Scuderia Bandeiras descarta retorno à Stock Car enquanto Lincoln Oliveira estiver à frente da categoria
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Scuderia Bandeiras descarta retorno à Stock Car enquanto Lincoln Oliveira estiver à frente da categoria

A Scuderia Bandeiras declarou que não tem intenção de retornar à Stock Car enquanto Lincoln Oliveira mantiver o controle da categoria. Atualmente, a posição é ocupada por Átila Abreu, piloto e líder da equipe, que havia deixado o campeonato na quinta etapa da temporada de 2026. Na ocasião, a equipe levou consigo nomes como Rubens Barrichello, Nelson Piquet Jr. e Rafael Suzuki.

Ao ser questionado sobre um possível retorno em 2027, Abreu afirmou categoricamente que, enquanto a gestão atual persistir, as chances são nulas. Contudo, ele indicou que um movimento significativo seria necessário para que a equipe reconsiderasse sua participação. Ele mencionou que, se a categoria fosse vendida, eles estudariam o retorno, pois possuem grande apreço pela Stock Car, considerando-a uma categoria de 47 anos e de grande porte, apesar de estar passando por um momento difícil sob a administração vigente.

Lincoln Oliveira, que é CEO da Vicar, promotora da Stock Car, e controlador do Grupo Veloci, é também pai de Gabriel Bortoleto, o único brasileiro atualmente na Fórmula 1.

A crise que motivou a saída da Bandeiras começou em 2025, quando a Stock Car introduziu uma nova geração de veículos. Os sedãs e motores V8 foram substituídos por SUVs equipados com motores turbo de quatro cilindros, parte do projeto denominado SNG01. Desde o início, a categoria enfrentou falhas recorrentes nos sistemas de motor e câmbio, o que levou ao apelido de “Stop Car” e forçou a organização a adiar uma rodada completa para solucionar os problemas. Pilotos expressaram preocupações públicas, citando riscos à sua segurança.

A resposta da Vicar moldou a relação com os competidores. Felipe Massa e Bruno Baptista receberam multas de R$ 100 mil cada por criticarem a organização após a etapa de Cascavel, violando uma cláusula contratual que proíbe comentários depreciativos sobre a categoria. Um conselho técnico da CBA chegou a confirmar irregularidades de segurança no modelo SNG01.

Para a temporada de 2026, a categoria reverteu a mudança e voltou a utilizar o motor V8 aspirado. Essa correção técnica, contudo, gerou uma disputa legal sobre quem deveria arcar com os custos. Nas equipes da Stock Car, os carros não são fabricados internamente; eles adquirem um pacote padronizado chamado Kit de Competição da Audace Tech, que pertence ao mesmo grupo da Vicar. Este padrão visa garantir a igualdade no grid, mas também torna as equipes dependentes de um único fornecedor, visto que peças e suprimentos devem ser obtidos obrigatoriamente através do sistema StockManager da Audace.

A Bandeiras adquiriu quatro kits, um para cada carro, pelo valor de R$ 1.168.449,00, com garantia contratual de uso por dez anos. O acordo previa que o projeto poderia sofrer alterações nesse período, dividindo as modificações em duas categorias. O contrato estipula que qualquer atualização deve ser custeada pela Audace, pela Vicar ou por um patrocinador, e nunca pela própria equipe. A justificativa é que a promotora define o motor e o design do carro, enquanto a equipe elabora o orçamento e busca patrocínios com base em custos previstos.

A substituição da motorização implicou mais do que apenas trocar o motor; foi necessário implementar novos chicotes, uma nova configuração de arrefecimento, um novo gerenciamento eletrônico, além de suportes e interfaces mecânicas distintas. Os custos recaíram sobre as equipes, totalizando R$ 178.807,00 por carro, o que somou R$ 715.228,00 para a Bandeiras. As notas fiscais emitidas pela Audace descreviam o item como “venda de Kit Upgrade V8”, termo que, conforme o contrato, obrigava a categoria a efetuar o pagamento.

Em 10 de junho, a 3ª Vara Cível de Cotia (SP) emitiu uma liminar que vetou a cobrança, o bloqueio do acesso ao StockManager e quaisquer sanções por inadimplência, sob pena de multa de R$ 100 mil em caso de descumprimento. Abreu confirmou que o processo não progrediu desde então, afirmando: “Processualmente, não”.

No entanto, ele refuta a ideia de que a saída se restringe ao Kit V8, reconhecendo que foi um fator, mas apontando outras razões. Segundo Abreu, o clima piorou após o litígio judicial. Ele citou dificuldades no fornecimento de peças, problemas de segurança e questões de proteção aos carros. O aspecto que ele considera mais grave é o tributário. A Bandeiras alega ter questionado a categoria sobre procedimentos que, na visão da equipe, expunham a Scuderia a riscos fiscais não respondidos. Foi essa situação que inviabilizou a continuidade devido às exigências de conformidade dos patrocinadores internacionais do time. Abreu declarou: “Não tinha mais nenhuma segurança jurídica”.

Com 19 anos de participação na Stock Car, Abreu estima que o prejuízo financeiro alcança oito dígitos. Ele relatou ter montado uma estrutura inédita no automobilismo brasileiro, investindo mais de R$ 20 milhões na formação do time, sem contar a contratação de pessoal. Ele expressou surpresa com tais ocorrências, dizendo: “Me deparar com situações dessas, eu jamais imaginei”. Ele concluiu que, apesar de ter passado por diversas administrações, a ausência de segurança jurídica, tributária e respeito pelas equipes e pilotos tornou insustentável a permanência, pois são problemas com os quais a equipe não pode compactuar.

Atualmente, a equipe está avaliando medidas judiciais. Além de contestar a cobrança, eles pleiteiam a devolução de R$ 211.817,68 já pagos pela Bandeiras e seus patrocinadores. Abreu afirmou: “A gente está em vias judiciais, buscando reparar todos os nossos direitos e tudo o que aconteceu com a gente”.

A perspectiva da organizadora difere. Em comunicado divulgado na época, a Vicar informou que a notificação da saída das equipes Bandeiras e Bandeiras Sports ocorreu somente após o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) manter, por unanimidade, as penalidades impostas pela Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA). A Vicar alegou que as punições derivaram de irregularidades técnicas encontradas em componentes homologados durante inspeções da categoria, afetando diretamente a segurança dos competidores. A empresa assegurou que todo o processo seguiu os regulamentos e garantiu o direito de defesa.

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