Criador de hipercarros elétricos afirma que motores a combustão dominarão o mercado de supercarros por mais tempo
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Criador de hipercarros elétricos afirma que motores a combustão dominarão o mercado de supercarros por mais tempo

O criador de hipercarros elétricos recentemente declarou que os veículos esportivos de alto desempenho continuarão dependendo de combustíveis fósseis por um período considerável. Em uma entrevista concedida à rede americana CNBC, divulgada em 25 de agosto, Mate Rimac explicou que a indústria automotiva está se dividindo em dois segmentos distintos: os carros de uso cotidiano migrarão para a eletrificação, ao passo que os esportivos e hipercarros manterão o uso de combustíveis.

Este posicionamento, segundo o executivo, não é motivado pela nostalgia, mas sim por razões comerciais. Ele argumenta que o desempenho absoluto deixou de ser o fator decisivo no mercado. Como exemplo, Rimac aponta que atualmente é possível adquirir na China um veículo mais veloz do que qualquer esportivo produzido há dez anos, por um valor aproximado de R$ 260 mil (US$ 50 mil).

Para ilustrar seu ponto, Rimac utiliza uma analogia vinda do setor de relojoaria. Ele observa que, embora apenas cerca de 5% dos relógios sejam produzidos na Suíça, este local concentra a maior parte do lucro do setor. Apesar de um smartwatch oferecer funcionalidades superiores a um relógio mecânico tradicional, o consumidor raramente paga o equivalente a R$ 1 milhão (US$ 200 mil) por um.

Quando o Rimac Group assumiu o controle da Bugatti em 2021, em parceria com a Porsche, o executivo recebeu a incumbência de desenvolver um modelo elétrico para a marca, conforme solicitado pela Volkswagen e pela Porsche. Embora ele já possuísse um hipercarro elétrico pronto e reconhecesse que adaptá-lo para a Bugatti seria o caminho mais simples, ele optou por uma abordagem mais complexa, desafiando até mesmo seus próprios acionistas.

O resultado desse esforço foi o lançamento do Tourbillon, que sucede o Chiron. Em vez de depender exclusivamente de baterias, o veículo incorpora um motor V16 aspirado de 8.3 litros, gerando 1.000 cv, desenvolvido em colaboração com a empresa britânica Cosworth, complementado por três motores elétricos que fornecem mais 800 cv. Essa combinação totaliza 1.800 cv e 305,9 kgfm, permitindo acelerar de 0 a 96 km/h em apenas 1,9 segundo e atingir velocidades de até 380 km/h, ou 445 km/h utilizando a chave Speed Key.

A filosofia estética do Tourbillon reflete essa mesma lógica de exclusividade. Enquanto o mercado tende a priorizar telas digitais, o painel de instrumentos do Tourbillon é analógico, construído com materiais como titânio, safira e rubis por relojoeiros suíços e posicionado atrás do volante. Esta característica não é acidental, visto que 'tourbillon' é o termo usado para um mecanismo de relógio de altíssima precisão. O carro é montado em Molsheim, na França, e o motor V16 provém da fábrica do grupo localizada na Croácia, a mesma linha de produção do Nevera, o hipercarro elétrico que detém mais de 20 recordes de desempenho.

As 250 unidades previstas do Tourbillon já foram vendidas, com preços iniciando em cerca de R$ 22,9 milhões (3,8 milhões de euros). Além disso, o preço base é apenas o ponto de partida; segundo Rimac, o custo médio de personalização para o comprador varia entre R$ 3,1 milhões e R$ 3,6 milhões (US$ 600 mil a US$ 700 mil), abrangendo opções como pinturas exclusivas, couros e costuras sob medida. Para esse público específico, Rimac acredita que a aquisição não se trata de recuperar tempo, mas sim de obter um objeto que narre uma história e reflita a identidade do próprio proprietário.

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