Honda e Nissan anunciaram nesta segunda-feira, dia 31, um novo acordo focado no desenvolvimento colaborativo de centrais eletrônicas e software para seus automóveis, com início previsto para o ano fiscal de 2029. Este arranjo representa uma versão muito menor daquilo que as duas companhias estavam negociando há vinte meses, quando debatiam uma fusão que visava criar a terceira maior fabricante de veículos do planeta.
A diferença temporal entre os planos é notável: o acordo original, assinado no final de 2024, previa que a holding combinada fosse lançada na Bolsa de Tóquio em agosto de 2026. Contudo, agosto de 2026 foi marcado pela assinatura de um contrato de padronização de componentes eletrônicos.
Em 23 de dezembro de 2024, Honda e Nissan formalizaram um memorando de entendimento para unificar suas operações sob uma entidade controladora comum. Essa operação era avaliada em mais de 60 bilhões de dólares e posicionaria o grupo resultante logo abaixo de Toyota e Volkswagen em termos de vendas mundiais. Adicionalmente, um segundo memorando, assinado na mesma data, incluía a participação da Mitsubishi.
Durante as tratativas, Honda sugeriu alterar a estrutura proposta: em vez de uma holding com diretoria compartilhada, Honda atuaria como empresa-mãe, e Nissan se tornaria uma subsidiária através de uma permuta de ações. Nissan rejeitou essa proposta, alegando que isso implicaria perda de sua autonomia. Naquele período, o valor de mercado da Honda era mais de cinco vezes superior ao da parceira na bolsa. Outros fatores envolvidos nas negociações incluíam a pressão para que Nissan recomprasse a participação na Renault e a recusa da Mitsubishi em aceitar o papel de terceiro sócio. As negociações entre as três partes foram encerradas em 13 de fevereiro de 2025.
O período subsequente de um ano e meio foi dedicado à reestruturação da Nissan. Sob a liderança de Ivan Espinosa, que assumiu em abril de 2025, a montadora está implementando o plano Re:Nissan, que visa reduzir o número de fábricas de 17 para 10 e prevê a demissão de 20 mil empregos até o ano fiscal de 2027. No exercício encerrado em março, a companhia reportou um prejuízo líquido de 533,1 bilhões de ienes, sendo o segundo ano consecutivo com resultados negativos, enquanto suas vendas globais caíram 5,8%, totalizando 3,15 milhões de veículos.
A nova parceria focará na padronização das unidades de controle eletrônico (ECUs), além do sistema operacional embarcado, partes do middleware e do software que governa o veículo. Este conjunto constitui a arquitetura elétrica e eletrônica dos chamados SDVs, ou veículos definidos por software, nos quais as funcionalidades do carro são centralizadas em poucos computadores aptos a receber atualizações remotas.
Na prática, este modelo espelha o compartilhamento de plataformas: existe uma base comum, mas cada marca preserva sua própria interface, recursos e design. As empresas ainda não divulgaram como serão distribuídas as responsabilidades nem quais modelos adotarão esta tecnologia. Por sua vez, a Mitsubishi pode retornar às discussões; segundo a Reuters, a montadora declarou que continua em diálogo com Honda e Nissan sobre a possibilidade de aderir ao acordo.
