John Ternus, novo CEO da Apple, anuncia grande lançamento e planos futuros em memorando aos funcionários
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John Ternus, novo CEO da Apple, anuncia grande lançamento e planos futuros em memorando aos funcionários

John Ternus, que recentemente assumiu a liderança da Apple, divulgou seu primeiro memorando para os colaboradores. Nesta comunicação, ele manifestou agradecimento a Tim Cook pela transição, ressaltou o legado do antecessor e revelou que a companhia está preparando um lançamento significativo para a semana seguinte.

O novo CEO também abordou os produtos que estão em fase de desenvolvimento, mencionando projetos que, segundo ele, ainda não haviam sido concebidos. Ternus expressou grande entusiasmo em colaborar com as equipes da Apple para moldar o futuro da empresa.

Ao iniciar sua jornada, Ternus agradeceu as mensagens recebidas dos funcionários. Em seguida, dirigiu-se a Cook, reconhecendo o compartilhamento de conhecimento e experiência durante a mudança de gestão. O novo líder também valorizou a maneira como seu antecessor conduziu a Apple ao longo dos anos.

Ele afirmou: «Somos muito sortudos por termos tido um CEO que liderou com seus valores e com tanta decência e humanidade.» Para Ternus, essa liderança foi benéfica para a organização. Além disso, ele agradeceu o trabalho de Cook e demonstrou satisfação com a permanência deste como presidente executivo do conselho.

Um dos primeiros eventos importantes sob a nova administração está agendado para a próxima semana. Ternus declarou: «Temos um grande lançamento na próxima semana que será fenomenal.» Esta declaração se refere ao evento especial denominado «Surprise and shine», e ele agradeceu às equipes envolvidas na preparação desse lançamento.

O executivo não se limitou ao que está por vir; ele também demonstrou grande interesse nos projetos atuais e nas ideias ainda incipientes. Ternus enfatizou que esses novos produtos serão fruto de um esforço colaborativo das equipes da Apple, concluindo a mensagem afirmando que não desejaria construir o futuro com nenhuma outra equipe.

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Após quinze anos à frente da empresa, que se transformou de uma entidade avaliada em US$ 350 bilhões em um gigante com capitalização de mercado superior a US$ 4,5 trilhões, Tim Cook passará o bastão para John Ternus, chefe do departamento de hardware da Apple. Ternus liderará a empresa na era da inteligência artificial.

Cook se tornará presidente executivo em 1º de setembro, onde supervisionará a interação da Apple com políticos em meio às tensas relações entre seu mercado doméstico nos EUA e a China, onde é produzida uma parte significativa dos produtos da empresa. Esta transição marca o fim de um dos períodos de liderança mais significativos.

Ao contrário do gênio no design de produtos que caracterizou Steve Jobs, Cook obteve sucesso tornando a cadeia de suprimentos da Apple um modelo a ser seguido por todos os fabricantes. Como CEO, ele utilizou essa abordagem orientada para as operações para tornar os produtos avançados da Apple acessíveis ao público em geral.

Um exemplo de sua perspicácia de negócios é o entendimento de que a Apple pode gerar receita dos clientes muito tempo após a venda de um iPhone, transformando uma base de 2,5 bilhões de usuários de iPhone em uma fonte de receita recorrente. Este negócio tem superado o crescimento da divisão de hardware nos últimos anos.

A receita anual da Apple aumentou de US$ 108 bilhões no início do mandato de Cook para US$ 416 bilhões no último ano fiscal, e o lucro cresceu mais de quatro vezes, atingindo US$ 112 bilhões.

"Volante de dependência"

O negócio relacionado a dispositivos vestíveis, incluindo acessórios para iPhone da era Cook, como Apple Watch e AirPods, gerou US$ 35 bilhões em receita no ano fiscal de 2025. Christopher Brown, consultor financeiro na Synovus Securities, uma empresa de gestão de patrimônio privado que detém ações do fabricante do iPhone, observou: "Cook não apenas pavimentou seu próprio caminho de sucesso operacional e de cadeia de suprimentos, mas também criou na Apple uma cultura baseada em valores. Isso foi seguido pela lealdade dos consumidores e pelo volante de dependência, que gerou trilhões de dólares em receita".

Críticos têm acusado a Apple há muito tempo de perder vantagem inovadora durante o mandato de Cook. Eles argumentam que Cook não conseguiu responder à questão do que viria depois do iPhone, enquanto concorrentes de hardware procuram substituir o smartphone como dispositivo de consumo principal.

Durante o período de liderança de Cook, houve outras falhas: o projeto de veículos elétricos, que a Apple cancelou em 2024, justamente quando estava ganhando força na China. A empresa também falhou notavelmente no lançamento do Apple Maps em 2012, meses após a chegada de Cook, o que levou à saída de um colaborador próximo de Jobs e do chefe de software Scott Forstall.

A aposta da Apple no headset de realidade aumentada Vision Pro, lançado por US$ 3.499 em 2023, não gerou vendas fortes, e seus produtos estão defasados em recursos de IA, incluindo atrasos na atualização do Siri.

Brian Malberry, estrategista de mercado principal na Zacks Investment Management, que detém ações da Apple, afirmou: "Inteligência artificial é o maior desafio para Ternus. A Apple deve demonstrar que a IA será mais do que apenas um aplicativo no iPhone, mais do que o Siri".

Ele acrescentou que "além de IA, a tarefa de deslocalizar continuamente a produção da China sem reduzir as margens é complexa, mas parte desse processo já está em andamento". A dependência da Apple da China garantiu décadas de eficiência de produção, mas a crescente tensão entre a China e os EUA, tarifas e interrupções na cadeia de suprimentos expuseram os riscos da concentração de produção em um único país, o que levou o fabricante do iPhone a expandir a produção na Índia e em outros países.

Reimaginação da Apple

Essas medidas, incluindo a colocação da maior parte dos iPhones destinados aos EUA na Índia até o final de 2026 e a montagem de certos dispositivos, como AirPods e iPads, no Vietnã, ajudaram a Apple a lidar melhor com a tempestade tarifária que perturbou as operações em todo os EUA. Bill Birmingham, diretor executivo da REX Financial, observou que Cook expandiu a equipe de executivos e reformulou a Apple em uma instituição, dando-lhe a oportunidade de se concentrar em estratégia e alocação de recursos mantendo um perfil público mais baixo. Aditya Soni acrescentou: "Isso deu a Cook espaço para tomar decisões impopulares e até mesmo ser implacável fora dos holofotes".

Legado de Tim Cook na Apple: Transição de CEO e Avaliação da Gestão
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Embora se argumente que apenas Steve Jobs teria conseguido fundar a Apple, é Tim Cook quem conseguiu desenvolvê-la ao nível que alcançou. Essa perspectiva é compartilhada por Warren Buffet, um dos maiores acionistas da big tech e uma figura proeminente nos negócios, ao comentar a saída de Cook do cargo de CEO da empresa nesta terça-feira (1º).

Tim Cook permaneceu no cargo por quinze anos, mas não deixará a Apple; ele assumirá a posição de Presidente Executivo do Conselho de Administração. Nessa nova função, ele atuará como mentor do atual chefe de engenharia de hardware e novo CEO da Apple, John Ternus.

Ao ser questionado pela CNBC sobre o legado que deixa na Apple, Cook expressou que sua reputação será definida pelos outros, esperando que lhe digam que foi um indivíduo bom e decente, o que lhe traria satisfação.

No seu último dia como CEO, Tim Cook endereçou uma carta aos colaboradores, agradecendo à equipe e ressaltando o trabalho que foi construído coletivamente ao longo dos anos, detalhando sua conexão com a companhia.

Ele escreveu: “Este é um momento que eu sempre soube que chegaria um dia e, ainda assim, é difícil acreditar que ele chegou e que estou escrevendo estas palavras. (…) Poucas pessoas entendem o que é necessário para criar produtos que mudam o mundo da maneira que John entende, e eu não poderia estar mais animado com a liderança dele”.

Quando Tim Cook assumiu a liderança da Apple em 2011, ele enfrentou um forte ceticismo. Naquele período, ele era percebido como um “gerente sisudo de custos e processos”, em contraste com a imagem de “superstar” e visionário de Steve Jobs, conforme relatou Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação, em entrevista ao Olhar Digital.

O especialista mencionou que muitos previam que o fluxo de produtos da Apple diminuiria após a morte de Steve Jobs, antecipando crises na companhia. Contudo, o cenário foi oposto: a empresa celebrou seus 50 anos de forma grandiosa e frequentemente figurou entre as corporações mais valiosas do planeta.

Entre 2011 e 2022, a gestão Cook foi marcada por mais sucessos do que fracassos, elevando o valor da Apple. Os produtos vestíveis (Apple Watch e AirPods) obtiveram grande aceitação. Esse crescimento persistiu mesmo diante das tensões comerciais entre Estados Unidos e China, onde a manufatura da empresa estava concentrada. Posteriormente, o surgimento do ChatGPT, da OpenAI, e o subsequente *boom* da inteligência artificial (IA) fizeram com que a empresa, antes líder em tendências tecnológicas, parecesse estagnar.

Desde que foi contratado por Steve Jobs em 1998, a competência de Cook se manifestou em dois pilares: logística e eficiência financeira, mantendo-se relevante durante sua presidência.

Ao assumir há 15 anos, a Apple era avaliada em US$ 350 bilhões (cerca de R$ 1,8 trilhão na cotação vigente). Atualmente, Cook entregou uma companhia avaliada em quase US$ 5 trilhões (R$ 26 trilhões), tendo atingido a marca de US$ 5 trilhões no final de julho de 2026.

Outro indicador notável é o aumento da receita anual, que saltou de US$ 108 bilhões (R$ 558 bilhões) em 2011 para mais de US$ 416 bilhões (R$ 2,1 trilhões) em 2025. As ações da Apple valorizaram mais de 2.000% sob sua administração.

Grande parte desse crescimento de faturamento deve-se à engenharia financeira implementada por Cook. Ao longo dos últimos 15 anos, ele reformulou a cadeia de suprimentos da Apple. Sua gestão envolveu o fechamento de fábricas próprias, a terceirização da produção para parceiros asiáticos, como a Foxconn, e a redução de estoques parados a níveis próximos de zero, o que resultou em margens de lucro substanciais.

Sob a liderança de Cook, a Apple também expandiu seu portfólio. Desde 2011, a empresa introduziu dispositivos vestíveis (*wearables*). O sucesso de modelos como Apple Watch e AirPods ajudou a equilibrar a receita da empresa, diminuindo a dependência exclusiva das vendas de iPhone para gerar lucros.

Outra iniciativa bem-sucedida foi a migração para o Apple Silicon em 2020, quando a empresa substituiu os processadores da Intel em seus computadores (iMacs, MacBook, Mac Mini) por chips próprios. Arthur Igreja classificou essa mudança como “uma decisão tremendamente acertada”, pois permitiu à empresa retornar à sua fase inicial de integração vertical entre hardware e sistemas operacionais.

Igreja também salientou uma transição crucial: embora a Apple permaneça fortemente ligada ao iPhone, foi Cook quem impulsionou todo o ecossistema de aplicativos e serviços, promovendo uma alteração significativa na estrutura de receitas da companhia.

Essa consolidação demonstrou que a Apple possui existência e relevância para além da figura de Steve Jobs, o que pode ser considerado o principal legado de Tim Cook.

Cook demonstrou uma habilidade singular em navegar pelo cenário geopolítico global, agindo como um tipo de estadista corporativo através de sua diplomacia discreta. Com uma postura pragmática e cordial, ele intermediou disputas políticas, mantendo o funcionamento do império do iPhone apesar das tensões entre EUA e China. Ele se tornou um dos poucos líderes de tecnologia respeitados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao mesmo tempo em que agradava o governo e os consumidores chineses.

Essa influência foi evidenciada quando Cook participou da comitiva de Trump à China em maio de 2026, acompanhado de outros magnatas do Vale do Silício, como Elon Musk (Tesla e SpaceX) e Jensen Huang (Nvidia).

Mesmo após deixar o cargo de CEO, Cook continuará envolvido na política mundial, pois seu novo papel como presidente do conselho inclui o diálogo com legisladores internacionais.

A partir de 2022, o avanço da IA generativa (que cria textos, imagens, vídeos e áudios) tornou-se um ponto de atenção na gestão de Cook. Embora a Apple possua sua própria IA, com a Siri lançada em 2011 no iPhone 4S, a popularização de ferramentas como ChatGPT, Claude e Gemini expôs a defasagem da assistente da Apple.

Isso alimentou críticas ao ritmo de inovação da gestão Cook, que foi rotulada como lenta e excessivamente conservadora. Críticos argumentam que a Apple priorizou a disciplina financeira e a eficiência operacional em detrimento da audácia criativa. Um exemplo citado foi o Apple Vision Pro, lançado em 2024, que vendeu menos do que o esperado e não gerou o interesse projetado.

Contudo, a questão da IA generativa concentrou grande parte das críticas finais à era Cook. Enquanto concorrentes como Google e OpenAI investiam pesadamente em tecnologia, a Apple reduziu seus gastos em Capex (infraestrutura e bens de capital para IA), levantando dúvidas entre investidores. Consequentemente, a Apple perdeu o título de empresa mais valiosa do mundo para a Nvidia, líder no setor de IA. Paralelamente, o pacote Apple Intelligence, anunciado em 2024, sofreu atrasos sucessivos em suas funcionalidades prometidas.

Arthur Igreja aponta duas visões: alguns analistas sugerem que a concentração histórica do mercado de ações em big techs leva a uma abordagem mais conservadora da Apple, enquanto outros acreditam que a empresa está tecnologicamente atrasada e precisará reagir.

O especialista alerta que, se os consumidores começarem a sinalizar a importância da IA, John Ternus enfrentará um grande desafio. Igreja conclui que o legado de Cook reside no fato de que um CEO não precisa ser icônico como Steve Jobs; pode ser alguém mais discreto ou técnico, o que tranquiliza a transição para John Ternus.

Em 2011, Cook era visto como um “gerente de processos” que precisava provar sua capacidade de inovar. Apesar dos altos e baixos, sua gestão legou a Ternus uma gigante avaliada em quase US$ 5 trilhões em 2026. A partir de agora, o engenheiro de hardware definirá o curso dessa big tech durante uma revolução comparável ao surgimento da internet, do smartphone e das redes sociais.

Enquanto Cook era mais focado em processos, Ternus tem maior ligação com tecnologia e produto. Esse contraste poderia gerar desconfiança, mas o sucesso de Tim Cook estabeleceu um clima de confiança. Em sua última teleconferência, ele aconselhou o sucessor a focar em oferecer produtos que “enriqueçam” as vidas dos usuários, garantindo um excelente negócio se essa diretriz for mantida.

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