Milad Kalume Neto, engenheiro mecânico com quase 23 anos de experiência na Jato Dynamics do Brasil, consultoria focada na coleta e análise de dados de emplacamentos, preços e especificações veiculares em mais de 55 nações, fundou sua própria consultoria em 2025.
Em parceria com Máia Màrtins, ele estabeleceu a K.LUME Consultoria, uma empresa dedicada a fornecer análises estratégicas e informações cruciais para diversos setores ligados à indústria automotiva, incluindo fabricantes, concessionárias, comerciantes e locadoras.
Em um artigo recente, Kalume levantou pontos relevantes sobre o rápido avanço de 16 marcas chinesas no mercado brasileiro, embora outras fontes sugiram que esse número possa atingir 18 ou até 19, abrangendo submarcas que cobrem praticamente todos os nichos do mercado nacional.
Ele observou que apenas as picapes compactas, como Strada, Saveiro e Montana, ainda não sofrem competição direta. Kalume ressaltou a importância de que os carros chineses, apesar de venderem bem, precisem demonstrar boa durabilidade ao longo do tempo.
Desafios impostos pela concorrência global
O especialista alertou sobre a intensa guerra de preços que ocorre na China, impulsionada pelo excedente de capacidade produtiva. Essa situação levou o governo central chinês, descrito como não democrático, a determinar a exportação a qualquer custo, gerando uma pressão significativa sobre as marcas já estabelecidas no Brasil.
Kalume delineou três possíveis cenários para o período entre 2026 e 2032. O primeiro cenário, que já está em andamento, mostra um aumento acelerado da participação das empresas chinesas. No segundo, algumas marcas conseguem se firmar, enquanto outras acabam ficando marginais ou abandonam o mercado brasileiro. O terceiro cenário prevê uma possível redução em certas operações.
Projeção de mercado
Na perspectiva da K.LUME, o cenário central indica que a presença de marcas com origem chinesa poderá representar entre 33% e 36% do volume de vendas no Brasil até 2032, o que equivale a cerca de um veículo a cada três vendidos. Assim, a questão primordial, segundo o especialista, não será o número total de marcas chinesas que entrarão no país, mas sim quantas delas conseguirão manter sua presença, crescer e converter vendas em lealdade duradoura.
