Na África do Sul, as plataformas de streaming, incluindo a Netflix, podem enfrentar novos requisitos regulatórios, à medida que a Autoridade Independente de Comunicações da África do Sul (ICASA) estuda o impacto dos serviços OTT nos setores de telecomunicações e radiodifusão do país.
O escritório de advocacia Webber Wentzel observa que o regulador de comunicações está analisando como os serviços OTT se encaixam na estrutura regulatória existente do país, o que pode levar a mudanças significativas para as plataformas.
Anteriormente, o IOL relatou que os sul-africanos podem ter alteradas as formas de acesso ou pagamento de serviços populares, como Netflix e WhatsApp, devido à crescente influência das plataformas de internet nas indústrias de telecomunicações e radiodifusão.
A ICASA iniciou investigações de mercado sobre serviços OTT que abrangem plataformas de streaming e de mensagens, e também está examinando questões de acessibilidade dos serviços de telecomunicações.
Novos requisitos de conformidade
De acordo com o escritório de advocacia, esta investigação pode exigir que esses serviços sejam incluídos no sistema de licenciamento de comunicações da África do Sul, o que acarretará novas obrigações de conformidade para as plataformas operantes no país.
O escritório enfatizou que há uma probabilidade de os provedores de serviços OTT caírem sob o escopo do licenciamento de comunicações sul-africano — um cenário discutido em projetos de política ao longo de vários anos.
As plataformas que fornecem serviços de voz, mensagens, streaming de vídeo ou outros através da internet frequentemente operam sem licenças locais e, dependendo dos resultados da investigação, podem enfrentar novos requisitos de conformidade.
Além disso, a investigação pode ter implicações para questões relativas a obrigações de conteúdo, alocação de espectro e numeração, bem como contribuições regulatórias.
Impacto nas emissoras
A Webber Wentzel acredita que a investigação pode ter um impacto significativo no ambiente competitivo para os licenciados de radiodifusão. Os serviços de streaming competem com as emissoras tradicionais por audiência e receitas de publicidade, e a ICASA pode considerar aplicar-lhes requisitos semelhantes aos exigidos dos emissores licenciados.
Esses requisitos podem incluir cotas de conteúdo local e obrigações de transmissão (must-carry obligations) para plataformas de streaming estrangeiras, como Netflix, Disney+ e Prime Video.
O escritório observou que as potenciais consequências para os licenciados de radiodifusão são igualmente grandes. Como as plataformas de streaming lutam por espectadores e receitas publicitárias, a investigação pode determinar o grau de sua submissão a requisitos comparáveis aos aplicados a emissores licenciados, como cotas de conteúdo local ou obrigações de transmissão.
Qualquer movimento em direção a uma maior paridade regulatória pode influenciar significativamente o cenário competitivo.
Na África do Sul, as obrigações de transmissão exigem que certas emissoras de televisão paga exibam canais de serviço público designados.
Empresas de telecomunicações e o debate sobre a 'quota justa'
A investigação também dará às empresas de telecomunicações a oportunidade de expressar preocupações sobre a abordagem regulatória aos serviços OTT em comparação com os provedores licenciados.
A Webber Wentzel prevê que o tema das relações entre os provedores de OTT e as redes por onde seus serviços são transmitidos figurará nos documentos apresentados, o que é frequentemente chamado de debate sobre 'quota justa' (fair share).
Este debate se concentra na questão de se as grandes plataformas OTT devem contribuir para cobrir os custos da infraestrutura de telecomunicações utilizada para fornecer seus serviços.


