Análise do Leapmotor B10 híbrido: custo competitivo e avaliação de design e desempenho no mercado brasileiro
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Análise do Leapmotor B10 híbrido: custo competitivo e avaliação de design e desempenho no mercado brasileiro

Após um ano de atuação no Brasil, a Leapmotor ainda não alcançou destaque no mercado nacional, figurando abaixo de outras montadoras chinesas no ranking da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), como GAC, Omoda&Jaecoo, Geely, GWM, Caoa Chery e BYD.

A marca, que possui parceria com a Stellantis, detentora da Fiat, optou por focar no tipo de eletrificação mais popular no país, o híbrido plug-in, expandindo sua oferta com a versão REEV do Leapmotor B10.

Este modelo emprega um «sistema invertido», onde o motor a combustão serve exclusivamente como gerador de energia para alimentar o conjunto elétrico que move as rodas. É importante diferenciar os tipos de veículos eletrificados: o Híbrido Leve (MHEV), mais simples, oferece cerca de 10% de economia de combustível, sendo exemplificado por Jeep Renegade, Fiat Pulse e Peugeot 208; o Híbrido Pleno (HEV) possui motor elétrico capaz de tracionar as rodas, podendo atingir mais de 18 km/l, como visto no Toyota Corolla Cross; e o Híbrido Plug-in (PHEV), com bateria maior e mais potência elétrica, permite longas distâncias sem usar combustível, como o GWM Wey 07, que roda 128 km apenas com eletricidade.

O Leapmotor B10 se enquadra na categoria PHEV, mas utiliza este sistema modificado, denominado REEV (veículo elétrico de autonomia estendida), onde a eletricidade gerada pelo motor a gasolina alimenta as baterias e, consequentemente, os motores das rodas.

Design discreto e interiores minimalistas

O design externo do B10 apresenta linhas sóbrias e um visual minimalista em toda a carroceria, complementado por uma grade frontal de tamanho reduzido e maçanetas embutidas. As lanternas traseiras são conectadas em uma linha reta. Embora possua um toque de modernidade incomum em carros ocidentais, o modelo segue um padrão de design comum a outras marcas chinesas, fazendo com que o B10, nas versões elétrica ou REEV, não chame muita atenção nem transmita criatividade, o que pode ser vantajoso para quem deseja passar despercebido.

A experiência de entrada no veículo é marcada por uma solução inspirada na Tesla: a chave é um cartão com tecnologia NFC, que destranca o carro ao ser posicionado no retrovisor esquerdo. Alternativamente, é possível configurar uma chave digital no celular. Contudo, essa funcionalidade é considerada menos prática que uma chave física convencional.

No interior, o minimalismo chinês é acentuado pela ausência de botões para controlar o ar-condicionado, a abertura e fechamento da cortina solar, o ajuste dos espelhos laterais e o controle dos faróis. A influência da Tesla se estende ao teto solar, que não possui abertura, e ao volante, que contém duas pequenas rodas multifuncionais. Estas rodas ajustam os espelhos laterais após a seleção na central multimídia, e no uso padrão, controlam o volume do áudio e a velocidade do piloto automático adaptativo. Assim como nos Tesla, ativar o piloto automático adaptativo requer duplo acionamento da alavanca de câmbio, localizada atrás do volante, o que é visto como uma melhoria em relação a ter o câmbio integrado à central multimídia.

Conforto versus Originalidade

Em contraste com a falta de originalidade estética, o conforto do B10 é notável. O carro dispõe de superfícies macias em todos os pontos de contato e o revestimento em couro confere uma sensação de material mais sofisticado, com poucas costuras visíveis e aquelas presentes mantendo a mesma cor do acabamento para serem discretas.

Sentar-se nos assentos dianteiros ou na segunda fileira proporciona uma sensação de aconchego, comparável a um sofá. Até mesmo quem ocupa o meio da segunda fileira desfruta de conforto, graças ao piso plano, à ausência de elevação do banco e ao console central que não avança excessivamente, permitindo acomodar os pés sem conflito com os ocupantes laterais. O carpete de série é macio, adequado para quem não prefere materiais muito felpudos.

Apesar do conforto interno, o porta-malas poderia ser maior, pois o foco no espaço interno resultou em uma capacidade de apenas 350 litros. Para fins de comparação, o Jeep Renegade, conhecido por seu porta-malas compacto, possui apenas 20 litros a menos que o B10, indicando que o conforto de longa distância exige planejamento ao carregar bagagem.

Ao dirigir, o Leapmotor B10 híbrido apresenta características mistas. Com o motor elétrico posicionado no eixo traseiro, a tração é traseira, o que pode conferir um caráter mais esportivo. Durante um trecho na Rodovia Castello Branco (SP-280), onde atingiu 120 km/h, o B10 demonstrou contenção; mesmo no modo esportivo, os 218 cv de potência e 24,5 kgfm de torque pareceram moderados. Não houve percepção de atraso entre a aceleração e a resposta do veículo, mas sim a impressão de força contida. A tração traseira, típica de esportivos, exige cautela em curvas acentuadas e altas velocidades, embora a reportagem tenha sentido um controle de estabilidade tão eficaz que mitigou essa necessidade de cuidado.

Um aspecto relevante observado durante o teste totalmente elétrico foi a suspensão extremamente macia, que fazia o veículo parecer um barco em águas calmas ao passar por lombadas. Após um ano, essa experiência melhorou significativamente. A suspensão permanece mais suave que a de marcas alemãs como Volkswagen e Audi, mas está mais adaptada ao estilo de direção brasileiro, com menor oscilação ao transpor lombadas ou contornar curvas de 90 graus em alta velocidade. O teste foi realizado com o veículo totalmente carregado e o tanque cheio. A bateria de 18,8 kWh assegura uma autonomia de 68 km, cobrindo quase metade do percurso. No retorno, utilizando o motor 1.5 aspirado para regeneração de energia, o isolamento acústico foi considerado bem executado.

Vale a pena adquirir o Leapmotor B10 híbrido?

Embora este sistema híbrido seja exclusivo da Leapmotor, ele opera essencialmente como um plug-in com uma lógica alterada. O carro oferece conforto tanto para motoristas quanto para passageiros, mas a falta de criatividade em diversos elementos representa um ponto negativo. Os principais contratempos são a chave no formato de cartão NFC e a escassez de botões físicos, o que pode impactar a segurança, forçando o condutor a desviar o foco da via para operar funções através da central multimídia, como fechar a cortina solar.

Os concorrentes diretos, que são híbridos plug-in tradicionais, incluem BYD Song Pro (R$ 196.990), Geely EX5 EM-i (R$ 191.490), Jaecoo 7 (R$ 189.990) e GWM Haval H6 PHEV19 (R$ 250.000), todos posicionados em faixas de preço superiores.

A concorrência é robusta. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), três desses modelos figuram no topo da lista de híbridos mais vendidos no Brasil entre janeiro e agosto de 2026: BYD Song (45.096 emplacamentos), GWM Haval H6 (32.248 emplacamentos), Omoda 5 (32.248 emplacamentos) e Jaecoo 7 (11.772 emplacamentos).

BYD e GWM obtêm vantagem devido ao design mais original e por já produzirem no Brasil, além de oferecerem motor flex. O Leapmotor B10, contudo, não permanecerá importado indefinidamente, pois terá produção em Goiana (PE).

O Jaecoo 7 possui um visual mais característico, mas na prática, é um SUV maior e equipado como um utilitário urbano sofisticado. Em suma, o preço inferior aos concorrentes, o conforto proporcionado e o eficiente isolamento acústico superam os pontos negativos, embora para quem prefere uma abordagem mais tradicional, o BYD Song Pro adote um conceito mais direto e simples.

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A nova variante REEV do Leapmotor B10 foi introduzida para competir no segmento de SUVs médios eletrificados no Brasil. Este modelo da Stellantis é notável por ser o único em sua categoria a oferecer motorização elétrica com um extensor de autonomia, prometendo maior eficiência em comparação aos híbridos plug-in de seus concorrentes.

Seu preço de lançamento é estabelecido em R$ 179.990, um valor inferior aos de rivais eletrificados como Jaecoo 7, Geely EX5 EM-i, BYD Song Pro e Caoa Changan CS55. Contudo, além do custo, é necessário avaliar os pontos fortes e fracos do Leapmotor B10 REEV frente a esses competidores.

Vantagens competitivas e especificações

Devido ao seu lançamento posterior, a Stellantis conseguiu desenvolver o Leapmotor B10 REEV para ser competitivo desde o início. Uma evidência disso são as melhorias em relação à versão totalmente elétrica. O B10 REEV, lançado por R$ 179.990, custa R$ 10 mil a menos que o Geely EX5 EM-i Pro, o Jaecoo 7 Elite e o Caoa Changan CS55. A diferença para o BYD Song Pro GL é superior, atingindo R$ 17 mil.

Outro benefício do SUV médio da Leapmotor é apresentar-se em uma configuração única, diferentemente dos rivais que oferecem duas ou três versões, onde os modelos mais acessíveis podem ter equipamentos ou autonomia reduzidos.

Embora a rede de recarga no Brasil esteja crescendo, exigindo planejamento de rota para veículos elétricos, o sistema REEV da Leapmotor utiliza um motor a combustão exclusivamente para recarregar a bateria de tração. Isso garante que o motor opere sempre na faixa de máxima eficiência, resultando em uma autonomia combinada de 900 km no ciclo europeu WLTP.

Apesar de alguns concorrentes híbridos plug-in possuírem mais potência e torque, o Leapmotor B10 REEV demonstra superioridade em aceleração de 0 a 100 km/h, completando este trecho em 7,8 segundos. Um fator contribuinte para isso é a tração traseira, que otimiza a aplicação de força no pavimento. Adicionalmente, a Stellantis ajustou a suspensão deste SUV para o mercado brasileiro, conferindo maior firmeza e promovendo uma dirigibilidade mais segura em comparação com suspensões mais moles de outros modelos.

Esta versão singular do Leapmotor B10 REEV vem equipada com um pacote de segurança completo. Os sistemas ADAS estão no nível 2, incluindo controle de cruzeiro adaptativo com função stop and go e auxílio de permanência em faixa. Em termos de segurança passiva, ele conta com sete airbags: dois dianteiros, dois laterais dianteiros, dois de cortina e um central posicionado entre os assentos dianteiros.

As dimensões do Leapmotor B10 REEV são de 4,53 m de comprimento, 1,88 m de largura e 2,73 m de distância entre eixos, sendo maior que um Jeep Compass. No entanto, seu diâmetro de giro é de apenas 10,5 m, menor que o de um Volkswagen Polo. Isso é alcançado graças à tração traseira, que permite um maior ângulo de esterçamento das rodas dianteiras, facilitando a manobrabilidade em espaços confinados.

Pontos de atenção e limitações

Apesar da boa estratégia de preços e do eficiente conjunto motriz eletrificado, o Leapmotor B10 REEV apresenta certas deficiências. Muitas dessas falhas são consideradas características intrínsecas à sua origem chinesa ou herdadas de outros modelos da marca.

No interior, os únicos botões visíveis são os dos vidros elétricos, do volante e do pisca-alerta. Funções como ajuste de retrovisores, abertura do teto solar ou alteração da temperatura do ar-condicionado devem ser realizadas através da central multimídia. Embora esse minimalismo seja comum em carros chineses contemporâneos, a Leapmotor extrapolou esse conceito, reduzindo até a quantidade de botões no volante e permitindo que alguns mudem de função. Espera-se que futuras gerações da marca priorizem a ergonomia.

O acesso ao veículo pelo proprietário pode ocorrer de duas maneiras: primariamente, utilizando o smartphone como chave. Com o aplicativo cadastrado e o Bluetooth ativo, ele funciona como uma chave presencial, necessitando apenas pressionar o pedal do freio e inserir uma senha para ligar o carro. A segunda opção é usar um cartão NFC, que destranca o veículo ao ser aproximado do retrovisor esquerdo e inicia a ignição ao ser colocado no console. Não há uma chave presencial tradicional, o que pode ser um transtorno se o carro for compartilhado ou se o celular ficar sem bateria.

Por razões específicas do mercado chinês, os carros compactos vendidos naquele país geralmente não possuem limpador no vidro traseiro, e o Leapmotor B10 REEV compartilha essa limitação, mesmo sendo um veículo médio. Em carros com traseira inclinada, como SUVs e hatches, o fluxo de ar gera uma área de turbulência na parte traseira, acumulando sujeira ou água, o que prejudica a visibilidade sem um limpador.

A versão REEV do Leapmotor B10 é mais adequada para quem viaja frequentemente. Se o uso for predominantemente urbano e o foco for no modo puramente elétrico, esta versão pode decepcionar devido à baixa autonomia elétrica, limitada a apenas 68 km, um valor inferior ao de alguns concorrentes híbridos plug-in.

Finalmente, em relação ao design, a Leapmotor optou por um visual discreto e quase genérico, repetindo diversas tendências. Linhas arredondadas, a lanterna traseira e o DRL dianteiro integrados em uma barra horizontal, juntamente com rodas de desenho simples, fazem com que o carro passe despercebido nas ruas, seguindo o padrão de outros modelos da marca.

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