Capacidade solar da China ultrapassa a do carvão pela primeira vez na história
Leia mais
AutoPapo
autopapo.com.br

Capacidade solar da China ultrapassa a do carvão pela primeira vez na história

A capacidade instalada de energia solar na China superou a das usinas movidas a carvão pela primeira vez na história. De acordo com a Administração Nacional de Energia (NEA), o parque fotovoltaico chinês atingiu 1.286 GW no final de julho, em comparação com os 1.285 GW das termelétricas a carvão. Com esse feito, a energia solar passou a representar 31,5% de toda a capacidade de geração do país, tornando-se a principal fonte da matriz elétrica chinesa em termos de potência nominal.

Deste total fotovoltaico, 704 GW estão localizados em usinas centralizadas e 582 GW em geração distribuída, que são sistemas menores instalados próximos aos locais de consumo. É relevante notar que a capacidade solar chinesa é aproximadamente cinco vezes superior ao parque gerador brasileiro total, que soma cerca de 260 GW, incluindo a geração distribuída, conforme dados da Absolar.

É importante esclarecer que este marco refere-se à capacidade instalada, e não à produção real de eletricidade. A capacidade indica o potencial máximo de geração em condições ideais, enquanto a produção efetiva depende do tempo de operação de cada usina. A geração solar é restrita pela luminosidade e pelo clima, ao passo que as termelétricas a carvão operam por períodos mais extensos e com maior previsibilidade.

No primeiro semestre, o carvão foi responsável pela geração de aproximadamente 2,5 trilhões de kWh, correspondendo a 49,7% da eletricidade chinesa, marcando a primeira vez que essa fonte ficou abaixo de 50% em um semestre. As fontes renováveis contribuíram com 41,2% da geração, sendo que a soma de solar e eólica alcançou 24,6%, ou mais de 1,2 trilhão de kWh. Entre janeiro e julho, a geração solar registrou um aumento de 15,5%, totalizando 802,4 bilhões de kWh, o que equivale a um oitavo dos quilowatt-hora produzidos no país.

Ao comparar com o Brasil, observam-se diferenças significativas nos pontos de partida. O Brasil começou 2026 com 215,9 GW de potência instalada em usinas centralizadas, sendo que 84,63% dessas fontes são renováveis, segundo o SIGA da Aneel. O carvão mineral representa apenas 1,4% da matriz elétrica brasileira, um valor muito inferior a quase um terço da capacidade chinesa. No cenário brasileiro, a hidroeletricidade lidera com 42,4%, e a solar ocupa a segunda posição com 24,5% e 63,7 GW instalados, segundo a Absolar, apresentando uma participação percentual próxima à chinesa, mas em escala muito menor.

Somente nos primeiros sete meses de 2026, a China adicionou 85,65 GW de capacidade solar, um volume superior ao parque fotovoltaico total instalado no Brasil até o momento. A expansão chinesa mantém-se robusta, mesmo após a alteração nas regras de remuneração do setor, que submeteu os novos projetos às condições de mercado. No primeiro semestre, foram adicionados 72,1 GW, o que representa uma redução de 66% em comparação com o mesmo período de 2025, segundo informações da imprensa chinesa. Esse avanço ocorre em meio a uma demanda crescente: o consumo de eletricidade aumentou 5,3% no semestre, chegando a quase 5,1 trilhões de kWh, impulsionado pela indústria de alta tecnologia e pela recarga de veículos elétricos, visto que na China ainda há uma dependência de carvão em quase metade da rede elétrica.

Popular