Novo cálculo do IPI afeta potência de carros 1.0 turbo devido a benefícios fiscais
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Novo cálculo do IPI afeta potência de carros 1.0 turbo devido a benefícios fiscais

Os consumidores que acompanharam os lançamentos recentes notaram que veículos equipados com motores 1.0 turbo apresentam potências de 115 ou 116 cv. Esta diminuição de potência não visa reduzir emissões ou consumo, mas sim faz parte dos incentivos fiscais oferecidos pelo Governo Federal para o programa industrial denominado Mobilidade Verde e Inovação (Mover).

O método revisado de cálculo do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis considera diversos elementos, tais como o índice de componentes recicláveis, a presença de sistemas híbridos, motores flex ou a etanol, além da potência do veículo. Quanto mais alinhado o modelo aos critérios ambientais, menor será a alíquota aplicada.

A taxa base do IPI para automóveis é estabelecida em 6,3%, podendo sofrer ajustes de alguns pontos percentuais dependendo dos fatores mencionados. Houve também uma alteração significativa ao deixar de considerar o deslocamento do motor no cálculo do imposto. O antigo benefício fiscal concedido a carros com motores 1.0, que foi aproveitado pelos fabricantes recentemente graças à tecnologia turbo, foi extinto.

Em substituição a este fator, foi adotada a potência do motor, sendo criadas quatro categorias distintas para a aplicação de tributação reduzida. Como não há aumento no IPI para motores com até 115,6 cv, as montadoras optaram por reduzir a potência de seus motores 1.0 turbo ao longo de 2026.

A Chevrolet foi pioneira nessa mudança, atualizando seu modelo no início de 2025 para gerar 121 cv com etanol, mas posteriormente reduziu a potência em 6 cv para obter uma carga tributária menor. A Hyundai implementou uma medida similar no i20, que compartilha motorização com o HB20 e o Creta; contudo, no novo compacto, a potência máxima foi ajustada de 120 cv para 115 cv, e esta modificação se estenderá a outros veículos equipados com o 1.0 TGDI.

Mais recentemente, a Stellantis reduziu a potência de seu 1.0 turbo de 130 cv para 116 cv (valor arredondado de 115,6). O torque permaneceu estável em 20,4 kgfm, sendo que a alteração impactou somente o pico de potência máxima.

Os cortes de potência também atingiram motores de maior cilindrada. De acordo com a revista Auto Esporte, o 1.5 turbo da Caoa Chery agora entrega 143 cv, enquanto o 1.6 turbo da mesma fabricante teve sua potência reduzida de 187 cv para 180 cv. Outro motor 1.6 turbo afetado foi o do Hyundai Creta, que caiu de 193 cv para 176 cv após ser introduzido no Brasil e se tornar flex. Na Volkswagen, essa adaptação foi realizada utilizando o 170 TSI de 116 cv nos modelos Polo, Tera e certas versões do Virtus.

O 1.0 turbo do Renault Kardian também está sujeito à perda de potência, passando de 125 cv para cerca de 115 cv, sem comprometer o torque de 22,5 kgfm. Modelos aspirados, como a linha nacional da Honda e o Toyota Yaris Cross, não devem sofrer alterações.

Para veículos flex que ultrapassam os 115,6 cv, existe uma alternativa para obter descontos no IPI através da adoção de eletrificação. Um sistema híbrido plug-in concede um abatimento de 2%, um híbrido pleno oferece 1,5% de desconto, e os híbridos leves possuem 1% de redução no tributo.

A Stellantis intensificou a oferta de seus sistemas MHEV, exemplificado pelo lançamento do Jeep Avenger, que chegou exclusivamente com motorizações eletrificadas. Tanto a Chevrolet quanto a Volkswagen já anunciaram planos para disponibilizar carros com essa eletrificação leve, utilizando tecnologia de 48 volts. A Renault está desenvolvendo um sistema híbrido leve de 48 volts mais sofisticado para o Boreal e a picape Niagara, que emprega um motor elétrico para acionar o eixo traseiro, um esquema já presente na Europa em veículos da Dacia, promovendo maior economia de combustível.

A revista Quatro Rodas apurou que a Honda está trabalhando em um sistema híbrido leve para os motores 1.5 aspirados dos modelos City, HR-V e WR-V. Esta seria uma novidade para a marca, que atualmente dispõe apenas de opções de eletrificação plena ou plug-in.

Esta modificação na metodologia de cálculo do IPI para os carros brasileiros promete transformar o mercado nos próximos anos. Os consumidores devem estar preparados para a crescente variedade de modelos com 115 cv ou os futuros lançamentos de híbridos leves até 2030.

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