O Centro de Desmontagem Veicular (CDV), operado pela Circular AutoPeças sob gestão da Stellantis em Osasco (SP), atingiu seu primeiro aniversário de funcionamento, tendo desmontado um total de 1.150 veículos. Este volume corresponde a aproximadamente 14% da capacidade total da unidade, que foi planejada para processar até 8 mil automóveis anualmente.
Diferentemente dos ferros-velhos tradicionais, que compactam o carro inteiro como sucata, o CDV realiza o desmonte dos veículos ao final de sua vida útil componente por componente. Cada parte é catalogada com nota fiscal e subsequentemente revendida caso ainda apresente condições de uso. Esta estrutura é pioneira no tipo mantida diretamente por uma montadora na América do Sul.
A atividade segue as diretrizes da Lei 12.977/2014, conhecida como Lei do Desmonte. Esta legislação impõe às empresas do setor a necessidade de registro no Detran do estado de atuação, a emissão de nota fiscal de entrada para cada veículo e a baixa do registro do automóvel. A lei foi criada com o objetivo de combater os desmanches ilegais que forneciam peças provenientes de roubo ao mercado.
Dos 1.150 carros desmontados, foram recuperadas mais de 20 mil peças destinadas à venda, sendo que mais de 11 mil delas já foram comercializadas. Adicionalmente, no mesmo período, cerca de 862 toneladas de materiais e quase 14 mil litros de fluidos automotivos receberam o descarte adequado, incluindo mais de 4.600 litros de óleo e aproximadamente 1.830 litros de fluido de arrefecimento.
De acordo com a Stellantis, a reutilização de componentes, em contraste com a fabricação de peças novas, resulta em uma redução de até 80% no consumo de matéria-prima e diminui as emissões de CO2 em até 50%. Para o consumidor final, o benefício é financeiro, visto que peças usadas com documentação comprovada geralmente custam menos que as novas, especialmente em modelos mais antigos cujas peças originais já foram descontinuadas.
O CDV faz parte da estratégia de economia circular implementada pela Stellantis na América do Sul desde 2023, estruturada em torno dos quatro pilares conhecidos como 4Rs: remanufatura, reparo, reuso e reciclagem. Através da marca Circular AutoPeças, o catálogo de pós-venda já oferece mais de 500 itens, abrangendo peças remanufaturadas, reparadas e reutilizadas.
Outra iniciativa importante ocorre em Betim (MG), onde o Centro de Recondicionamento Veicular recondicionou mais de 500 carros em pouco mais de três anos. Além disso, existe a linha de lubrificantes Motul NGEN Circular AutoPeças, desenvolvida em parceria com a Motul e a Lwart, que utiliza óleo usado coletado durante a própria operação.
Os próximos planos da companhia envolvem aumentar a disponibilidade de peças reutilizadas e expandir os canais de venda. Contudo, o aproveitamento de componentes não é unanimidade no setor. Durante uma audiência na Câmara dos Deputados, o Sindipeças, representante dos fabricantes de autopeças, manifestou-se contra a reutilização de peças de veículos obsoletos, citando riscos tanto à segurança quanto ao meio ambiente. Por outro lado, entidades de reciclagem, como a Abcar, defendem essa prática como uma opção ambiental e econômica viável.

