A Chery busca intensificar sua presença no mercado brasileiro. Após uma iniciativa anterior em 2014, que envolveu a construção da planta em Jacareí (SP) e foi posteriormente assumida pela Caoa, mas acabou sendo encerrada, o conglomerado chinês deseja operar no Brasil de forma autônoma.
Este plano de operação independente começou há pouco mais de um ano com o lançamento das marcas Jetour, Omoda e Jaecoo. Adicionalmente, a Chery planeja trazer para o Brasil os modelos iCAUR e Lepas, previstos para 2027 e 2028, respectivamente.
No entanto, a empresa reconhece que não pode se limitar a ser apenas uma importadora chinesa. Devido às barreiras protecionistas impostas pelo Brasil, a Chery entende que é crucial estabelecer produção local, adaptar seus produtos ao gosto nacional utilizando engenharia brasileira e expandir seu catálogo, incluindo picapes.
Declarações do CEO sobre a estratégia no Brasil
Guibing Zhang, CEO global da companhia, confirmou durante uma coletiva de imprensa realizada na sede da empresa em Wuhu, China, o lançamento de sete novos veículos equipados com motorização híbrida flex. Entre esses modelos está o Omoda 4, que incorpora tecnologia de autonomia estendida (REEV). Este SUV compacto, comparável ao Volkswagen T-Cross em tamanho, deve chegar no primeiro semestre de 2027 e é esperado que seja um dos primeiros modelos a ser montado no país.
O Grupo Chery está negociando com a Jaguar Land Rover o uso da planta localizada em Itatiaia (RJ), que se encontra inativa desde o final do primeiro semestre, visando iniciar suas atividades fabris no território brasileiro. Isso ocorre porque os veículos Chery atualmente montados no Brasil, em Anápolis (GO), são de responsabilidade da Caoa.
Zhang considera que a manufatura de automóveis no Brasil é fundamental para garantir o crescimento sustentável, aumentar a competitividade e possibilitar projetos específicos para o mercado interno. Apesar desse interesse manifestado, os executivos não divulgaram detalhes sobre a localização ou o cronograma para a instalação de uma fábrica no Brasil.
O líder da Chery descartou imediatamente a ideia de desenvolver um produto totalmente exclusivo para a região. O grupo manterá um portfólio global, mas fará ajustes necessários para cumprir as exigências legais e atender às preferências de cada mercado.
A Chery pretende aumentar a participação da equipe brasileira em pesquisa e desenvolvimento para auxiliar na adaptação dos veículos. O histórico demonstrou que simplesmente replicar um carro vendido na China não é suficiente, citando o insucesso do modelo Celer nacional. Por isso, Zhang afirmou que o fortalecimento da engenharia local ajudará a calibrar motores, refinar a dirigibilidade e selecionar equipamentos mais apropriados para o consumidor brasileiro.
Segundo o executivo, uma meta prioritária do Grupo Chery é expandir sua rede de concessionárias. As razões para isso são claras: a Chery atua atualmente com três marcas — Omoda, Jaecoo e Jetour — e planeja lançar a iCAUR no primeiro trimestre de 2027, além de preparar a chegada da Lepas, que será posicionada como uma linha premium no Brasil. O plano é elevar o número de lojas de 110 para 150 até o final do ano, ultrapassando os 200 pontos com a inclusão das novas marcas.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de comercializar picapes no Brasil, Zhang indicou que existem opções no portfólio da marca, visto que ela possui picapes no mercado chinês e já as exporta para locais como a Austrália. Ele mencionou que o grupo está avaliando a viabilidade desse produto para o mercado brasileiro, mas não especificou qual seria nem quando ocorreria. O que se sabe é que a picape teria motorização eletrificada, combinando um motor diesel com um módulo elétrico plug-in.
