Uma análise abrangente, que analisou dados de mais de meio milhão de veículos elétricos em operação, revelou que as baterias desses automóveis conseguem preservar entre 87% e 94% de sua capacidade original ao atingir a marca de 150 mil quilômetros.
Este levantamento foi conduzido pela Aviloo, uma companhia austríaca especializada em diagnósticos de baterias, e envolveu a comparação de 20 modelos distintos de diversos fabricantes, fabricados no período compreendido entre 2022 e 2026.
Os indicadores intermediários demonstram que o processo de deterioração ocorre mais lentamente do que o senso comum sugere. Especificamente, aos 50 mil quilômetros, a média do estado de saúde das baterias, medida pelo indicador SoH (state of health), situou-se entre 91% e 97%. Ao alcançar os 100 mil quilômetros, este intervalo reduziu-se apenas para a faixa de 88% a 95%.
De acordo com a Aviloo, a degradação segue um padrão característico em formato de 'S': há uma perda moderada nos primeiros anos de uso, seguida por um longo período de estabilidade, e somente uma queda mais acentuada próxima ao final da vida útil do componente.
Ao analisar os resultados por modelo específico, o Mercedes EQA obteve a melhor colocação, apresentando uma média de 94% de SoH. Ele foi seguido pelo Hyundai Ioniq 5 (com 93,8%) e pelo BMW i4 (com 93,6%). Na extremidade inferior da classificação, encontram-se o Tesla Model 3 (88,9%), o Mini Cooper SE (87,1%) e o Nissan Leaf (86,7%).
A empresa responsável ressalta que a posição na tabela não deve ser interpretada como um indicativo de qualidade geral do veículo. Veículos equipados com baterias de menor capacidade necessitam realizar mais ciclos de recarga para cobrir a mesma distância, o que acaba acelerando o desgaste. Além disso, a variação entre unidades do mesmo modelo é considerável: no Leaf de segunda geração, a diferença de SoH aos 150 mil quilômetros chegou a 13,5 pontos percentuais, o que equivale a aproximadamente 29 km de autonomia real por recarga.
O Tesla Model Y registrou uma dispersão de até 11 pontos, o Volkswagen ID.4 apresentou uma variação entre 11 e 12 pontos, e o Ioniq 5 ultrapassou os 12 pontos de dispersão.
Os pesquisadores identificaram três elementos cruciais que influenciam a durabilidade da bateria: a temperatura ambiente, os padrões de recarga adotados e o nível de carga mantido quando o veículo permanece parado por longos períodos. É importante notar que baterias utilizadas em climas mais quentes sofrem uma perda de capacidade mais rápida, um aspecto particularmente relevante para o clima brasileiro.
Como recomendação do estudo, sugere-se manter o veículo carregado entre 30% e 70% durante períodos extensos de inatividade, evitando deixar o carro estacionado em níveis de 80%, 90% ou 100% desnecessariamente.
Na aplicação prática, a retenção de capacidade observada impacta diretamente a autonomia de um carro usado. Por exemplo, um BMW iX3 homologado para 698 km no ciclo EPA norte-americano entregaria entre 607 km e 656 km após percorrer 150 mil quilômetros.
Adicionalmente, o estudo correlaciona substituições de baterias realizadas precocemente a falhas específicas, e não ao desgaste natural. No contexto brasileiro, a bateria frequentemente possui uma garantia própria e mais extensa que o restante do automóvel; a BYD, por exemplo, oferece oito anos ou 200 mil km com garantia de SoH superior a 70%, enquanto a Volvo garante por oito anos ou 160 mil km. Tais dados da Aviloo ajudam a mitigar o receio de ter que substituir a bateria por um valor próximo a R$ 127.500 poucos anos após a aquisição.
