A ideia da "Luz de Obrigado", criada pelo ator Marcos Winter para fomentar a cordialidade ao dirigir, evoluiu de uma adaptação manual feita em um Fusca 1977 para uma sugestão legislativa atualmente sob análise na Câmara dos Deputados. O Projeto de Lei 2729/2026 visa modificar o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) para possibilitar o uso opcional de um sinal luminoso de cortesia.
Embora muitos motoristas já utilizem a buzina ou os faróis para expressar agradecimento ou pedir desculpas, essa prática não é padronizada e não é regulamentada pelo CTB, o que pode resultar em multas para o condutor, mesmo que sua intenção seja positiva. Por isso, foi sugerida a introdução de uma nova luz complementar nos veículos para eliminar ambiguidades e criar uma orientação legal clara.
Origem da Ideia
O conceito surgiu há vinte anos, quando Marcos Winter instalou um LED azul controlado por botão no painel de seu Volkswagen Fusca de cor amarela. O propósito era suprir uma falha na comunicação rodoviária, oferecendo um indicador específico para agradecer, pedir desculpas ou mostrar cooperação, prevenindo o uso incorreto da buzina, do pisca-alerta ou do farol alto.
Em colaboração com Thiago Paschoa, o modelo contempla uma iluminação secundária integrada ao automóvel, ativada por um botão específico ou por comando de voz. Para assegurar a segurança, a instalação deve seguir um arranjo triangular em relação aos faróis e lanternas originais, garantindo que não haja qualquer interferência nas luzes de freio, setas ou sinais de emergência.
Detalhes da Proposta Legislativa
O deputado federal Amom Mandel apresentou o PL 2729/2026, que determina que este dispositivo terá natureza estritamente facultativa, educativa e sem caráter prioritário. Este sinal de cortesia não concede direito de passagem nem altera as normas gerais de circulação.
A proposta obteve respaldo conceitual da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet) e da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A Abramet argumenta que a medida se alinha à psicologia do trânsito ao implementar o conceito de *nudge* (estímulo comportamental), incentivando a cortesia para diminuir incidentes de estresse e hostilidade entre os motoristas.
Ainda que o equipamento tenha gerado repercussão e esteja em processo de patente junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), ele ainda não está autorizado para uso em veículos brasileiros. Caso o projeto seja aprovado no Congresso, será responsabilidade do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) definir a cor, a intensidade, o tempo de funcionamento e os procedimentos de homologação. O projeto também prevê a possibilidade futura de coletar dados estatísticos anonimizados para apoiar estudos sobre o comportamento humano no trânsito.
