A Toyota anunciou que a Hilux equipada com célula de combustível de hidrogênio começará sua produção em 2028. Este modelo é destinado a frotas e clientes comerciais na Europa. O anúncio foi realizado durante o evento IAA Transportation 2026, que ocorreu em Hannover, na Alemanha, posicionando a fabricante japonesa na vanguarda da competição por picapes médias com esta tecnologia disponível no continente.
Os objetivos estabelecidos pela montadora incluem uma autonomia superior a 400 km no ciclo WLTP e uma capacidade de reboque de 2.500 kg, além de um tempo de reabastecimento estimado entre três e cinco minutos. É importante notar que a própria Toyota considera esses valores como metas de desenvolvimento, e não como dados já homologados; a empresa também não divulgou informações sobre a capacidade dos tanques, potência ou carga útil.
A comparação com a Hilux totalmente elétrica ilustra a razão dessa escolha tecnológica. A variante a bateria apresenta uma autonomia WLTP que varia entre 240 km e 260 km, dependendo da configuração e do mercado, consegue rebocar até 2.000 kg e necessita de aproximadamente 30 minutos em um carregador rápido para passar de 10% a 80% de carga. Essa diferença se torna significativa para frotas que operam durante todo o dia.
O sistema de propulsão utiliza a tecnologia derivada do sedã Mirai, gerando eletricidade internamente através da reação entre hidrogênio e oxigênio atmosférico, resultando apenas em vapor d'água como subproduto do escape. O primeiro protótipo desta tecnologia foi apresentado em 2022.
Em 2024, a Toyota desenvolveu dez unidades de teste no Reino Unido. Estes veículos possuíam três tanques integrados ao chassi de longarinas, uma bateria de íon-lítio localizada sob a caçamba, um motor elétrico traseiro com 182 cv e 30,6 kgfm, e uma autonomia declarada de 600 km. Embora a versão de série prometa 400 km, a marca não esclareceu a discrepância entre os números.
De acordo com levantamento do European Hydrogen Observatory de maio deste ano, existem apenas 179 pontos de hidrogênio públicos na Europa, sendo que 160 deles possuem abastecedores compatíveis com automóveis de 700 bar. Em contraste, a infraestrutura de recarga para veículos elétricos é muito mais extensa, e os veículos a célula de combustível tendem a ter um custo superior aos modelos equivalentes a bateria ou a combustão.
A picape se insere em um cenário de expansão operacional na Europa: as vendas de utilitários leves da Toyota no continente mais que dobraram nos últimos cinco anos e estão projetadas para ultrapassar 165 mil unidades em 2026, representando mais de 7% de participação. A meta futura é atingir 200 mil unidades anuais e 8% de fatia até 2030.
Não há planos de lançamento para mercados fora da Europa. No Brasil, a nona geração da Hilux está prevista para o início de 2027, fabricada em Zárate, na Argentina. Esta versão incluirá um motor 2.8 turbodiesel de 204 cv e uma opção elétrica de 196 cv com autonomia de até 380 km. A tecnologia a hidrogênio não faz parte do planejamento regional, e o país ainda carece de uma rede pública de abastecimento.


