A consultoria no formato tradicional que existia há meio século está encerrando seu ciclo. A máquina baseada na criação de apresentações, publicidade barulhenta e faturamento por quilo está sendo destruída pelas próprias tecnologias que seus praticantes exageraram excessivamente. O autor, com quase quarenta anos de experiência neste setor, considera que este é um destino merecido para esta indústria.
Em 2010, o autor liderava uma empresa que criou uma das primeiras redes comerciais WiMax na África do Sul. Esta tecnologia era avançada para sua época e superava significativamente as redes móveis daquele período. Em vez de apresentar essa história honestamente, os consultores exageravam as capacidades da tecnologia, vendendo velocidade de pico e alcance máximo como se fossem alcançados simultaneamente. O autor sabia como isso terminaria: a lacuna entre os folhetos publicitários e a experiência real resultaria em desapontamento para os clientes finais, e não a própria tecnologia seria culpada.
Este cenário se repetiu durante a maior parte da carreira do autor. Ele aponta para o Ciclo Gartner, conhecido por todo gestor: 'pico de expectativas inflacionadas', 'fundo de desilusão' e um longo caminho até o 'platô de produtividade'. Por trás deste ciclo está uma observação honesta, frequentemente atribuída ao futurista Ray Amara: tendemos a superestimar as tecnologias no curto prazo e subestimá-las no longo prazo. Amara estava certo.
No entanto, quem está no topo deste pico com megafone? Quase sempre são as grandes firmas de consultoria. E este pico não acontece por acaso; alguém o infla artificialmente, fazendo previsões em trilhões e estabelecendo prazos distantes, depois vende o trabalho de preparação para o pânico. Quando a realidade não corresponde aos números declarados e a tecnologia cai em um poço, os consultores já passam para a próxima onda.
