O setor de robôs humanoides está prestes a atingir um marco significativo, comparável ao que ocorreu com o ChatGPT, segundo o CEO e fundador da Unitree, Wang Xingxing. Este avanço refere-se à melhoria crucial na capacidade de processamento e na tomada de decisões dessas máquinas.
Wang apresentou essa perspectiva durante a World Robot Conference, realizada em Pequim, pouco depois de sua companhia ser listada na Bolsa de Xangai. Sua declaração ocorre em um período de grande expansão do setor na China, embora o próprio CEO reconheça que a tecnologia atual ainda apresenta limitações práticas.
De acordo com o executivo da Unitree, a meta da indústria é desenvolver robôs capazes de serem introduzidos em residências desconhecidas e, ainda assim, conseguir realizar aproximadamente 80% das atividades domésticas bastando receber instruções simples.
Essa capacidade de autonomia, permitindo que os robôs compreendam e executem ordens sem necessidade de treinamento prévio, é vista como o fator essencial para impulsionar um crescimento acelerado no setor. Wang projetou que um salto considerável no software dos robôs pode ocorrer em dois a três anos, sob um cenário otimista; contudo, se surgirem obstáculos técnicos mais complexos, a evolução total pode levar até dez anos.
O principal entrave apontado pelo executivo reside na habilidade dos modelos de inteligência artificial (IA) de interpretar o ambiente real. A Unitree dedica grande parte de seu capital e equipe ao desenvolvimento de sistemas que simulam cenários. Apesar disso, o CEO admitiu que tanto a empresa quanto o setor ainda estão defasados na aplicação prática dessas ferramentas.
A empresa de Wang é líder mundial na fabricação de cães-robôs e ocupa a segunda posição em robôs humanoides. Atualmente, a maior parte das vendas da Unitree é destinada a universidades e centros de pesquisa. O interesse do mercado foi evidenciado no lançamento de suas ações na Bolsa de Xangai, onde a demanda por cotas de investidores de varejo excedeu a oferta inicial em mais de oito mil vezes.
A análise sobre os desafios de software alinha-se ao forte domínio industrial da China neste segmento. O país asiático é responsável por 97% dos envios globais de robôs humanoides e registrou a entrega de mais de 40 mil unidades no primeiro semestre de 2026. A indústria chinesa visa intensificar a passagem dessas máquinas para testes reais em depósitos, fábricas e lares, visando suprir a demanda por substituição de tarefas repetitivas em um contexto de envelhecimento populacional.

