A picape média Nissan Frontier foi retirada do mercado brasileiro. Conforme noticiado pelo site Motor1.com Brasil em 29 de agosto, o veículo deixou de ser listado nos modelos novos no portal oficial da montadora.
A substituição já foi definida: a nova versão será a Frontier Pro, um modelo híbrido plug-in desenvolvido na China. Essa mudança fazia parte de um plano que começou no final de 2025, quando a Nissan interrompeu a produção em Santa Isabel, Argentina, realocando a fabricação para o México.
O desempenho comercial foi o fator determinante para essa decisão. Em 2025, a Frontier registrou apenas 5.091 emplacamentos, o que representa uma redução de 45% em comparação com as 9.258 unidades vendidas em 2024. No mesmo período, outros concorrentes apresentaram números significativamente maiores: Toyota Hilux alcançou 49.721 unidades, Ford Ranger somou 34.047 e Chevrolet S10 registrou 31.451.
No ano seguinte, em 2026, com os estoques diminuindo, o ritmo de vendas caiu drasticamente, chegando a apenas 34 unidades em julho, um número inferior às 42 unidades vendidas pela BYD Shark no mesmo mês.
A Frontier Pro é fabricada pela Zhengzhou Nissan Automobile, uma joint venture estabelecida entre Nissan e Dongfeng, e baseia-se no modelo Dongfeng Z9. É importante notar que este novo veículo não é uma simples evolução da picape que está sendo descontinuada. Unidades da Frontier Pro foram vistas no Porto de Santos em fevereiro para fins de testes e homologação, e em abril, a Nissan confirmou seu papel na estratégia de expansão da marca para a América Latina.
Este novo conjunto mecânico integra um motor 1.5 turbo a gasolina com propulsão elétrica, gerando mais de 400 cavalos de potência e aproximadamente 81,6 kgfm de torque. A fabricante informa que a bateria oferece autonomia de até 135 km utilizando apenas eletricidade, calculada pelo ciclo chinês. Suas dimensões são de 5,5 metros de comprimento, 1,96 metro de largura, 1,95 metro de altura e 3,30 metros de distância entre eixos, além de possuir bloqueio eletromecânico no diferencial traseiro.
Na cabine, o veículo conta com um painel de instrumentos digital de 10 polegadas, sistema multimídia de 14,6 polegadas e funcionalidade V2L de até 6 kW. Já a Frontier que está sendo aposentada mantinha o motor 2.3 biturbo diesel, que entregava 190 cv e 45,9 kgfm, acoplado a uma transmissão automática de sete marchas e tração 4x4.
Essa transição ocorre em um segmento automotivo em constante mudança. A BYD Shark foi pioneira ao introduzir no país um conjunto turbo mais voltado para o elétrico com tração integral, embora ainda com um volume de vendas modesto. Além disso, a Volkswagen Amarok também passará por eletrificação, utilizando um projeto da empresa chinesa SAIC. Para a Nissan, esta mudança representa uma tentativa de retomar relevância em um nicho onde a marca perdeu metade de suas vendas em um único ano, fazendo isso com um produto que não possui ligação técnica com a picape conhecida pelos consumidores brasileiros.
