China adota modelo de desenvolvimento orientado ao transporte público, inspirado em Curitiba
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China adota modelo de desenvolvimento orientado ao transporte público, inspirado em Curitiba

A China, líder mundial no setor automotivo e principal exportadora de veículos, está reformulando seu planejamento urbano utilizando um conceito que Curitiba implementa desde os anos 1970: o Desenvolvimento Orientado ao Transporte Público (TOD). Este modelo visa reduzir a dependência dos automóveis particulares nos deslocamentos cotidianos.

Este paradigma ganhou proeminência no país nas últimas duas décadas e foi elevado a estratégia nacional nos planos do Partido Comunista e do Conselho de Estado para os transportes. Tais planos exigem a integração das estações com o tecido urbano e a reserva de áreas adjacentes para novos empreendimentos. Em Pequim, por exemplo, é obrigatório que pelo menos 60% da área dentro de um raio de 500 metros das estações apresente uso misto.

A essência da proposta TOD reside na concentração de habitações, escritórios, estabelecimentos comerciais, escolas e outros serviços próximos às estações de trem e metrô. Ao diminuir a necessidade de longos trajetos de carro, o objetivo é mitigar o congestionamento e as emissões poluentes, além de controlar a expansão urbana desordenada.

Este método se contrapõe ao planejamento tradicional, que historicamente deu prioridade a grandes avenidas, estacionamentos e bairros distantes dos centros, tornando o carro essencial para quase todas as atividades. Em contrapartida, o TOD promove a integração entre diferentes modais de transporte, incluindo estações intermodais, vias destinadas a pedestres e ciclovias.

Outras cidades como Copenhague, na Dinamarca, e Tóquio, no Japão, utilizam essa abordagem há décadas, mas a capital paranaense figura entre os pioneiros mundiais.

A ideia surgiu em um período de rápido crescimento populacional; a população da cidade quase duplicou na década de 1960, passando de 361 mil para 624 mil habitantes. Para impedir uma expansão descontrolada, o plano diretor aprovado em 1966 estabeleceu que Curitiba deveria crescer em linhas retas partindo do centro, definindo os chamados eixos estruturais.

O arquiteto Jaime Lerner foi quem concretizou este plano, tendo auxiliado na criação do instituto de planejamento municipal e sendo nomeado prefeito em 1971. Em 1974, ele inaugurou as canaletas exclusivas para ônibus, precursor do sistema BRT (ônibus de trânsito rápido).

Naquela época, Lerner relatou que o entendimento predominante era que cidades com um milhão de habitantes necessitariam de metrô. Contudo, Curitiba optou por estruturar seu crescimento em torno do sistema de ônibus. Ao longo desses eixos, a prefeitura permitiu a construção de edifícios mais altos, trazendo moradia, comércio e escritórios para perto das canaletas. Anteriormente, em 1972, a Rua XV de Novembro já havia sido interditada para carros, estabelecendo o primeiro calçadão para pedestres do país.

Atualmente, a cidade possui mais de 80 km de canaletas, que abrigam 65% dos usuários do transporte coletivo, e aproximadamente 200 municípios globais adotaram soluções inspiradas na experiência curitibana.

A China está aplicando esse conceito em uma escala sem precedentes, embora haja uma distinção em relação a Curitiba: no caso chinês, o eixo central do modelo são os trilhos, sustentado pela vasta rede que compreende milhares de quilômetros de linhas de metrô e de alta velocidade.

No final de 2025, 58 cidades chinesas possuíam sistemas de trilhos urbanos, totalizando 382 linhas e mais de 13 mil quilômetros, conforme dados da Associação Chinesa de Metrôs. Esses sistemas registraram 33 bilhões de viagens naquele ano.

Em Shenzhen, novos bairros estão sendo desenvolvidos sob a égide do TOD. Já Xiong’an, uma cidade planejada praticamente do zero a cerca de 100 km de Pequim, integrou o conceito desde sua concepção.

É importante notar que este novo modelo não implica que a China irá abandonar os veículos, visto que a indústria automobilística permanece crucial para sua economia. A alteração reside na função dos veículos nas cidades, que passam a compartilhar o espaço com o transporte público.

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O governo da China manifestou intenção de controlar os avanços tecnológicos presentes nos veículos comercializados internamente. O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT) submeteu à consulta pública, no dia 10, um conjunto de regulamentos que visam restringir o uso de telas dobráveis e a funcionalidade de bancos reclinados enquanto o veículo está em movimento.

Esta proposta, desenvolvida em colaboração com outros três órgãos governamentais, aceitará sugestões até o dia 10 de novembro, conforme noticiado pela agência Reuters. De acordo com o documento, a partir de 1º de janeiro de 2027, as fabricantes de automóveis deverão fornecer informações técnicas mais detalhadas para obter a homologação de novos modelos, os quais também precisarão ser submetidos a testes de confiabilidade de, no mínimo, 30 mil quilômetros.

Veículos que já possuem aprovação terão um prazo até 1º de julho de 2027 para submeter os dados solicitados, sob pena de sofrerem suspensão na produção ou serem alvo de recall.

As normas propostas limitam os bancos classificados como «zero gravidade», aqueles que podem reclinar quase até se transformar em uma cama, bem como os assentos rotativos; estas funções serão bloqueadas quando o carro estiver em trânsito.

As telas também foram incluídas no escrutínio regulatório. Centrais multimídia, painéis de grande dimensão e sistemas sofisticados de projeção de dados no para-brisa deverão passar por uma avaliação de segurança em colisões e de impacto na atenção do condutor.

Adicionalmente, o texto veda o uso de telas flexíveis e dobráveis, o que poderá impactar empresas como Xiaomi e Huawei. Funções consideradas essenciais, tais como limpadores, faróis e desembaçador, deverão manter botões físicos, além dos comandos disponíveis nas telas.

Outro aspecto abordado refere-se aos faróis de LED que possuem capacidade de exibir desenhos e textos. O governo deseja que as montadoras tenham controle sobre o conteúdo exibido tanto nos faróis quanto nas lanternas personalizadas pelos proprietários.

Finalmente, o texto reafirma a proibição de maçanetas totalmente embutidas, regra que já está em vigor na China desde 1º de janeiro de 2027. As portas deverão possuir um mecanismo de abertura mecânica de emergência e garantir espaço adequado para a manipulação manual.

No contexto brasileiro, modelos como BYD Seal, Geely EX5 e Leapmotor C10 e B10 utilizam este tipo de maçaneta. Embora a legislação chinesa não seja aplicável no Brasil, ela pode influenciar as marcas a modificarem seus projetos globais.

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