grupo divulgar um prejuízo de R$ 35,2 bilhões (equivalente a 5,8 bilhões de euros) acumulado entre julho e setembro. Este resultado representa o pior trimestre da companhia desde o final de 2015, período marcado pelo escândalo Dieselgate, referente à fraude nos testes de emissões de motores a diesel.
Um dos maiores impactos negativos veio da Porsche, marca pertencente à Volkswagen. A empresa registrou uma redução de R$ 38,8 bilhões no valor da Porsche em seu balanço, antecipando vendas menores da marca de esportivos nos anos vindouros. Embora essa seja uma perda contábil sem movimentação de caixa, ela afetou significativamente o resultado geral.
Na China, um mercado que antes era uma fonte importante de lucros para a Volkswagen, houve uma queda de 38,5% nas entregas no trimestre, pois os consumidores passaram a preferir fabricantes locais, como a BYD, em detrimento das marcas estrangeiras.
Nos Estados Unidos, o aumento dos custos de carros importados foi impulsionado pelas tarifas impostas por Donald Trump. Adicionalmente, os veículos elétricos, apesar de ganharem espaço nas vendas, geram menor lucro por unidade comparados aos modelos movidos a combustão.
Em resposta a esses desafios, a empresa implementou um plano que prevê até 100 mil demissões e o encerramento de até quatro fábricas localizadas na Alemanha. Um comunicado interno revelou que a fábrica de Wolfsburg, local de origem do Golf, está R$ 1,8 bilhão aquém da meta de economia estabelecida. Além disso, a produção do Golf a combustão deverá ser realocada para o México em 2027.



