Fiat introduziu o segmento de picapes leves que se tornou um dos mais vendidos no Brasil
Leia mais
AutoPapo
autopapo.com.br

Fiat introduziu o segmento de picapes leves que se tornou um dos mais vendidos no Brasil

No Brasil, a Fiat foi pioneira ao converter seu veículo de passageiros em um utilitário do tipo picape. Em 1978, a fabricante italiana adaptou o modelo 147, recém-lançado, transformando-o em uma pequena picape de serviço. É notável que este novo veículo surgiu a partir do monobloco do 147, que havia sido lançado em 1976.

Embora essa concepção não fosse inédita globalmente, sendo Henry Ford quem lançou uma picape derivada do seu veículo de passageiros Ford T em 1917, já em 1908 algumas companhias norte-americanas utilizavam a robustez do Ford T adaptando carrocerias para transporte de cargas. Contudo, a própria Ford levou nove anos para apresentar um modelo de fábrica.

No território brasileiro, após o lançamento do 147 Pick-Up, surgiu a picape Fiorino, que utilizava uma estrutura similar à da perua Panorama, mas possuía um entre-eixos superior ao do 147. Devido ao fato de o 147 ser um carro compacto, a picape derivada de seu monobloco apresentava-se desproporcional e muito curta. Por essa razão, os brasileiros apelidaram a picapinha de “Tamanquinho”, em referência ao calçado de solado de madeira. Para aumentar sua funcionalidade profissional, a Fiat recorreu à base da Panorama e lançou, em 1981, a picape renomeada como Fiorino.

A Fiorino rapidamente ganhou popularidade entre pequenas e médias empresas que buscavam um veículo ágil e econômico para o transporte de mercadorias. Esse sucesso despertou o interesse da concorrência por esse nicho de mercado. Em 1982, a Volkswagen introduziu a Saveiro, baseada na Parati, enquanto a Ford disponibilizou a Pampa, derivada do Corcel. Posteriormente, a GM entrou neste setor com a Chevy 500, utilizando como base o Chevette.

Todos esses modelos seguiam um padrão semelhante ao adotado inicialmente pela Fiat com o 147 e, depois, com a Panorama. A iniciativa pioneira da Fiat no mercado nacional, assim, começou a influenciar outras marcas, auxiliando na criação de um novo segmento no Brasil. A Fiat, contudo, continuou a desenvolver essa linha de produtos. Com o lançamento do Uno em 1984, a marca obteve um novo compacto que serviria de plataforma futura para sua picape. Mantendo o nome Fiorino, a Fiat lançou em 1988 a nova geração do utilitário, agora baseado no Uno.

O design e os componentes principais da cabine eram similares aos do compacto, o que simplificava o processo produtivo, visto que o 147 já havia sido descontinuado em 1986. Essa alteração modernizou o produto e o alinhou à nova família de compactos da companhia.

Até aquele período, a Volkswagen Saveiro detinha a liderança neste segmento de picapinhas. No entanto, a Fiat não desistiu; após o lançamento do Palio em 1996, a empresa desenvolveu uma nova picape fundamentada na estrutura do compacto recém-lançado. Com um design moderno e atraente, além de uma base mecânica resistente, apropriada para um utilitário de trabalho, a Fiat lançou a Strada em 1998.

Diferentemente do que ocorreu na transição da picape da família 147 para a do Uno, mantendo o nome Fiorino, o novo modelo recebeu uma denominação própria. A Strada também incorporou suspensão traseira com eixo rígido e feixe de molas, uma solução ideal para a capacidade de carga e resistência esperadas de um utilitário. O mercado nacional rapidamente passou a enxergar a Fiat Strada de maneira diferente, o que se refletiu diretamente nas vendas.

Mantendo a estratégia de atualizar constantemente a nova picape para o consumidor, em 1999 foi lançada uma versão com cabine estendida, atraindo um novo público para o segmento de picapinhas. Em 2001, a Fiat apresentou a versão Adventure, uma Strada aprimorada com estética inspirada em veículos off-road. Essas adições permitiram à marca ampliar o grupo de consumidores interessados em picapes de pequeno porte, impulsionando as vendas e reforçando a reputação de robustez da Strada. O veículo agradava tanto pequenos quanto médios empreendedores que o usavam como ferramenta de trabalho durante a semana, quanto como carro de lazer nos fins de semana – uma percepção que os concorrentes demoraram a compreender e replicar.

Com a diversidade de novidades e a oferta de múltiplas versões para distintos perfis, a Strada conquistou a liderança em seu segmento no início do século. A fabricante italiana não parou por aí; em 2009, lançou a Strada com cabine dupla, tornando o utilitário ainda mais apto ao uso familiar.

Outra inovação ocorreu em 2013, com a adição de uma terceira porta para facilitar o acesso ao assento traseiro. Esta porta possuía abertura invertida e dispensava a coluna central, o que otimizava significativamente a entrada dos passageiros. Neste ponto, a Strada já se configurava como uma verdadeira picape familiar, enquanto os rivais ainda lutavam para acompanhar seu ritmo de evolução.

Em 2020, a Fiat Strada já figurava entre os veículos mais vendidos no mercado brasileiro. Em mais um avanço competitivo, a Fiat lançou uma geração totalmente nova, incluindo a configuração de cabine dupla com quatro portas, elevando ainda mais a qualidade do produto. Nessa versão, a Strada equilibrava de forma ainda mais eficaz seu papel como ferramenta de trabalho e como veículo de lazer nos finais de semana. Tal sucesso foi tão grande que, em 2021, o utilitário da Fiat assumiu a liderança do mercado nacional, um posto que havia sido dominado pelos hatches por aproximadamente trinta anos, permanecendo nessa posição até 2024.

Sem dúvida, o lançamento do 147 Pickup em 1978, derivado do modelo de passageiros, foi um acerto estratégico da Fiat. Essa fórmula evoluiu ao longo das décadas até culminar na Strada, que se estabeleceu como um dos maiores êxitos comerciais da marca no Brasil, representando quase meio século de desenvolvimento das picapes leves da Fiat no mercado nacional.

Popular