Renault Kwid custa significativamente mais no Brasil (R$ 82.790) do que na Índia (cerca de R$ 24.000)
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Renault Kwid custa significativamente mais no Brasil (R$ 82.790) do que na Índia (cerca de R$ 24.000)

O Renault Kwid reestilizado, disponível nas lojas brasileiras, possui um preço inicial de R$ 82.790. Em contraste, na Índia, onde o mesmo modelo é fabricado e comercializado, o hatchback tem um valor de partida de 4,53 lakh de rupias, o que corresponde a aproximadamente R$ 24 mil. Embora ambos os veículos compartilhem plataforma, motor de três cilindros e conceito geral, o custo do modelo brasileiro é quase três vezes superior.

Essa disparidade de preço deve-se tanto ao conteúdo quanto à contabilidade, mas a maior contribuição é tributária. A Anfavea aponta que o Brasil detém a maior carga tributária automotiva mundial. De acordo com a associação, impostos como IPI, PIS/Cofins e ICMS representam entre 24,7% e 32,3% do valor de um carro a combustão, dependendo da motorização. Se considerarmos tributos embutidos na cadeia, as estimativas da própria entidade elevam esse percentual para 43,7%.

Um fator agravante é o efeito cascata dos impostos, pois cada tributo é aplicado sobre um preço que já incorpora os anteriores. A Índia seguiu um caminho oposto. Uma reforma chamada GST 2.0, implementada em 22 de setembro de 2025, reduziu a alíquota para carros de até 4 metros com motor a gasolina de até 1.200 cm³ de 28% para 18%, além de extinguir o cess, uma sobretaxa que variava de 1% a 22%. Assim, a carga tributária efetiva, que estava próxima de 30%, foi reduzida para 18%, e as montadoras repassaram essa diminuição, tornando o Kwid indiano mais acessível.

É importante notar que o preço indiano é apenas o valor de exposição (ex-showroom) e não inclui custos adicionais como licenciamento, seguro obrigatório ou taxas estaduais. Ao somar esses itens, o Kwid pode custar entre 5,42 lakh e 6,66 lakh em Mumbai, representando um acréscimo de 20% a 47% sobre o preço anunciado. Um lakh equivale a cem mil rupias.

Os modelos também apresentam diferenças técnicas. O Kwid brasileiro utiliza motor 1.0 flex, gerando 68 cv na gasolina e 71 cv no etanol, e foi atualizado com central multimídia de 10,1 polegadas e painel de instrumentos digital de 7 polegadas. Já o modelo indiano funciona apenas com gasolina, teve uma reformulação mais discreta em julho e é oferecido em duas versões: Evolution e Climber. Em termos de segurança, a linha indiana de 2026 oferece seis airbags.

A escala de mercado também influencia os preços. Em Chennai, a Renault compete em um mercado onde o Maruti Suzuki Alto K10 custa 3,50 lakh, pressionando o preço para baixo. No Complexo Ayrton Senna, no Paraná, o Kwid brasileiro compartilha o ambiente com fornecedores, salários e encargos de outra magnitude.

No Brasil, os preços da linha são R$ 82.790 na versão Evolution, R$ 87.590 na Techno e R$ 91.890 na Outsider. Devido ao lançamento, a versão de entrada está disponível em promoção a partir de R$ 71.190. A plataforma CMF-A, datada de 2015, e o câmbio manual de cinco marchas permanecem inalterados.

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A Renault implementou um corte de R$ 57.000 no valor do Megane E-Tech, resultando em um reposicionamento incomum do veículo. Este crossover elétrico importado da França agora custa R$ 212.790, um valor inferior à versão de topo de linha do Boreal, um SUV médio fabricado no Paraná e comercializado pela montadora por até R$ 214.990.

Este desconto surge como uma reação a dificuldades de vendas persistentes desde seu lançamento em setembro de 2023. Em pouco menos de três anos no mercado brasileiro, o modelo registrou apenas 346 unidades emplacadas, o que representa uma média abaixo de dez veículos mensais. Somente em 2024, dados fornecidos pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) indicavam apenas 16 registros até o mês de maio.

Esta não foi a primeira intervenção de preços. Inicialmente, o Megane E-Tech foi lançado por R$ 279.900 e passou por diversas campanhas promocionais subsequentes. Em julho de 2024, houve um abatimento de R$ 80.000 visando escoar o estoque do modelo 2023/2024; em março de 2025, foram oferecidos R$ 75.000 para clientes que financiassem através do Banco RCI; e em outubro do mesmo ano, o desconto atingiu R$ 54.000 com parcelas especiais. Diferentemente das ações anteriores, esta nova redução não possui uma data final estabelecida.

Com o preço atualizado, o consumidor adquire um carro elétrico equipado com 220 cv e 30,6 kgfm de torque. Ele consegue acelerar de 0 a 100 km/h em 7,4 segundos e possui velocidade máxima limitada a 160 km/h. Sua bateria de 60 kWh oferece uma autonomia de 337 km no ciclo do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), do Inmetro, e suporta carregamento rápido em corrente contínua de até 130 kW, permitindo ir de 0% a 80% em aproximadamente meia hora, conforme informado pela fabricante.

Um aspecto notável do veículo, reconhecido pela imprensa especializada desde o início, é seu acabamento superior: ele conta com painel revestido em tecido feito de garrafas recicladas, detalhes em camurça sintética nas portas, um quadro de instrumentos digital de 12,3 polegadas e um sistema multimídia openR de 9 polegadas integrado à mesma moldura, utilizando um sistema desenvolvido em parceria com o Google.

Contudo, o tamanho do Megane E-Tech apresenta uma desvantagem. Com 4,20 metros de comprimento e 2,68 metros de distância entre eixos, ele compartilha porte com o Volkswagen T-Cross e oferece um porta-malas de 440 litros, características de um compacto, apesar de ser vendido no segmento de SUV médio após o desconto. Para fins de comparação, o Boreal mede 4,56 metros e dispõe de 522 litros de capacidade no porta-malas.

A Renault está reajustando os preços de toda a sua linha de alto padrão. O Koleos, um híbrido produzido na Coreia do Sul que foi introduzido no país em abril, tem preço de tabela de R$ 289.990, mas foi ofertado por R$ 279.990 em promoção, sem prazo definido pela marca na época. Essa estratégia reflete a mesma lógica aplicada ao Megane: utilizar descontos fabris para tornar os modelos importados mais competitivos em um mercado onde concorrentes chineses estão entrando com propostas de preço mais agressivas.

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