A Leapmotor tem planos de retirar a bateria auxiliar de 12 V de seus veículos, um componente que existe nos automóveis há mais de sete décadas. Essa alteração será implementada nos modelos de nova geração da fabricante chinesa, com previsão de lançamento a partir de 2027.
A novidade foi apresentada durante o evento Leapmotor Tech Day 2026, que ocorreu nas dependências da Hu Zhou Battery, localizada em Hangzhou. A solução, denominada Cell-to-Chassis (CTC) 3.0 de Alta e Baixa Tensão, integra a alimentação de baixa tensão, atualmente fornecida por uma bateria distinta, diretamente ao sistema de tração.
Em um comunicado oficial, a empresa declarou que, quando esta tecnologia for incorporada à próxima linha de modelos, os carros serão os primeiros de produção em mais de 70 anos a dispensar uma bateria auxiliar feita de chumbo-ácido.
A principal diferença reside na maneira como a energia é distribuída: em vez de utilizar uma bateria de alta tensão para a propulsão e outra de 12 V para os demais sistemas elétricos, a CTC 3.0 cumpre ambas as funções. De acordo com a Leapmotor, a nova geração possui sete vezes mais capacidade operacional em baixa tensão que a versão anterior, o que é suficiente para suprir itens como iluminação, limpadores de para-brisa, ar-condicionado, multimídia e equipamentos de segurança.
Tanto a alta quanto a baixa tensão passarão a compartilhar as mesmas células e módulos, além de dividirem a gestão térmica e a distribuição de energia.
Um relatório anual de falhas emitido pelo ADAC, o maior clube automotivo da Europa, revelou que a bateria de partida é responsável por quase metade das chamadas de assistência rodoviária, independentemente do tipo de motorização. O clube alemão também apontou uma proporção significativa de problemas relacionados ao sistema elétrico interno em veículos elétricos.
Por ser um item sujeito a desgaste, a bateria de 12 V necessita de substituição ao longo da vida útil do carro. Ao transferir a função de baixa tensão para a bateria principal, a Leapmotor alega que essa troca periódica deixará de ser necessária. A montadora também calcula que a adoção dessa tecnologia em grande escala poderá prevenir o descarte de dezenas de milhões de baterias de chumbo-ácido anualmente, resultando em uma diminuição proporcional de resíduos.
O acrônimo CTC define o conceito: em vez de módulos estarem em uma estrutura separada, as células e módulos são integrados diretamente ao chassi. A CTC 3.0 faz parte da arquitetura LEAP 5.0, que servirá de base para futuros lançamentos da marca. A empresa ainda não especificou qual modelo será o primeiro a apresentar este sistema.
No mercado brasileiro, a Leapmotor atua desde o final de 2025 sob a estrutura da Stellantis, contando com uma rede de 36 concessionárias e oferecendo os SUVs C10, nas versões elétrica e REEV, e B10. A marca não comunicou se ou quando a nova arquitetura chegará aos modelos comercializados no país.
