Um erro comum na manutenção veicular é a desatenção quanto à calibração correta dos pneus. Visto que os pneus são os únicos pontos de contato do carro com a pista, manter a pressão adequada, conforme especificado pelos fabricantes, influencia diretamente no consumo de combustível, no nível de conforto durante a condução e na longevidade dos componentes da suspensão.
É fundamental que o proprietário realize uma verificação semanal da pressão, respeitando a calibragem recomendada pelo fabricante. Essas orientações podem ser encontradas no manual do proprietário, ou em locais como o interior da tampa do bocal de combustível ou na porta do motorista. A pressão ideal varia dependendo do peso do veículo, sendo necessário conferir os valores tanto para o carro vazio quanto para o cheio.
Alguns modelos oferecem uma opção de economia de combustível, frequentemente denominada 'eco', que geralmente corresponde ao valor de pressão mais elevado indicado pelo fabricante. Mesmo sendo um valor superior, ele permanece dentro dos parâmetros homologados. Contudo, é preciso salientar que dirigir com os pneus no limite máximo de pressão estabelecido pelo fabricante comprometerá o conforto de rodagem.
Os valores de calibração são determinados por estudos que consideram o sistema de suspensão, as rodas e outras variáveis para otimizar o desempenho dinâmico do automóvel e garantir aspectos de segurança, como o escoamento de água.
Pneus com pressões fora das especificações do fabricante apresentam desgaste irregular. Por exemplo, pneus com baixa pressão tendem a desgastar-se mais nas laterais da banda de rodagem, enquanto aqueles com pressão excessiva concentram o desgaste na área central.
Portanto, o motorista deve evitar a tentação de adicionar pressão extra na esperança de melhorar o consumo. Além do desgaste desigual, pneus com sobrepressão ficam mais vulneráveis a furos, estouros e formação de bolhas.
O desgaste irregular constitui uma infração de trânsito, pois o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) exige que a banda de rodagem possua, no mínimo, 1,6 mm de profundidade. O CTB prevê penalidades para quem dirige com pneus lisos, mesmo que o desgaste não seja uniforme, citando o Art. 230, inciso VIII, que trata de conduzir o veículo em mau estado de conservação, comprometendo a segurança.
A verificação da calibração deve ser feita com os pneus frios, em um posto localizado a, no máximo, 2 km do ponto de origem do consumidor. O estepe também necessita ser inspecionado e calibrado, devendo-se considerar uma pressão até 5 psi superior à dos demais pneus para este componente reserva.
