Ford informa funcionários sobre a iminente entrada de fabricantes chineses no mercado dos EUA
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Ford informa funcionários sobre a iminente entrada de fabricantes chineses no mercado dos EUA

A Ford iniciou preparativos internos para receber montadoras chinesas no mercado norte-americano dentro de um período estimado de cinco a dez anos. Essa previsão ocorre apesar da atual barreira tarifária de aproximadamente 100%, que impede a comercialização de veículos elétricos importados da China no país.

Jim Farley, presidente-executivo da companhia, apresentou essa avaliação aos colaboradores durante uma reunião interna realizada em 30 de julho, conforme noticiado pela agência Reuters, que obteve informações de três participantes do encontro. Farley e outros executivos indicaram que consideram mais provável que essa entrada aconteça no final desse intervalo de tempo. A própria Ford não forneceu comentários sobre o conteúdo da discussão.

Bill Ford, presidente do conselho de administração da montadora, já havia manifestado que a empresa não pode depender da exclusão definitiva dos concorrentes chineses e que é necessário se preparar para competir com eles em pé de igualdade.

Analistas do setor apontam que esse movimento não está restrito às decisões de Washington. Yale Zhang, diretor-gerente da consultoria Automotive Foresight, sediada em Xangai, avalia que será extremamente difícil impedir indefinidamente os elétricos chineses. Isso se deve ao fato de que as montadoras americanas começarão a ser alvo de reclamações de consumidores particulares devido à disponibilidade de modelos mais acessíveis.

Zhang declarou ao jornal South China Morning Post que a pressão aumentará à medida que o México e o Canadá passarem a incorporar carros chineses com boa relação custo-benefício.

A disparidade de preços ajuda a justificar o desconforto observado em Detroit. Em fevereiro, o custo médio de um veículo elétrico novo nos Estados Unidos era de US$ 55,3 mil (R$ 286 mil), segundo dados da Kelley Blue Book. Em contraste, no México, onde as marcas chinesas já possuem uma presença estabelecida, o modelo BYD Dolphin Mini começa em 399.800 pesos mexicanos (R$ 119 mil). Já na China, o mesmo carro, denominado Seagull, tem um preço inicial a partir de 69.900 yuans (R$ 54 mil).

O mercado brasileiro ilustra o que ocorre na ausência de barreiras. O Dolphin Mini é oferecido no Brasil a partir de R$ 109.990 na versão GL para pessoa física, um valor inferior ao praticado no México. Além disso, em março, ele se tornou o primeiro elétrico a figurar entre os dez mais vendidos do país, registrando 7.053 emplacamentos.

Nos Estados Unidos, além da tarifa, há regulamentações do Departamento do Comércio que proíbem o uso de software chinês em veículos conectados a partir do ano-modelo 2027 e hardware a partir de 2030. Esta norma já resultou na retirada da Polestar do mercado americano. Adicionalmente, um projeto aprovado em comissão do Senado em julho propõe barrar qualquer fabricante que possua mais de 15% de capital chinês.

No Canadá, a situação é inversa: um acordo firmado com Pequim reduziu a tarifa de 100% para 6,1% sobre uma cota anual de 49 mil elétricos chineses.

Paralelamente, a Ford está desenvolvendo uma linha de veículos elétricos de baixo custo, concebida desde o início, com o objetivo de igualar a eficiência industrial e o custo das concorrentes chinesas. Na Europa, a empresa cedeu parte da fábrica de Almussafes, na Espanha, para a Geely, permitindo que esta produza no continente sem incorrer nas tarifas europeias.

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A Ford Transit City, uma van elétrica compacta produzida na China, já está disponível para venda na Europa, embora sua confirmação para o Brasil esteja prevista apenas para o segundo semestre de 2026. Este veículo compacto pode ser encomendado na Alemanha a partir de 35.990 euros (aproximadamente R$ 212,3 mil) na configuração L1H1, valor que não contempla o IVA europeu e, portanto, não deve ser usado como parâmetro para o mercado brasileiro.

Desenvolvida especificamente para atender às necessidades de entregas e serviços em áreas urbanas, a Transit City é menor que a Transit tradicional. Todas as suas variantes compartilham o mesmo sistema mecânico, composto por um motor elétrico frontal de 150 cv e uma bateria de fosfato de ferro-lítio (LFP) com capacidade de 56 kWh instalada no assoalho.

A autonomia homologada deste veículo atinge 254 km no ciclo combinado WLTP e impressionantes 381 km no ciclo urbano. De acordo com a Ford, essa distância supera em mais do dobro a média diária percorrida pelos 90% dos veículos comerciais leves deste segmento. Em termos de recarga, a van suporta até 11 kW em corrente alternada, permitindo atingir de 10% a 80% em cerca de 4,5 horas, e pode receber até 87 kW em corrente contínua, completando essa faixa em aproximadamente 33 minutos.

Na Europa, a Transit City será comercializada nas configurações L1H1 e L2H2, além de uma opção de chassi-cabine. A versão menor possui 4,985 metros de comprimento, 3,06 metros de distância entre eixos, oferece 5,75 m³ de volume de carga e uma capacidade de carga útil de 1.085 kg. Já a versão maior alcança 5,285 metros, com 3,36 metros de entre-eixos, 7,48 m³ de volume e capacidade de até 1.275 kg, sendo que ambas conseguem transportar três paletes europeus.

Os preços na Alemanha variam: a L2H2 começa em 38.490 euros (cerca de R$ 227,1 mil), enquanto o chassi-cabine custa 37.990 euros (cerca de R$ 224,1 mil).

O equipamento padrão é bastante completo, sem a necessidade de opcionais, o que, segundo a montadora, ajuda a reduzir custos e complexidade. Os itens inclusos são: central multimídia de 12 polegadas com suporte a Apple CarPlay e Android Auto, ar-condicionado, partida sem chave, assento aquecido para o motorista, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, câmera de ré, controle de cruzeiro adaptativo e frenagem automática de emergência. É importante notar que o veículo não possui engate para reboque; para quem necessita rebocar, deve optar pela e-Transit Custom.

Apesar de ostentar um nome tradicional na linha de veículos comerciais da Ford, a Transit City tem sua origem na China. O desenvolvimento do modelo foi realizado em parceria com a Jiangling Motors Corporation (JMC), fabricante de veículos comerciais na qual a Ford detém uma participação de 32%, e a produção ocorre em Nanchang. A produção em escala está programada para setembro, com as primeiras entregas na Europa esperadas a partir de dezembro.

No contexto brasileiro, a Transit City será posicionada abaixo da E-Transit, que atualmente é vendida no país com a carroceria maior da Transit convencional. Detalhes sobre preços, versões e configurações de carroceria para o Brasil ainda não foram divulgados. No mercado nacional, a van competirá contra modelos elétricos como a Foton eView e também contra opções a combustão, incluindo Fiat Scudo, Citroën Jumpy e Peugeot Expert.

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