Uma pesquisa realizada pela plataforma britânica Carwow indicou que quase metade dos motoristas no Reino Unido estaria disposta a considerar a compra de um automóvel de origem chinesa. Este percentual subiu para 49%, comparado a 35% registrado em janeiro deste ano e 24% no primeiro semestre de 2023, representando um dobro do número em três anos.
Um aspecto notável da investigação não foi apenas a intenção de compra, mas sim o nível de reconhecimento das marcas. A BYD lidera este quesito com 71% de conhecimento entre os entrevistados. Houve aumentos significativos em outras marcas: a Chery passou de 16% para 50% em apenas um ano, a Jaecoo evoluiu de 46% para 69%, e a Omoda saltou de 42% para 57%. A Xpeng também demonstrou crescimento, passando de 8% em 2023 para 20%.
Adicionalmente, a proporção de pessoas que não reconheciam nenhuma marca chinesa listada diminuiu de 23% para 16%. Esse crescente interesse já se traduz em vendas concretas, visto que as marcas chinesas foram responsáveis por aproximadamente 15% dos registros de carros novos no Reino Unido durante o primeiro semestre de 2026. Em julho, pela primeira vez, todos os cinco modelos que mais cresceram em volume no país eram lançamentos chineses, algo inédito, pois antes sempre havia pelo menos um modelo tradicional nesse grupo. O Jaecoo 7 foi incluído na lista dos veículos mais vendidos do ano.
No próprio portal Carwow, as buscas por modelos chineses aumentaram em 119% nos primeiros sete meses de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025. As marcas chinesas passaram a representar 30% dos contatos de venda gerados pela plataforma, elevando-se de 14%. A oferta de produtos também se expandiu, com mais de 50 modelos chineses configuráveis no site, em contraste com os 30 disponíveis em agosto do ano anterior.
Entre os motivos que levam os consumidores a considerar uma marca chinesa, 42% apontam o custo-benefício como principal fator, um aumento em relação aos 36% observados no primeiro semestre. Outros 24% esperam encontrar ofertas com descontos competitivos. Ben Carter, diretor de clientes, marketing e mídia da Carwow, ressalta que a motivação transcende apenas o preço, sugerindo que os compradores estão trocando a fidelidade à marca por acesso a maior tecnologia e mais veículo pelo mesmo valor.
O uso de leasing também influencia a decisão, sendo que um em cada cinco motoristas da plataforma, ou 21%, utiliza esse sistema, e aqueles que adquirem veículos elétricos têm quase o dobro de probabilidade de optar por essa modalidade. O ambiente regulatório também desempenha um papel. Enquanto a União Europeia impõe taxas adicionais sobre veículos elétricos produzidos na China, o Reino Unido não aplica tais tarifas. Em 2 de julho, o governo britânico comunicou que a Trade Remedies Authority ainda não iniciara uma investigação sobre os elétricos chineses, embora continuasse a avaliar possíveis ações.
É importante notar que a pesquisa envolveu 1.270 usuários da Carwow e mede apenas a disposição de considerar a compra, e não a decisão final. Steve Walker, do Auto Express, compara este movimento ao que ocorreu décadas atrás com japoneses e coreanos no país, onde as marcas chinesas competem através do custo-benefício, exercendo pressão sobre os fabricantes já estabelecidos.
