Um material semelhante à espuma metálica é capaz de reduzir significativamente o risco de colisões frontais sem aumentar o peso total do veículo. Isso foi relatado por uma pesquisa realizada pela Universidade Estadual da Carolina do Norte nos EUA e publicada no Journal of Composites Science, informação notada pelo site Inovação Tecnológica.
Os pesquisadores modelaram acidentes substituindo os longarinas dianteiras — vigas localizadas atrás do para-choque e projetadas para absorver o impacto — por tubos de alumínio com núcleo de pó metálico. Em uma colisão a 88 km/h, esta peça reduziu a desaceleração máxima experimentada pelo veículo em cerca de 84% em comparação com a longarina de aço retangular amplamente utilizada na maioria dos carros.
Embora possa parecer ilógico, os ferimentos em colisões são causados não tanto pela força do impacto, mas pela velocidade de parada do corpo. É por isso que as longarinas são projetadas para se deformarem de maneira controlada: quanto mais lenta for a desaceleração, menor será o dano aos passageiros.
Neste caso, a espuma metálica demonstrou melhores resultados. O índice de lesão na cabeça, que avalia a probabilidade de traumatismo cranioencefálico grave, diminuiu em cerca de 83% em comparação com a longarina retangular e em 45% em comparação com um design de alumínio octogonal de seção dupla. Na prática, isso significa que o veículo poderia viajar 32% a 48% mais rápido antes de atingir limites críticos.
A espuma metálica, ou CMF (Composite Metal Foam), é feita de pequenas esferas de aço ocas imersas em uma matriz metálica. O resultado é um material leve e resistente, ideal para absorção de compressão. Ele já está sendo estudado para uso em coletes à prova de balas, asas de aeronaves e coletes balísticos.
A Professora Afsaneh Rabiei, coautora do trabalho junto com Aman Kaushik, enfatizou que todos os comparativos utilizaram peças de peso e comprimento iguais. Assim, o aumento da segurança não implica custos adicionais em termos de consumo de combustível. Ela também observou que é possível até reduzir o comprimento dessas peças.
Como a espuma metálica resiste bem ao calor e ao fogo, os autores sugerem seu uso em veículos elétricos, especialmente em estruturas de proteção de baterias. Deve-se lembrar que os resultados obtidos são baseados em modelos computacionais, e não em testes físicos.
Algumas décadas atrás, os para-choques eram feitos de aço: eles protegiam a carroceria, mas mal absorviam energia — os passageiros pagavam por isso. Isso impulsionou a indústria a mudar para o polipropileno. Agora, o metal ameaça retornar, mas em uma forma diferente.
