O senador republicano Bernie Moreno declarou que a Mercedes-Benz não será proibida de comercializar automóveis nos Estados Unidos, apesar de um projeto de lei que visa restringir veículos ligados à China. Essa afirmação ocorreu após o senador Rand Paul, do mesmo partido, sugerir que a redação atual do texto poderia excluir a marca alemã do mercado norte-americano.
A controvérsia reside em um dispositivo da proposta legislativa que veda a venda de veículos nos EUA por empresas que possuam mais de 15% de participação chinesa. Atualmente, a estatal chinesa BAIC (Beijing Automotive Group) detém 9,98% da Mercedes-Benz, sendo sua maior acionista individual. Além disso, Li Shufu, fundador e presidente da Geely, controla outros 9,69% através de uma companhia de investimentos, totalizando quase 20% de participação combinada.
Moreno assegurou, citando o Washington Post, que o presidente dos Estados Unidos não assinará um projeto que proíba a Mercedes-Benz nos EUA, acrescentando que é necessário encontrar uma maneira de gerenciar a situação. O senador, que compartilha a autoria do projeto com a senadora democrata Elissa Slotkin, levantou dúvidas sobre a capacidade da Mercedes-Benz de diminuir sua participação chinesa para abaixo de 15% sem causar danos à própria corporação. Ele também mencionou a necessidade de encontrar uma solução para a Volvo, cuja maioria das ações pertence à Geely, e a Aston Martin, que seria afetada, visto que a Geely possui 17% desta fabricante britânica.
Em julho, quando o texto foi aprovado pela Comissão de Comércio do Senado, Moreno defendeu que as restrições só entrariam em vigor em 2030 e que haveria um procedimento para solicitações de isenção. Na mesma época, conforme noticiado pela Bloomberg, a Mercedes-Benz começou a pressionar parlamentares para que a proposta fosse flexibilizada.
O senador Moreno possui laços com a marca, tendo sido proprietário de uma concessionária Mercedes-Benz em Ohio, vendida em 2019, e seu filho é sócio de uma nova revenda da marca no estado, segundo o site especializado CBT News.
Intitulado Connected Vehicle Security Act, o projeto foi apresentado em abril e expande uma regra implementada durante o governo Joe Biden, que, na prática, já impede a entrada de carros chineses nos EUA. A legislação propõe proibir a importação, fabricação e venda de veículos com componentes de hardware e software de origem chinesa, sob o pretexto de segurança nacional. Slotkin chegou a descrever os carros chineses como «pacotes de vigilância sobre rodas».
Moreno buscou aprovar o texto em caráter de urgência antes do recesso do Senado, que se estende até novembro, mas não conseguiu o consenso unânime necessário. De acordo com Slotkin, Rand Paul é o único senador que se opõe ao projeto. Ele declarou à Reuters que considera a proposta um ataque injusto à Mercedes-Benz e afirmou que cessaria sua oposição caso a montadora fosse excluída.
Devido ao impasse, a votação deverá ser adiada para após as eleições de meio de mandato, agendadas para 3 de novembro, momento em que os americanos renovarão todos os membros da Câmara dos Representantes e aproximadamente um terço do Senado.
