O Festival Interlagos consolidou seu sucesso com o formato dinâmico, sendo classificado pela própria organização como o maior evento mundial focado em experimentação em autódromos. A estrutura do festival foi ampliada, incluindo um novo pavilhão de 15.000 m² e um centro de convenções, além das áreas VIP tradicionais.
O evento contou com a presença de 32 marcas, sendo 14 delas chinesas. Algumas empresas que não participaram incluíram Audi, Caoa Chery, Chevrolet, Citroën, Nissan e Mercedes-Benz. A Volkswagen estabeleceu uma parceria com o Mercado Livre em um estande dedicado, enquanto a Chery apresentou outros veículos de seu grupo, como iCaur, Jetour e Omoda & Jaecoo.
A seguradora Suhai foi a patrocinadora do festival. Em três dias de realização, o evento atraiu 215 mil visitantes e possibilitou 15,2 mil testes na pista, que consistiram em duas ou três voltas com acompanhamento de um instrutor. Foram apresentados um total de 36 lançamentos e demonstrações, abrangendo novos modelos, versões, pré-lançamentos e produtos inéditos para o público brasileiro.
Novidades de Marcas Globais
A BMW expôs o iX3, um SUV compacto equipado com dois motores elétricos, gerando 469 cv e 65,8 kgf·m combinados, com chegada prevista às concessionárias para o dia 24. A Ford confirmou a disponibilidade da picape F150 Raptor, com 450 cv e 70 kgf·m, no primeiro trimestre de 2027.
Entre as novidades vindas da China, destacou-se a Dongfeng, que atuará como DFM e planeja lançar dez modelos até 2028, possuindo planos de produção local. Já a GAC apresentou o GS9, um SUV grande e híbrido plugável, oferecendo 500 cv e 62,5 kgf·m pelo valor de R$ 399.990.
A IM Motors, marca de luxo da MG, exibiu o IM6, um SUV cupê grande e elétrico, potente com 767 cv e 81,7 kgf·m, atingindo 0 a 100 km/h em 3,5 segundos. Também foi mostrado o Jaecco 8, outro SUV grande de sete lugares, híbrido plugável, com 605 cv e 66 kgf·m, estimado em torno de R$ 300.000. A Baic teve o elétrico Arcfox T1 em pré-venda para o próximo mês, com preço estimado em R$ 150.000, e o T5 previsto para 2027. O Omoda E5, outro modelo chinês elétrico, terá uma versão de entrada custando cerca de R$ 150 mil.
BYD Geely, com produção nacional do EX5 EM-i na fábrica da Renault no Paraná, exibiu as versões customizadas EX2 Street e Track. O Kwid 2027 foi apresentado com redesenho de grade e para-choque, além de ofertas promocionais. Abarth, pertencente ao Grupo Stellantis, mostrou o Pulse Scorpioníssima, ainda em fase de estudo de mercado. Por fim, a BYD exibiu a Mako, um protótipo de picape intermediária com foco urbano e motorização híbrida plugável flex, destinada à produção em Camaçari (BA), competindo em preço com Toro, Rampage, Maverick e futuras Niagara e Tukan.
Percepção do Consumidor Brasileiro sobre Inteligência Artificial
O interesse do consumidor brasileiro em incorporar inteligência artificial (IA) na escolha de um veículo já é uma realidade, embora haja cautela em relação ao controle total do automóvel. Um levantamento conduzido pela Webmotors Autoinsights, envolvendo 1.600 usuários da plataforma, revelou que 51% dos entrevistados manifestam interesse em carros com recursos de IA (sendo 22% muito interessados e 29% interessados).
No entanto, a aceitação cai drasticamente quando se trata de direção 100% autônoma, sem qualquer intervenção humana, com apenas 12% afirmando confiar plenamente nessa capacidade. Os dados indicam que a IA é vista primariamente como um auxiliar de condução, e não como um substituto completo do motorista. Enquanto 60% aceitariam o auxílio da tecnologia em funções de navegação e ajustes internos, 37% aprovariam seu uso em sistemas de segurança ativa, como frenagem autônoma de emergência e alertas de colisão, relegando a direção automática completa a um segundo plano.
Em termos de funcionalidades mais desejadas, a ordem de prioridade foi: alertas de colisão/segurança (45%), diagnóstico mecânico preventivo (44%), rotas inteligentes (34%) e direção totalmente autônoma (apenas 10%). Apesar disso, o conceito de IA já está bem assimilado pelo público: 54% entendem bem ou já utilizam ferramentas de IA, 30% conhecem o tema, e apenas 8% declaram desconhecimento.
Apesar da alta aceitação teórica, o custo permanece como um obstáculo significativo, visto que 57% dos respondentes afirmaram que não pagariam um valor extra por IA no carro. Dos que estão dispostos a investir, 20% aceitariam um acréscimo de até 5% sobre o preço original do veículo. Eduardo Jurcevic, CEO da Webmotors, concluiu que a IA deixou de ser uma tecnologia futura para se tornar uma expectativa de item padrão, pois o consumidor a valoriza junto com segurança, praticidade e previsibilidade mecânica, vendo-a como parte da evolução automotiva, e não como um acessório pago à parte.
