A Fórmula 1 confirmou seu retorno ao continente africano, anunciando um acordo de dez anos com Ruanda para sediar um novo Grande Prêmio africano. A estreia deste evento está programada para o começo da próxima década, marcando a primeira etapa no continente desde 1993, quando o circuito de Kyalami, na África do Sul, realizou a última corrida da categoria.
A escolha de Ruanda surpreendeu muitos entusiastas, visto que a África do Sul havia feito campanha para trazer de volta o circuito de Kyalami. No entanto, o ministro do Esporte sul-africano, Gayton McKenzie, expressou a crença de que o país também receberá corridas em breve.
O plano estabelecido prevê a construção de uma pista inédita em Bugesera, localizada aproximadamente a 40 quilômetros ao sul da capital ruandesa, Kigali, adjacente ao novo aeroporto internacional. Esta pista será projetada para atender aos requisitos da licença Grau 1 da FIA, essencial para a participação da categoria. Ela terá 6 quilômetros de extensão e 17 curvas, aproveitando o terreno acidentado da região, com uma variação de altitude de 197 metros, conforme informado pela F1.
Além da pista, o projeto abrange um plano de desenvolvimento econômico, infraestrutura e turismo, incluindo um complexo destinado a eventos durante todo o ano.
Com esta nova etapa, o Campeonato Mundial passará a competir em todos os continentes habitados. A F1 aponta que a África possui mais de 100 milhões de seguidores, sendo que cerca de 60% desses fãs nos principais mercados subsaarianos possuem menos de 35 anos.
Contudo, a iniciativa do governo de Paul Kagame gera controvérsia. A Anistia Internacional classifica as iniciativas esportivas do país como 'sportswashing', ou seja, o uso do esporte para aprimorar a imagem nacional e desviar a atenção de violações de direitos humanos. As autoridades ruandesas refutam essa alegação.
Adicionalmente, em 2025, a República Democrática do Congo solicitou à F1 o encerramento das negociações, alegando o suporte de Ruanda aos rebeldes do M23, acusação que também foi levantada pela ONU. Ruanda, por sua vez, defende que suas ações militares são de natureza defensiva.
Stefano Domenicali, CEO da Fórmula 1, classificou o acordo como um marco histórico, afirmando que a África sempre fez parte do futuro da categoria.
