A Comissão de Transporte e Trânsito da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que garante ao candidato à carteira de motorista o direito de reagendar exames e repetir aulas gratuitamente, sem custos adicionais, se a ausência for devida a um problema de saúde comprovado. A votação ocorreu em 17 de agosto.
De acordo com as regras vigentes, a pessoa que perde uma etapa do processo devido a doença ou acidente pode ser obrigada a pagar novamente pelos serviços para dar continuidade ao procedimento. A gratuidade prevista no texto abrange exames de aptidão física e mental, avaliações psicológicas, bem como testes teóricos e práticos de direção.
Os valores que podem ser gastos são bastante significativos. Por exemplo, no Detran de São Paulo, o exame médico custa R$ 122,17 e a avaliação psicológica custa R$ 142,53; esses pagamentos se repetem a cada reagendamento. O custo total do processo completo para obter a primeira CNH é de, em média, R$ 746,29 apenas em taxas.
Para usufruir deste benefício, o candidato deve apresentar justificativa médica em até cinco dias úteis após a ausência. Este documento deve conter os dados de identificação do profissional de saúde, o número do conselho de classe, assinatura e o período em que o paciente não pôde comparecer.
A proposta também proíbe órgãos de trânsito e Centros de Formação de Condutores (CFCs) de cobrar valores adicionais especificamente por esse reagendamento.
O texto aprovado é uma substituição do relator, deputado Beto Pret (PSD-PR), que uniu o Projeto de Lei 4087/25, apresentado pela deputada Benedita da Silva (PT-RJ), e o PL 4088/25 anexo. Segundo o relator, o objetivo é garantir um tratamento mais justo em situações imprevistas. Ele declarou: «Buscamos apenas garantir ao cidadão o direito de realizar a etapa posteriormente, perdida devido a um problema de saúde comprovado».
A discussão chegou ao Congresso em um momento em que o processo de obtenção de habilitação passa por a maior mudança em décadas. Desde janeiro, a resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) cancelou a obrigatoriedade de registro em autoescola para as categorias A e B, com a promessa oficial de reduzir o custo da carteira de motorista para 80%. No entanto, as taxas de exame permanecem sob a alçada dos Detrans estaduais — e é nisso que se concentra o projeto aprovado na comissão.
O projeto ainda será analisado em caráter conclusivo pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Se não houver recurso para votação em sessão plenária da Câmara, o texto seguirá diretamente para o Senado Federal. Para se tornar lei, é necessária a aprovação de ambas as casas.


