Estudo aponta peças mais difíceis de encontrar para carros chineses no Brasil
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Estudo aponta peças mais difíceis de encontrar para carros chineses no Brasil

Um levantamento realizado pela Autoglass, empresa especializada em vidros e peças automotivas, identificou os três grupos de veículos que apresentam as maiores dificuldades de reposição no Brasil, incluindo modelos chineses.

Este mapeamento foi conduzido utilizando o banco de dados da companhia e seu sistema de estoque inteligente, que analisa o histórico de demanda, o perfil da frota regional, a oferta de fornecedores e a chance de substituição por modelo e ano. Em certas situações, o tempo de espera pode exceder 90 dias, e o custo do reparo pode se tornar proibitivo.

A dificuldade encontrada em alguns casos está relacionada à rápida expansão das marcas e à consolidação ainda incompleta da rede de suprimentos local. Veículos como MG4, Denza B5 e Geely EX5 enfrentam entraves na aquisição de vidros, seja devido à oferta restrita ou à necessidade de identificar corretamente as peças, visto que muitas delas requerem adaptações específicas para o mercado brasileiro.

A picape BYD Shark apresenta um desafio distinto: seu formato possui pouca relevância no mercado chinês, onde picapes são sujeitas a restrições de circulação em grandes centros urbanos, o que acaba limitando o fornecimento de seus componentes.

É notável o contraste entre essas dificuldades de reposição e o volume de vendas; de janeiro a agosto deste ano, as marcas chinesas foram responsáveis por 17,8% dos emplacamentos de automóveis e comerciais leves, conforme dados da Fenabrave.

Outro grupo problemático inclui veículos descontinuados há mais de dez anos, que dependem de estoques remanescentes, processos de remanufatura ou importação sob encomenda, o que torna os prazos de reparo incertos e eleva os custos. Nesta categoria estão o Fiat Punto (fabricado entre 2008 e 2012) e o Fiat Doblò (2010 a 2021), juntamente com gerações anteriores do Volkswagen Polo (2007 a 2015) e do Golf (2008 a 2014), cujas dificuldades se concentram em componentes de iluminação.

Adicionalmente, clássicos como Chevrolet Kadett, Monza e Chevette fazem parte desse cenário. A tendência é de crescimento desse grupo, dado que a idade média dos veículos em circulação no país atingiu 11 anos em 2025, e a média dos automóveis, 11 anos e cinco meses, segundo o relatório de frota circulante do Sindipeças.

Os casos mais extremos de dificuldade de reposição envolvem veículos de alto padrão, como Ferrari SF90 Spider, Lamborghini Huracán LP 580-2 e Maserati Levante GT. Nesses casos, as peças frequentemente necessitam ser importadas e dependem de uma única concessionária autorizada no território nacional, prolongando significativamente o prazo de espera.

Modelos esportivos e utilitários de luxo, como Porsche Cayenne S Coupé e 911 GT3, também figuram nesta lista, apresentando componentes que podem demorar entre 60 e 90 dias para chegarem ao Brasil.

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