A General Motors (GM) estabeleceu como meta reduzir pela metade o tempo necessário para desenvolver novos automóveis, visando concluir todo o processo em apenas dois anos. Para alcançar esse objetivo, a montadora americana está apostando na aplicação da inteligência artificial (IA), buscando acompanhar o ritmo acelerado de lançamento de modelos por fabricantes chineses.
Além disso, a empresa planeja implementar modificações tanto nas baterias quanto nos sistemas eletrônicos dos seus veículos. Esses planos foram detalhados durante um evento realizado em Nova York e englobam tecnologias que deverão ser incorporadas aos carros nos próximos anos.
Concorrentes como BYD, Geely e Xiaomi têm ganhado destaque em mercados globais, incluindo Ásia, África, Europa e América Latina, graças aos seus lançamentos frequentes e à inclusão de tecnologias de ponta em seus veículos. Essa intensa competição força as montadoras tradicionais a diminuírem o período de desenvolvimento de novos modelos.
Em uma entrevista concedida ao The New York Times, Sterling Anderson, diretor de produtos da GM, resumiu a estratégia afirmando que «quanto mais rápido pudermos fazer iterações, melhores serão nossos produtos». Ele complementou que a companhia está conseguindo criar produtos superiores, em menor tempo e com custos reduzidos.
A GM também está trabalhando no desenvolvimento de carros elétricos com preços comparáveis aos de modelos movidos a gasolina ou diesel, mas que ofereçam maior autonomia por carga. Embora ainda não haja uma data definida para a chegada desses veículos ao mercado, a pesquisa de baterias já utilizou IA para analisar 300 mil combinações de componentes químicos. Essa tecnologia tem o potencial de acelerar fases que, normalmente, demandariam anos, auxiliando na criação de baterias mais acessíveis.
Este avanço é crucial para a montadora, visto que sua presença no mercado americano de veículos elétricos ainda é limitada. No terceiro trimestre, Chevrolet, Cadillac e GMC, somadas, representaram menos de 10% das vendas de carros elétricos novos nos Estados Unidos, enquanto a Tesla ultrapassou a marca de 50%, conforme dados da Cox Automotive.
Outra frente de trabalho da GM é a reformulação da eletrônica embarcada nos veículos. Atualmente, diversas unidades de processamento gerenciam funções distintas, como motor, chassi e auxílio ao motorista. A proposta da empresa é consolidar todas essas tarefas em um único dispositivo.
Essa arquitetura unificada promete diminuir os custos e reduzir a vulnerabilidade a interrupções no fornecimento de chips, um problema que impactou a produção durante a pandemia de Covid-19. Este modelo já é empregado pela Tesla e também foi adotado por fabricantes chineses.
Essas transformações fazem parte de um plano maior que inclui o suporte do computador centralizado a um sistema que a GM pretende disponibilizar até 2028. Essa tecnologia permitiria que o motorista retirasse os olhos da pista em rodovias separadas por barreiras físicas. O primeiro veículo previsto para receber este recurso será o Cadillac Escalade IQ, a versão elétrica do SUV de grande porte, seguido por outros modelos da marca.
Contudo, a expansão dos veículos elétricos nos Estados Unidos encontra barreiras significativas. A GM diminuiu seus investimentos neste setor após o Congresso ter suprimido os créditos fiscais federais para compradores desses veículos no ano anterior. Além disso, a flexibilização das normas de eficiência de combustível também mitigou a pressão para aumentar a oferta de opções elétricas.
Mary T. Barra, presidente-executiva da companhia, reconhece que os veículos elétricos inevitavelmente se tornarão predominantes à medida que os preços caírem e a tecnologia evoluir. Com esses novos projetos, a GM busca acompanhar essa mudança de paradigma e responder à concorrência de fabricantes que estão encurtando o ciclo entre o desenvolvimento e o lançamento de novos carros.

