A Comissão de Concorrência apresentou pela primeira vez dados concretos sobre o quanto as empresas em áreas rurais e assentamentos da África do Sul estão excluídas do comércio varejista online. As principais razões para essa exclusão foram apontadas como informalidade, falta de capacidades necessárias e infraestrutura fraca.
Estas conclusões estão contidas no primeiro relatório da Comissão de Economia Rural e Assentamentos, apresentado na quinta-feira na abertura da 20ª conferência anual sobre lei da concorrência, economia e política em Melrose Arch, Joanesburgo. A pesquisa baseou-se em duas inquéritos nacionais – um inquérito empresarial e um inquérito ao consumidor – realizados para a Comissão pela empresa de investigação RedFlank.
Apenas 11% das empresas em assentamentos e 9% nas cidades rurais utilizam marketplaces online para vendas. Além disso, apenas 11% das empresas em assentamentos e 6% nas áreas rurais possuem seus próprios sites de comércio eletrónico. Em contraste, cerca de metade – 51% nos assentamentos e 48% nas cidades rurais – ainda dependem de vendas em lojas físicas.
A disparidade também é notável em termos de procura: os clientes online representam 7% de cobertura para empresas em assentamentos e 5% nas cidades rurais, sendo que a grande maioria dos inquiridos indica que os residentes locais são o seu mercado principal, e muitas vezes único.
Razões para a ausência de vendas online
Quando a Comissão perguntou aos proprietários de negócios sobre os motivos para recusarem o comércio online, o problema do registo foi o mais citado: quase um quarto afirmou que o seu negócio não cumpre os requisitos ou não está registado (24% nos assentamentos, 23% nas cidades rurais). Além disso, dezassete por cento das empresas em assentamentos consideraram que as vendas online não são um canal de vendas adequado, tal como cerca de 20% das empresas independentes em áreas rurais. Outras razões incluíram conhecimento limitado sobre como vender online (15% nos assentamentos e 19% nas áreas rurais) e falta de infraestrutura necessária para suportar vendas online (15% e 20%, respetivamente).
A Comissão considera estas respostas como prova de que as barreiras para as vendas online estão «intimamente ligadas à informalidade, capacidades e infraestrutura». É notável que, nos assentamentos, o segundo obstáculo mais significativo não é a exclusão, mas sim a opinião de que o online é um canal inadequado, o que parece pouco harmonioso com o argumento mais amplo do relatório sobre a procura oculta.
Restrições estruturais
O relatório liga as restrições estruturais à investigação da Comissão sobre o mercado de plataformas intermediárias online, que exigiu que a Takealot separasse suas divisões de varejo e marketplace. Afirma que as regras das plataformas, classificações de pesquisa, comissões e taxas acabam por determinar se os pequenos vendedores podem competir online, alertando que a intermediação online só pode dar acesso «se as condições da plataforma garantirem uma participação justa dos pequenos vendedores». Este argumento é retirado de uma investigação anterior, e não dos novos dados da sondagem.
É crucial para o setor que a Comissão declarou que não se limitará apenas a investigações. Ela conclui que a resposta adequada não é uma intervenção isolada, mas sim uma combinação de defesa da concorrência, coordenação das partes interessadas, potencial investigação aprofundada e, se necessário, auditoria. A Comissária Doris Tsepe sublinhou que as apostas dizem respeito a quem tem o direito de participar na economia principal: a desigualdade só diminuirá se os residentes dos assentamentos e áreas rurais participarem ativamente na chamada economia Kashi e puderem «expandir-se para participar nos centros comerciais formais e compras online da classe média sul-africana».
Os atores privados já procuram aproveitar esta oportunidade, por exemplo, através da iniciativa Shop2Shop para converter dinheiro em formato digital no setor de *spaza* ou do movimento da Shoprite em direção ao comércio eletrónico B2B. O relatório observa que o baixo nível de adoção reflete procura oculta, e não desinteresse: muitas empresas inquiridas afirmaram que começariam a vender online ou passariam para o retalho formal se as barreiras fossem reduzidas.
