Analistas indicam que a BYD necessita de expandir sua presença fabril na Europa, mas está enfrentando obstáculos significativos para encontrar locais adequados. A empresa almeja estabelecer três novas plantas de montagem de veículos e uma unidade dedicada a baterias no continente a longo prazo.
Alfredo Altavilla, consultor especializado da marca para a região e ex-executivo da Fiat Chrysler, avalia que a produção local é crucial para garantir o crescimento da companhia e para atender às futuras normativas da União Europeia. A montadora já começou suas operações na primeira fábrica europeia, localizada em Szeged, na Hungria, e planeja decidir o local da segunda unidade até o final deste ano.
Segundo Altavilla, Espanha e França surgem como as opções mais promissoras devido à simplicidade de suas situações. O fator decisivo para a escolha é o custo necessário para adaptar o espaço selecionado. Diferentemente de outras empresas chinesas que utilizam linhas de produção ociosas de fabricantes já estabelecidos, a BYD prefere adquirir, possuir integralmente e reformar uma instalação existente, em vez de construir uma nova do zero.
Adicionalmente, a empresa suspendeu indefinidamente o projeto de uma fábrica em Manisa, na Turquia, que havia sido anunciado em 2024 e projetado para produzir 150 mil veículos anualmente. Este movimento faz parte de uma tendência maior, visto que Leapmotor e Dongfeng firmaram acordos para utilizar linhas da Stellantis na Espanha e na França, respectivamente, enquanto a Geely irá produzir em uma unidade da Ford na Espanha. A Chery, por sua vez, assumiu uma antiga fábrica da Nissan no mesmo país, em parceria com um sócio local.
Altavilla relatou à Reuters que tem visitado fábricas por toda a Europa e percebe que executivos de concorrentes estão competindo pelos mesmos ativos nos aeroportos. A Itália foi considerada como alternativa secundária, mas o executivo informou que a Stellantis, sendo a principal montadora do país, não tem intenção de vender nenhuma planta, resumindo o impasse ao fato de que não se pode comprar algo que não está disponível para venda.
Essas movimentações são impulsionadas por exigências regulatórias, pois Bruxelas está elaborando as diretrizes do 'Made in Europe', incorporadas no Industrial Accelerator Act. Estas regras definem percentuais mínimos de conteúdo europeu para veículos elétricos comercializados no bloco. A proposta da Comissão Europeia exige que a montagem ocorra em um Estado-membro e que pelo menos 70% dos componentes sejam de origem europeia para que o veículo possa acessar compras públicas e certos incentivos. O texto ainda está em fase de negociação e pode entrar em vigor já no próximo ano.
A estratégia adotada na Europa espelha o modelo implementado pela BYD no Brasil. Em Camaçari, Bahia, a companhia fabrica os modelos Dolphin Mini, King e Song Pro desde 2025 sob o regime SKD, onde os carros chegam semi-montados da China, com uma capacidade inicial de 150 mil unidades por ano. Para aumentar o índice de nacionalização e diminuir a dependência de insumos importados, a fabricante está construindo instalações de estampagem, soldagem e pintura.
