A Genesis lançou o GV90, um SUV elétrico que ocupa a posição de topo de linha da fabricante sul-coreana, com previsão de chegada às concessionárias em 2027. Este modelo incorpora a arquitetura elétrica eMP, oferecendo 666 cv e 81,6 kgfm. No entanto, seu diferencial competitivo reside na lateral do veículo: as portas traseiras possuem um mecanismo de abertura inverso ao padrão, sem a presença de uma coluna B entre elas.
Este recurso é conhecido como portas suicidas, um termo que a indústria tem tentado substituir por 'coach doors' ou portas de carruagem. A Genesis nomeou este sistema como Neolun Arch Gate, fazendo alusão ao conceito original do automóvel.
A origem dessa solução remonta às carruagens puxadas por cavalos e foi adotada pelos primeiros carros. O grande problema surgiu com o aumento da velocidade: sem cintos de segurança adequados e com travas simples, uma porta mal fechada podia ser aberta pelo vento, forçando o passageiro a se inclinar para fora do veículo em movimento para alcançá-la, o que deu origem ao apelido negativo.
Um marco decisivo ocorreu em 1965, quando o advogado Ralph Nader incluiu esse dispositivo na lista de itens inseguros do livro 'Unsafe at Any Speed', o qual estabeleceu a regulamentação moderna de segurança veicular nos Estados Unidos. Após esse evento, as portas traseiras articuladas praticamente desapareceram das linhas de produção.
No contexto brasileiro, essas portas tiveram um período de uso; o DKW-Vemag Belcar as utilizou nas portas dianteiras até 1964, momento em que foram substituídas por questões de segurança. Mais recentemente, a primeira geração da Fiat Strada cabine dupla apresentou uma porta traseira invertida no lado direito, entre 2013 e 2020.
A Strada enfrentava a dificuldade inerente ao seu design: a porta traseira só abria após a dianteira. Essa limitação também ocorre em modelos como o Rolls-Royce Ghost e o antigo BMW i3. Na ausência da coluna B, uma porta bloqueia a outra, transformando a sequência de abertura em uma imposição mecânica.
É neste ponto que o GV90 se destaca. Suas portas dianteiras e traseiras abrem simultaneamente e em qualquer ordem, sem necessidade de desbloqueio prévio. O segredo desse funcionamento está no movimento: a porta traseira desliza para fora antes de girar, o que demanda um conjunto considerável de mecanismos instalados na lateral do carro. Um protótipo visto no ano passado apresentava o painel da caixa de roda removido, revelando esse aparato.
A rigidez estrutural que seria perdida pela falta da coluna B foi mitigada por um revestimento que circunda a cabine e é 50% mais robusto que o encontrado em veículos comuns. A Genesis assegura que o SUV se comporta como se tivesse uma coluna B em colisões laterais e optou pelo uso de alumínio no assoalho para compensar o peso adicional, cujo valor ainda não foi divulgado.
O restante das especificações reforça a audácia do projeto: ele conta com uma bateria de 123,5 kWh, autonomia estimada em 499 km no ciclo norte-americano, um teto de vidro equipado com airbag próprio contra estilhaços em caso de capotamento, faróis compostos apenas por faixas de LED e a ausência de painel de instrumentos, sendo tudo projetado diretamente no para-brisa. Os detalhes sobre preço e data de lançamento permanecem indefinidos, e a Genesis não possui operações no Brasil.

