A Honda alcançou o patamar máximo de cinco estrelas na categoria de produtos e serviços do Índice de Segurança Viária da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), tornando-se a primeira empresa mundial a obter tal reconhecimento. Este feito foi formalmente concedido durante o Grande Prêmio da Itália de Fórmula 1, realizado em Monza, no último final de semana.
Este índice, estabelecido em 2022, possui um foco diferente dos testes tradicionais de veículos; ele avalia as empresas. A ferramenta possibilita que tanto companhias quanto entidades públicas calculem sua própria 'pegada de segurança viária', mensurando o número de fatalidades e lesões graves ligadas às suas operações e cadeias de valor, seguindo uma lógica similar à contabilidade de emissões de carbono.
A criação deste índice foi uma resposta direta à Declaração de Estocolmo de 2020, que solicitava maior participação do setor privado no cumprimento das metas globais de trânsito. Diferentemente de programas como Latin NCAP e Euro NCAP, que testam modelos específicos contra barreiras e utilizam manequins, o índice da FIA realiza uma auditoria na gestão corporativa da empresa.
Essa auditoria verifica se a organização mede o problema, elabora planos de ação, acompanha os resultados e mantém uma cultura interna de segurança, alimentando assim relatórios de governança e sustentabilidade. As cinco estrelas não atestam que um veículo Honda é superior a um concorrente em um choque frontal, mas sim que a gestão de segurança viária da marca atingiu o mais alto nível metodológico.
O sistema opera através de duas vertentes: uma focada na cadeia de suprimentos e outra dedicada a produtos e serviços, sendo esta última a área onde a empresa japonesa obteve a pontuação máxima. A metodologia foi expandida este ano, passando de três para cinco estrelas, adicionando aos pilares originais — comprometimento e pegada de segurança — os elementos de planejamento, monitoramento de desempenho e gestão da cultura de segurança.
Para se adequar a essa nova estrutura, a Honda estendeu sua auditoria para 17 países, incluindo o Brasil, mercado que representa mais de 90% das vendas globais de carros e motocicletas da companhia. Em fevereiro de 2025, quando o limite ainda era de três estrelas, a montadora já havia conquistado a nota máxima, mas com escopo limitado à operação japonesa. Naquela ocasião, o anúncio da FIA também incluiu outras nove empresas, como Amazon, Scania, Shell, Uber e Waymo.
A avaliação específica ressaltou o engajamento da alta administração na estratégia, o monitoramento global de vítimas em acidentes e a transparência na divulgação de dados. O compromisso público da Honda é reduzir pela metade, até 2030, as mortes em colisões envolvendo seus veículos, calculando a proporção por cada dez mil unidades vendidas, tomando 2020 como referência. A meta subsequente é eliminar completamente essas mortes até 2050. Mohammed Ben Sulayem, presidente da FIA, enfatizou que o progresso depende de ações coordenadas nos âmbitos público e privado, defendendo que os governos integrem essa metodologia em seus marcos regulatórios.
