Primeiros motores turbo brasileiros foram introduzidos pela Fiat, começando com o Uno Turbo em 1994
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Primeiros motores turbo brasileiros foram introduzidos pela Fiat, começando com o Uno Turbo em 1994

No final dos anos 1970 e no começo dos anos 1980, motores equipados com turbocompressor eram vistos com desconfiança, sendo frequentemente associados a veículos pouco confiáveis, apesar de oferecerem um desempenho superior ao que o público brasileiro estava acostumado. Essa tecnologia era vista como uma grande novidade, mas também estava ligada a problemas como superaquecimento e falhas.

Nesse período, a gasolina disponível possuía um alto teor de enxofre, baixa octanagem e continha adição de álcool anidro. Embora o álcool combustível, que começou a ser distribuído regularmente nos postos em 1979, fosse mais adequado para os motores turbo, a combinação de álcool e turbo ainda apresentava dificuldades para os preparadores de motores.

A chegada da tecnologia turbo

As fabricantes europeias estavam ansiosas para lançar modelos com essa solução tecnológica, pois os motores turbo eram considerados o futuro. Em 1985, a Fiat introduziu no mercado europeu uma versão do Uno chamada Turbo. Este modelo italiano vinha equipado com um motor 1.3, que utilizava uma pequena turbina japonesa IHI resfriada a água. A alimentação era feita por injeção eletrônica digital, trabalhando junto com um sistema de ignição eletrônico, conferindo ao pequeno motor de quatro cilindros uma potência de cerca de 105 cv.

O Uno Turbo i.e. era notavelmente leve e conseguia acelerar de 0 a 100 km/h em aproximadamente 8,5 segundos, alcançando uma velocidade máxima de cerca de 200 km/h. Na época de seu lançamento, algumas unidades desse pequeno esportivo chegaram ao Brasil para fins de testes e demonstração da nova tecnologia europeia, que poderia ser implementada no país futuramente.

Contudo, levaram vários anos para que a Fiat disponibilizasse um Uno Turbo fabricado no Brasil. O Uno Turbo brasileiro foi finalmente lançado em 1994, nove anos após a apresentação do modelo italiano. Este veículo se tornou o primeiro carro produzido no Brasil a vir de série com turbocompressor.

Evolução e consolidação da tecnologia

A tecnologia começou a superar a imagem de estar restrita a carros problemáticos, passando a oferecer ganhos de desempenho controlados pelas engenheiras de fábrica sem comprometer a longevidade do motor. Isso representou uma mudança conceitual importante, afastando os motores turbo da reputação de instabilidade e insegurança, e posicionando-os como uma opção para maior performance em motores de menor cilindrada. O esforço das equipes de engenharia foi crucial para essa transformação de percepção.

Mantendo o ímpeto em 1994, e aproveitando o crescente interesse dos consumidores brasileiros pela tecnologia turbo, a Fiat, que já investia nesse recurso há anos, também lançou a versão Turbo do popular Tempra. Assim, naquele ano, a marca italiana colocava no mercado nacional dois modelos turbo de fábrica, o que era considerado uma audácia, especialmente considerando as especificações da gasolina brasileira daquele período.

Mesmo sob essas condições, o Uno Turbo brasileiro, que utilizava um motor 1.4 importado da Itália, entregava 118 cv e gerava 17,5 mkgf de torque. Já o Tempra Turbo era equipado com um motor 2.0 de oito válvulas, produzindo 165 cv de potência máxima e 26,5 mkgf de torque. Esses resultados eram significativos para a época e colocavam ambos os Fiat entre os automóveis nacionais de maior desempenho.

Novos modelos e avanços tecnológicos

Dominando cada vez mais a tecnologia turbo, a Fiat introduziu no mercado nacional, em 1998, o Marea Turbo e sua versão perua, denominada Weekend. Ambos eram equipados com o incomum motor 2.0 de cinco cilindros e quatro válvulas por cilindro. Em uma configuração mais moderada do que a usada em certos modelos europeus, este motor produzia 182 cv e gerava um torque máximo de aproximadamente 27 mkgf, sendo uma escolha adequada para as condições brasileiras e proporcionando excelente desempenho ao Marea e ao seu perua.

A confiança da Fiat na tecnologia turbo era tamanha que a empresa desenvolveu uma versão de competição do Marea Weekend para provas de resistência, ou corridas longas, que testavam tanto o desempenho quanto a confiabilidade do conjunto mecânico. Esta station wagon chegou a vencer o percurso de 1.000 km de Brasília em 2004, demonstrando a união entre performance e durabilidade.

Posteriormente, veio o Punto T-Jet. Sua versão turbinada foi lançada em 2009 e transformava o pequeno Fiat em um veículo de alta velocidade. Equipado com motor 1.4 16V turbo, o Punto esportivo acelerava de 0 a 100 km/h em cerca de oito segundos e atingia um pico de velocidade máxima ligeiramente superior a 200 km/h. Este motor gerava 152 cv e seu torque máximo situava-se na faixa de 21 mkgf. Este mesmo motor foi posteriormente aplicado ao sedã Linea e ao hatch médio Bravo.

Neste ponto, ficou evidente para a marca italiana que o turbo representava uma solução viável para criar motores menores, mais leves e compactos, mas que fossem capazes de entregar alta potência e bons valores de torque mesmo em baixas rotações. Com o passar dos anos, a melhoria nos sistemas de injeção, no gerenciamento eletrônico, nos combustíveis e na própria tecnologia dos turbocompressores possibilitou uma expansão ainda maior de suas aplicações.

A partir do final dos anos 1990 e início do século atual, a qualidade da gasolina brasileira também sofreu melhorias significativas, enquanto regulamentações de emissões progressivamente mais rigorosas impulsionaram a evolução dos motores. Atualmente, os turbocompressores são comuns em veículos de diversos segmentos, frequentemente associados a motores de baixa cilindrada que equilibram desempenho, eficiência e controle de poluentes. No entanto, é importante lembrar que, entre os automóveis produzidos em série no Brasil, essa trajetória teve início em 1994 com o Uno Turbo i.e., seguido pelo Tempra Turbo no mesmo ano.

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