Sars apresenta arquitetura tecnológica para substituição das declarações de IVA
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Sars apresenta arquitetura tecnológica para substituição das declarações de IVA

A Sars publicou um aguardado documento consultivo sobre a modernização do IVA, apresentando um modelo pentagonal de faturamento eletrônico. Este modelo visa preencher previamente as declarações de IVA e, em última análise, automatizar a avaliação do IVA.

Um dos pontos que pode surpreender muitas empresas é o cronograma: de acordo com o roteiro apresentado, nenhuma ação é exigida de ninguém até a década de 2030.

O documento descreve cinco fases de implementação do projeto:

  • O estágio preparatório, que inclui a publicação de projetos de regulamentos de IVA, durará cerca de 12 meses, começando em 2026/2027.
  • O desenvolvimento da solução, concluído pela adoção desses regulamentos, levará mais 12 meses em 2027/2028.
  • Em seguida, ocorrerão os testes de controle de qualidade, que durarão aproximadamente seis meses em 2028/2029.
  • Depois, começará um projeto piloto com participantes voluntários durante seis meses em 2029/2030.
  • A implementação faseada está prevista para o ano calendário de 2030 e durará cerca de 36 meses.

Assim, o lançamento completo está planejado para cerca de 2033. Grandes empresas começarão a participar voluntariamente antes da introdução de quaisquer requisitos obrigatórios. As estruturas governamentais podem se juntar a elas, seguidas por pequenas e médias empresas (PMEs), e, por fim, transações entre empresas e consumidores.

Como funciona este modelo

A arquitetura representa um modelo pentagonal de Controle Descentralizado Contínuo e Troca de Transações. O fornecedor gera uma fatura estruturada e legível por máquina a partir de seu sistema de contabilidade ou ERP e a envia para um ponto de acesso credenciado, que realiza sua verificação e aprovação. Este ponto de acesso encaminha a fatura para o ponto de acesso do comprador, onde passa por uma validação secundária antes de ser transmitida ao comprador. Ambos os pontos de acesso informam a fatura aprovada à quinta parte — o provedor de serviços atuando em nome da Sars.

A fatura eletrônica, neste contexto, não é um PDF ou um documento escaneado. Ela deve conter elementos de dados padronizados em um formato prescrito, considerando padrões como EN16931 CIUS, UN/CEFACT Cross-Industry Invoice e Peppol PINT BIS. A autoridade da rede credenciará os provedores de serviços e garantirá o cumprimento das regras.

O objetivo final é a automação. A Sars pretende usar os dados transacionais para preencher previamente as declarações de IVA e, com o tempo, para avaliar automaticamente a obrigação fiscal, sendo que os contribuintes poderão confirmar ou alterar o resultado recebido, mantendo o princípio da autodeclaração. Esta abordagem é semelhante àquela já aplicada ao imposto de renda de pessoas físicas, onde sistemas de conformidade baseados em inteligência artificial cruzam extratos bancários, declarações de IVA e registros CIPC no âmbito do programa Modernização 3.0, anunciado em abril.

Até 2026, fornecedores de faturamento eletrônico e escritórios de consultoria fiscal indicaram repetidamente plena prontidão operacional para 2028, prevendo o início da implementação em 2026 ou 2027. A maioria deles considerava essas datas como orientativas e dependentes de regulamentos ainda não redigidos. O próprio documento da Sars agora estabelece os testes de controle de qualidade para 2028/2029, e a adoção obrigatória é posterior. Em outras palavras, o roteiro deve ser lido antes de assinar um contrato de software oferecido com 'urgência de 2028'.

No entanto, isso não é motivo para ignorar o documento. Grandes pagadores precisarão de sistemas ERP e de contabilidade capazes de gerar e receber faturas estruturadas, contratos com pontos de acesso credenciados, bem como processos financeiros reformulados em torno da verificação contínua, em vez da conciliação mensal. Estes são projetos de vários anos.

Três questões permanecem em aberto:

  • A autoridade da rede, a estrutura de compatibilidade e os padrões serão definidos durante os processos de seleção e aquisição, que, conforme indicado no documento, a Sars está atualmente concluindo.
  • Quanto aos custos, a Sars reconhece que os contribuintes devem investir em tecnologia e integração, e apenas informa que atrairá fornecedores de software com base em modelos de assinatura multiníveis para considerar opções subsidiadas ou de baixo custo.
  • E a frase 'quase em tempo real', na qual todo o modelo se baseia, permanece aberta para definição na legislação.

Observação Importante

Existe uma condição importante aplicável a tudo o que foi acima mencionado. O documento contém um aviso de isenção de responsabilidade de que seu conteúdo reflete a compreensão atual da estrutura proposta pela Sars e pode ser ajustado após receber feedback das partes interessadas e análises adicionais. As datas mencionadas são um plano, não uma obrigação, e a consulta pode alterá-las em qualquer direção.

A Sars apresenta exemplos internacionais de precedentes para demonstrar os benefícios, citando a Cidade do México e o Chile, que reduziram seu déficit de IVA, a forma como o México processa cerca de 10 bilhões de faturas eletrônicas por ano, bem como a plataforma centralizada da Itália. A França, assim como a África do Sul, optou pelo modelo pentagonal descentralizado em vez de uma única plataforma centralizada.

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