Discussão sobre gasolina E0 e E10 levantada como medida populista sem suporte técnico
Leia mais
AutoPapo
autopapo.com.br

Discussão sobre gasolina E0 e E10 levantada como medida populista sem suporte técnico

As conversas sobre a gasolina tipo E0 são consideradas uma pauta populista e desprovida de base técnica. Tais discussões surgiram após o governo anunciar a intenção de aumentar o teor de etanol na gasolina, passando de 32% para 35%, sob a alegação de que isso seria permitido pela Lei do Combustível do Futuro.

Entretanto, o texto aponta que essa permissão para novos percentuais deve estar sempre condicionada à comprovação da 'viabilidade técnica'.

Outras questões sobre o etanol

Desde agosto, o governo já havia elevado o teor de etanol de 30% para 32% (E32) sem realizar os testes obrigatórios previstos na legislação. O Instituto Mauá, responsável por essa análise, executou somente testes de dirigibilidade, negligenciando os testes de durabilidade e compatibilidade, o que significa que não foi avaliado se o etanol poderia danificar componentes suscetíveis à oxidação.

Adicionalmente, o governo federal ignorou os protestos dos fabricantes de motocicletas, representados pela Abraciclo, que alegavam que o novo percentual (E32) estava afetando o funcionamento das motos.

Esse aumento, classificado como 'provisório' pelo governo, gerou várias dúvidas sobre a gasolina, embora cerca de 80% da frota de automóveis possua motores flex, tornando o teor de álcool irrelevante para eles. Contudo, o impacto financeiro recai sobre o motorista, visto que maior teor de etanol implica maior consumo e custos mensais.

Diversas propostas foram apresentadas por parlamentares, que, segundo o artigo, não possuem conhecimento sobre combustíveis, sugerindo a gasolina sem álcool (E0) ou com apenas 10% de etanol (E10), com o objetivo de permitir que o motorista escolhesse o mais adequado para seu veículo. Esses parlamentares, contudo, desconhecem o conceito de octanagem, que é a capacidade do combustível de resistir à detonação sob a alta pressão do pistão no cilindro.

Sem octanagem adequada, a mistura pode explodir antes da faísca da vela, comprometendo o desempenho, o funcionamento e podendo levar à quebra do motor. Somente motores muito antigos, com baixa taxa de compressão, seriam capazes de operar com essa gasolina de baixa octanagem.

Viabilidade técnica das propostas

Em suma, a proposta da E0 é tecnicamente inviável. Da mesma forma, a E10 seria difícil de implementar devido ao baixo teor de etanol, o que diminuiria a eficiência e poderia causar danos aos motores. Os níveis propostos de zero ou apenas 10% de etanol exigiriam que a refinaria produzisse um combustível mais caro e complexo para atingir uma octanagem superior a 90 RON. Atualmente, a gasolina comum/aditivada possui 94 RON, enquanto a Premium chega a cerca de 100 RON.

Portanto, as sugestões de oferecer gasolina 'ao gosto do freguês' são impraticáveis na realidade, exceto talvez para um pequeno grupo de modelos mais antigos que não demandam alta octanagem e são sensíveis ao etanol, beneficiando especificamente veículos como o Fordinho 29.

Popular