Governo Federal anuncia investimento de R$ 2,3 bilhões para infraestrutura nacional de Inteligência Artificial no Brasil
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Governo Federal anuncia investimento de R$ 2,3 bilhões para infraestrutura nacional de Inteligência Artificial no Brasil

O Governo Federal revelou um aporte de R$ 2,3 bilhões destinado ao desenvolvimento de uma infraestrutura nacional de inteligência artificial. Esta iniciativa faz parte de uma nova etapa do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) e foi formalizada durante uma cerimônia realizada no Rio Grande do Norte, contando com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A estratégia delineada contempla recursos alocados em projetos distintos que envolvem corporações tanto dos Estados Unidos quanto da China. De acordo com comunicado oficial do governo divulgado nesta quinta-feira (20/08), o principal propósito é assegurar a autonomia nacional sobre os dados brasileiros, sejam eles gerados por entidades privadas ou serviços públicos, prevenindo assim a dependência excessiva de qualquer única empresa, nação ou tecnologia.

O PBIA, em sua totalidade, prevê um montante de R$ 23 bilhões em investimentos. Os fundos destinados a esta nova infraestrutura serão providos pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e serão liberados de forma escalonada ao longo dos próximos anos.

O governo organizou a implementação desta estratégia em diferentes 'rotas'. Um pouco mais da metade do valor total, aproximadamente R$ 1,3 bilhão, será canalizado para um projeto de supercomputação sediado no Rio de Janeiro. Este projeto será executado em colaboração com as empresas chinesas Huawei e iFlytek ao longo de cinco anos.

Esta estrutura tecnológica tem previsão de início de operação para julho de 2027 e seu foco será o avanço de grandes modelos de linguagem (LLMs), a aplicação de soluções de IA em setores industriais específicos e a qualificação de cerca de 3 mil profissionais.

Em outra vertente, o Governo Federal reservará R$ 1 bilhão, através de um processo de licitação, para adquirir um supercomputador que deverá figurar entre as dez máquinas de processamento de IA mais potentes do planeta. A instalação deste equipamento ocorrerá no Parque Tecnológico Augusto Severo (PAX), localizado no município de Macaíba, no Rio Grande do Norte. A administração deste recurso será compartilhada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC).

Estima-se que o procedimento licitatório leve entre três e seis meses. A agência Reuters aponta que a empresa norte-americana Nvidia possui as maiores probabilidades de vencer a concorrência. Caso não haja questionamentos judiciais, a expectativa é que o supercomputador esteja operacional em um período de 12 a 18 meses.

O equipamento destinado ao Rio Grande do Norte apresentará uma capacidade de processamento de 7,2 mil Petaflops. Isso representa um aumento de quase vinte vezes em comparação com o Santos Dumont, o atual supercomputador brasileiro situado no LNCC em Petrópolis (RJ), que oferece cerca de 27 Petaflops.

Na prática, essa disparidade técnica gera uma economia significativa de tempo. A nova máquina será capaz de treinar um modelo de linguagem de grande escala, comparável ao GPT-4, em apenas um mês. Para executar a mesma tarefa, o supercomputador localizado no estado do Rio de Janeiro demandaria de dois a três anos.

Essa infraestrutura estará acessível para uso governamental, bem como para empresas, universidades e instituições dedicadas à pesquisa científica.

O plano também contempla uma terceira linha de ação com foco no longo prazo: uma parceria com a Espanha voltada à arquitetura de código aberto RISC-V. Previsto para ser implementado em até quinze anos, este projeto visa posicionar o Brasil como um produtor de semicondutores e componentes essenciais.

Adicionalmente, a estratégia governamental inclui planos para estabelecer um serviço nacional de computação em nuvem e garantir que o armazenamento de dados ocorra integralmente dentro do território nacional. Para salvaguardar a segurança e a ética dessas novas tecnologias, foi instituído o Centro Nacional de Transparência Algorítmica e IA Confiável.

Este novo órgão, operado pelo Centro de Pesquisa Aplicada em IA da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), terá a responsabilidade de auditar sistemas, mensurar riscos, mitigar vieses e desenvolver metodologias de transparência. O núcleo também dará suporte à implementação de políticas públicas, como o ECA Digital, embora não substitua as autoridades competentes responsáveis pela fiscalização e aplicação de sanções legais.

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Devido ao fato de apenas 11% do crédito ter sido liberado, o governo federal decidiu elevar o teto máximo dos veículos que podem ser financiados pelo Move Brasil, passando de R$ 150 mil para R$ 200 mil. Este programa oferece crédito subsidiado destinado a taxistas e motoristas de aplicativo. A modificação foi oficializada nesta quarta-feira, dia 19, através de uma edição extra do Diário Oficial da União, e também incorporou novos tipos de veículos híbridos aos modelos elegíveis.

Essa alteração surge após o programa apresentar um desempenho significativamente aquém do esperado. Dos R$ 30 bilhões destinados, o BNDES havia disponibilizado somente R$ 3,44 bilhões até aquela semana, o que corresponde a 11,3% do montante total, conforme dados fornecidos pela Folha de S.Paulo. Esse recurso alcançou 33,4 mil motoristas, sendo aproximadamente 27 mil atuantes em aplicativos e 6 mil taxistas. Destaca-se que apenas 5% dos beneficiários são mulheres, grupo que tem direito a taxas de juros mais baixas.

Há um grande descompasso entre a demanda inicial e a efetiva contratação: mais de 600 mil profissionais registraram-se na plataforma até o começo de junho, mas pouco mais de 5% desse grupo finalizaram um contrato.

O governo aponta a cautela das instituições bancárias como um dos principais entraves. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, mencionou que, embora o Banco do Brasil e a Caixa estejam apoiando as operações, existe um «menor apetite por parte dos bancos privados», que demonstram maior rigor na avaliação de risco dos motoristas.

O programa conta com a garantia do Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), que assegura até 80% de cada financiamento, limitado a 30% da carteira do banco naquela linha de crédito. Vale notar que este fundo começou a operar apenas duas semanas após o lançamento, em 19 de junho. Além disso, Uallace Moreira Lima, secretário de Desenvolvimento Industrial do MDIC, admitiu falhas na comunicação com os trabalhadores, afirmando que «faltou a gente dialogar melhor com o trabalhador» sobre a distinção entre estar cadastrado e ter o crédito aprovado.

Com o novo limite estabelecido, o governo projeta que o Move Brasil consiga atingir 88% do mercado brasileiro de veículos, comparado aos 63% previstos sob a regra anterior, utilizando como base os registros de emplacamento de 2025 da Fenabrave. O valor de referência utilizado para essa contagem é o da nota fiscal.

Para participar, os taxistas devem possuir licença e registro ativos e situação fiscal regular, incluindo cooperados. Já os motoristas de aplicativo precisam ter um cadastro ativo há, no mínimo, 12 meses e comprovar pelo menos 100 corridas no mesmo período e na mesma plataforma, sendo vedada a soma de corridas de aplicativos distintos.

As taxas foram definidas pelo Conselho Monetário Nacional em até 0,99% ao mês para homens e 0,91% para mulheres, o que representa cerca de 12,6% e 11,5% anuais. O prazo máximo estende-se por 72 meses, com possibilidade de carência de até seis meses. O programa não exige um valor mínimo de entrada, que fica a critério do banco, e embora não seja uma exigência formal, ter o nome limpo é importante, pois restrições de crédito podem resultar na recusa.

O processo de inscrição é realizado pelo portal gov.br, com retorno em até cinco dias úteis. Após a aprovação nesta fase, o motorista deve procurar a concessionária ou o banco onde possui conta. As contratações estão válidas até 15 de setembro, data limite da medida provisória que ampara o programa, podendo ser encerradas antes caso os recursos se esgotem.

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A implementação de inteligência artificial (IA) tem o potencial de adicionar até R$ 986,7 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no período compreendido entre 2027 e 2030, conforme revelou um estudo conduzido pelo Reglab a pedido da OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT.

Este levantamento avaliou o impacto potencial da tecnologia em doze segmentos cruciais da economia nacional. O montante projetado, já convertido para valores atuais e ajustado pela taxa Selic de 13% ao ano, equivale a cerca de 7,6% do PIB previsto para 2026, que é de R$ 12,9 trilhões.

Segundo os pesquisadores, a IA pode gerar um impacto acumulado equivalente a 2,77% do PIB ao longo desses quatro anos, promovendo um crescimento médio anual de 0,69 ponto percentual na economia ligada à tecnologia.

Fatores para a concretização dos ganhos

Os responsáveis pelo estudo ressaltam que esses benefícios não se materializarão de forma imediata. A concretização desse potencial está diretamente ligada à rapidez com que empresas, trabalhadores e órgãos governamentais incorporarem as novas ferramentas tecnológicas.

Entre os setores examinados, as indústrias de transformação demonstraram o maior potencial de ganho, com uma estimativa de R$ 264,2 bilhões entre 2027 e 2030 para as atividades que convertem matérias-primas e insumos em novos produtos. Em seguida, vieram as atividades de serviços, com R$ 165,4 bilhões, e o setor de comércio, que alcançou R$ 131,2 bilhões.

O estudo segmenta os efeitos da IA em duas vias principais: o incremento na produtividade dos colaboradores e o aumento da eficiência de maquinário, equipamentos e estruturas produtoras. No cenário modelado, 65% do impacto total provém do aumento da produtividade do trabalho, enquanto os 35% restantes são atribuídos à maior eficiência do capital.

Variações setoriais no impacto da IA

Essa proporção de impactos varia consideravelmente conforme a natureza da atividade econômica. Por exemplo, na agropecuária, 92% do efeito seria absorvido pelo capital. Este setor poderia acumular R$ 48,2 bilhões em ganhos, impulsionado principalmente pela integração de IA em infraestrutura, máquinas e equipamentos produtivos.

Em contraste, em áreas com forte concentração de tarefas cognitivas, o efeito sobre a produtividade dos trabalhadores seria o mais proeminente. Nas finanças, por exemplo, 87% do impacto estimado estaria ligado ao trabalho, sendo o maior percentual entre os doze setores analisados. Bancos, seguradoras e gestoras de investimentos poderiam aplicar IA em funções como classificação de sinistros, avaliação de riscos, atendimento ao cliente e revisão documental.

No segmento de informação e comunicação, que engloba empresas de telecomunicações, data centers e desenvolvedores de software, o impacto projetado atinge R$ 49,3 bilhões, com 97% do efeito relacionado ao fator trabalho. Um exemplo citado é o assistente administrativo, cujas tarefas repetitivas e codificáveis, como lançamento de dados, conciliação de agendas e classificação de documentos, seriam mais propensas à automação.

Por outro lado, um engenheiro de software poderia utilizar a IA para agilizar processos, como a geração de documentação e a correção de códigos, mantendo atividades que exigem julgamento, coordenação e definição de projetos sob responsabilidade profissional.

Desafios e recomendações para o Brasil

Apesar do potencial quantificado, a pesquisa aponta que a adoção da IA no Brasil tende a ser mais gradual quando comparada a economias mais desenvolvidas. Fatores como a disparidade entre as empresas, o alto custo do crédito, as deficiências na qualificação profissional e as restrições de infraestrutura foram destacados.

As projeções indicam que, até 2030, 66,6% dos ganhos potenciais ligados ao aumento da produtividade do trabalho e 62,4% dos ganhos associados a estruturas e equipamentos mais eficientes teriam sido alcançados.

É importante notar que os R$ 986,7 bilhões representam um potencial estimado, e não uma garantia de crescimento; sua realização depende da celeridade na adoção da tecnologia e das condições regulatórias, educacionais e institucionais do país.

O estudo sugere diversas ações para que o Brasil consiga converter esse potencial em benefícios econômicos reais. Entre elas, estão a requalificação de profissionais em funções passíveis de substituição, a ampliação da infraestrutura digital rural e a criação de incentivos para que empresas menos produtivas implementem IA.

Os autores também defendem a instituição de um arcabouço regulatório estável, políticas de governança, o uso de dados abertos e a aplicação da tecnologia nos serviços públicos. Conclui-se que a efetivação desses ganhos depende não somente do avanço tecnológico, mas também da capacidade de estabelecer um ambiente institucional, regulatório e educacional favorável à sua disseminação ampla e produtiva.

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