Lançamento da Yamaha R2 gera debate no Brasil: potencial revolução ou risco de mercado
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Lançamento da Yamaha R2 gera debate no Brasil: potencial revolução ou risco de mercado

A Yamaha R2 foi oficialmente apresentada no mercado indiano no começo de setembro, assumindo um papel relevante como um modelo ligeiramente superior em um país conhecido por vender um grande volume de motocicletas de baixa cilindrada. No contexto brasileiro, esta nova motocicleta representaria um ponto intermediário entre os modelos R15 e R3, o que torna sua chegada — ainda não comunicada pela montadora — um evento que pode ser extremamente acertado ou um erro estratégico significativo.

Há mais de dois anos, a Yamaha introduziu a R15 no Brasil, que se consolidou como a menor esportiva disponível no território nacional. Essa decisão foi bem-sucedida, atraindo tanto entusiastas de esportivas que buscam um modelo simples e acessível quanto aqueles que estão começando no ambiente de pista.

Anteriormente, a menor esportiva da marca era a R3, um modelo considerado mais agressivo para pilotos iniciantes. Para especialistas do setor, como Seku Mello, a introdução da R2 no Brasil poderia ser vista como uma oportunidade de preencher uma lacuna existente entre os modelos, embora também pudesse gerar impactos negativos no mercado já estabelecido por essas máquinas.

No cenário asiático, a presença da R2 faz sentido, visto que o segmento de 200 e 250 cilindradas é altamente competitivo e volumoso, especialmente na Índia, onde é comum encontrar marcas oferecendo motos de 150, 160, 200 e 250 cilindradas.

Contudo, no caso específico da Yamaha, ter a R15 já presente no mercado nacional e lançar uma R2 logo em seguida configura uma situação complexa. Segundo Seku, isso poderia acabar eliminando a R15 nesse nicho de esportivas, apesar de ele reconhecer que seria bom ter mais uma opção para o consumidor brasileiro, mas prevê que a Yamaha talvez não corra esse risco no Brasil.

A alternativa mais lógica seria substituir a R15 pela R2; todavia, dado o mercado fiel à pequena esportiva de 150cc — que inclusive possui competições organizadas pela própria marca —, é mais provável que a fabricante espere alguns anos antes de lançar a nova moto de 200cc, já que a R15 ainda é relativamente recente no Brasil.

Do ponto de vista de mercado, posicionar uma esportiva de 200cc entre uma de 150cc e outra de 300cc seria, em certa medida, inovador. Essa iniciativa ajudaria a suprir as grandes disparidades de potência entre as categorias de motocicletas existentes no Brasil, adicionando mais escolhas ao mercado, o que é um aspecto positivo. Adicionalmente, a Yamaha seria a primeira grande marca a retornar com um modelo de 200cc no Brasil após mais de duas décadas.

Em contrapartida a essa visão, surge a questão do preço. Considerando que a R15 custa a partir de R$ 23.690 e a R3, R$ 37.490, a R2 estaria cotada em torno de R$ 30 mil. Mesmo sendo uma esportiva tecnologicamente avançada, essa faixa de preço ultrapassa a média nacional para motores com cilindrada inferior a 300 cm³.

Quando questionada pelo AutoPapo, a Yamaha Brasil optou por não comentar sobre a novidade. Esse silêncio era previsível, pois respeita as delimitações entre as representações de cada país. Quem aguarda a chegada da Yamaha R2 às lojas brasileiras deve estar preparado financeiramente para adquirir um modelo maior ou menor, ou, alternativamente, torcer por uma jogada inesperada da empresa japonesa.

Anunciada pela Yamaha em 4 de setembro, a R2 será entregue às concessionárias indianas em meados deste mês como modelo 2027, sendo fabricada localmente pela India Yamaha Motor. A marca a enquadra acima da R15 e alinha-a à estratégia para mercados emergentes, oferecendo três versões que atendem desde o uso cotidiano até dias de pista.

Um ponto de destaque é seu motor monocilíndrico de 204 cm³ — comercializado como 200 —, que opera com quatro tempos, comando duplo, quatro válvulas, injeção eletrônica e refrigeração líquida. Ele gera 26,1 cv e 1,9 kgfm. A Yamaha alega que essa potência é a mais alta na faixa de 126 a 200 cm³ e menciona a adoção de lubrificação semi-seca para diminuir as perdas por atrito.

O veículo possui um câmbio de seis velocidades e conta com embreagem deslizante assistida de série em todos os seus acabamentos. O quickshifter bidirecional, de terceira geração, está disponível de série apenas nas versões intermediária e topo de linha. Os recursos eletrônicos incluem acelerador eletrônico (YCC-T), controle de tração e diferentes modos de pilotagem através do sistema Yamaha Ride Control — um conjunto incomum para essa cilindrada e que, justamente, cria uma distinção em relação à R15.

Estruturalmente, o chassi é feito de aço tubular do tipo diamante, e a fabricante especifica um peso de 149 kg. Seu design mantém a identidade da linha R, caracterizada por uma carenagem compacta e estreita.

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A Nissan protocolou no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) os desenhos do N7, um sedã elétrico de grande porte que é comercializado na China. Este veículo já foi avistado em testes de rua no Brasil, apresentando uma camuflagem discreta. O registro junto ao Inpi representa o procedimento formal que geralmente precede a introdução comercial de um modelo importado.

Este carro, produzido através da joint venture Dongfeng-Nissan, possui dimensões consideráveis: 4,93 metros de comprimento, 1,89 metro de largura, 1,49 metro de altura e 2,91 metros de distância entre eixos. Essas medidas o tornam maior que o Tesla Model 3 e seu modelo irmão menor, o N6. No mercado brasileiro, ele competiria diretamente com o BYD Seal.

As cinco versões disponíveis na China utilizam tração dianteira. A versão de entrada vem equipada com bateria LFP de 58 kWh e motor de 218 cv, oferecendo autonomia entre 510 km e 540 km no ciclo CLTC. Já as versões mais potentes contam com bateria de 73 kWh e motor de 272 cv, alcançando até 635 km de autonomia e acelerando de 0 a 100 km/h em apenas 6,9 segundos. O peso total do veículo atinge 1.863 kg.

Um dos diferenciais do N7 é seu conjunto eletrônico avançado. A central multimídia possui tela de 15,6 polegadas e opera com processadores Qualcomm Snapdragon 8155 nas configurações básicas e 8295 na versão superior. O sistema de assistência ao motorista de nível 2+ é fornecido pela Momenta, incluindo recursos como navegação autônoma em rodovias e estacionamento automático. O veículo também conta com um refrigerador embutido.

Na China, o preço do N7 varia entre 119.900 e 149.900 yuans. Convertendo esses valores pelo câmbio atual, isso corresponderia a algo entre R$ 91 mil e R$ 114 mil; contudo, este cálculo não abrange impostos de importação, IPI, ICMS, custos de frete e margem de lucro.

De acordo com projeções feitas pelo AutoPapo, o Nissan N7 de entrada poderia custar cerca de R$ 220 mil, enquanto a versão topo de linha seria estimada em aproximadamente R$ 276 mil. A Nissan ainda não divulgou oficialmente o preço final nem a data exata de lançamento do modelo.

História do motor Flex: tecnologia brasileira que permitiu o uso de diferentes combustíveis
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História do motor Flex: tecnologia brasileira que permitiu o uso de diferentes combustíveis

A tecnologia Flex, desenvolvida no Brasil, permite que a maior parte dos veículos atuais utilize gasolina, etanol ou uma combinação dos dois. Este sistema foi lançado comercialmente no país em 2003.

Inicialmente, a criação dessa tecnologia serviu como resposta à desconfiança do consumidor em relação ao álcool, motivada pelas crises de fornecimento e pelas flutuações de preço do produto durante a década de 1990.

Ao oferecer ao condutor a liberdade de optar pelo combustível mais econômico no posto, o sistema rapidamente ganhou aceitação popular. Mais de duas décadas após seu lançamento, o motor Flex é visto pela indústria automobilística como uma opção para diminuir a emissão de poluentes, em paralelo aos carros elétricos.

Anteriormente, a escolha era restrita: o motorista precisava adquirir um carro projetado exclusivamente para gasolina ou outro para etanol hidratado. Devido à perda de credibilidade nos veículos movidos a álcool nos anos 90, alguns motoristas começaram a misturar os combustíveis por conta própria no tanque, prática conhecida como mistura “rabo de galo”, o que frequentemente resultava em problemas mecânicos nas oficinas.

Foi nesse cenário de dificuldades que a engenharia identificou uma oportunidade: desenvolver um motor capaz de operar com qualquer proporção de álcool e gasolina sem sofrer danos.

O professor Renato Romio, responsável pelo departamento de motores e veículos no Instituto Mauá de Tecnologia, mencionou que havia um programa anterior, o Proálcool, que estava em declínio. Ele afirmou que o surgimento dos carros Flex permitiu resgatar esse programa, garantindo a manutenção do etanol nos postos.

Embora a ideia de um carro bicombustível já existisse nos Estados Unidos, onde utilizavam um sensor de tanque sofisticado e custoso para monitorar a mistura, os engenheiros brasileiros optaram por uma abordagem mais acessível. Eles dispensaram o sensor de tanque e utilizaram a sonda lambda, uma peça já presente nos veículos e significativamente mais barata.

Posicionada no sistema de escape, a sonda lambda atua como um detector eletrônico. Em vez de analisar o conteúdo do tanque, ela examina a fumaça gerada pela combustão do combustível que sai pelo escapamento. Um software embarcado, como os sistemas desenvolvidos pela Magneti Marelli ou pela Bosch, interpreta esses dados em tempo real. Ao detectar a composição da queima de etanol e gasolina, o sistema realiza ajustes automáticos no funcionamento do motor.

Com a solução técnica estabelecida, as montadoras iniciaram uma competição para introduzir a inovação no mercado. A Volkswagen liderou o lançamento, apresentando o Gol 1.6 Total Flex em março de 2003. Posteriormente, Fiat e Chevrolet seguiram com o Palio 1.3 e o Corsa 1.8, respectivamente, utilizando a mesma tecnologia, marcando o início da era dos carros Flex no Brasil.

Uma vantagem crucial do veículo Flex é a possibilidade de manter o etanol puro disponível nos postos. Segundo o engenheiro Renato Romio, o diferencial brasileiro reside não apenas na tecnologia Flex, mas na oferta de etanol hidratado nos postos, algo que outros países não possuem.

A implementação do motor Flex exigiu que os engenheiros resolvessem questões práticas para aumentar a longevidade e facilitar o uso dos carros. O primeiro obstáculo foi a resistência dos materiais, pois o etanol provoca corrosão em metais comuns. Por isso, os fabricantes passaram a empregar componentes mais robustos na construção dos motores.

Outro problema era o sistema de partida a frio, necessário porque o etanol requer mais calor para queimar que a gasolina. Os carros Flex vinham equipados com um pequeno reservatório de gasolina sob o capô para injetar um pouco desse combustível nos dias frios, auxiliando na ignição. Com o avanço da engenharia, foram criados sistemas que aquecem o combustível antes da queima ou o injetam sob alta pressão diretamente no motor, eliminando a necessidade deste auxílio.

Atualmente, a tecnologia Flex está integrada ao movimento de transição energética junto aos veículos elétricos, começando pelos carros híbridos Flex, que combinam motor elétrico e motor a combustão. Nesses modelos, a bateria auxilia em momentos de menor demanda energética, enquanto o motor a etanol assume quando maior potência ou autonomia é necessária, resultando em veículos eficientes e com baixa poluição.

O próximo estágio envolve a conversão do etanol em eletricidade. Pesquisadores brasileiros desenvolveram o microrreformador, um componente que extrai o etanol do tanque e o converte em gás hidrogênio dentro do próprio veículo. Esse hidrogênio, então, passa por uma reação química que gera a energia elétrica para carregar a bateria e movimentar o automóvel, permitindo que o motorista abasteça com etanol e dirija um veículo elétrico.

O professor do Instituto Mauá considera que o veículo elétrico a bateria representa o futuro, mas reconhece a importância do etanol como uma fonte viável para uso prolongado até que os veículos a bateria atinjam a aplicação em larga escala.

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