Em Teerã, há uma opinião de que as recentes declarações do Secretário de Estado do Tesouro dos EUA e a tentativa de apresentar a economia do Irã como estando em 'isolamento sem precedentes' são mais um sinal de frustração política do que uma demonstração de força, visto que os objetivos propostos contra o povo iraniano não foram alcançados.
Quando ferramentas sucessivas de pressão econômica são aplicadas sem obter os resultados esperados, a repetição de ameaças econômicas em termos mais amplos não altera a situação real no terreno. O povo iraniano está acostumado a esse tipo de retórica e a afirmações repetidas sobre pressão sem precedentes.
O Estado não nega nem minimiza o impacto econômico da pressão externa. A responsabilidade do governo é mitigar as consequências de qualquer pressão externa por meio de políticas econômicas competentes, transformações estruturais e apoio à produção e ao sustento da população. No entanto, hoje a economia do Irã está cada vez mais focada no aumento do potencial interno, na diversificação da base de parceiros comerciais, no uso mais ativo das oportunidades econômicas regionais e na redução da vulnerabilidade à pressão externa.
Os Estados Unidos devem reconhecer que a mesma nação que defendeu seu país com solidariedade e resiliência no campo de batalha e nas ruas não se renderá à pressão e às ameaças no setor econômico. O governo e o povo não são duas frentes separadas nesta luta. A tarefa do governo é construir uma economia mais forte e proteger o bem-estar das pessoas e dos negócios, enquanto a confiança e o apoio públicos permanecerão a principal fonte de força para esses esforços.
A reação do Irã às ameaças econômicas não é uma guerra de palavras ou ameaças recíprocas. É um processo de criação de uma economia que se torna menos suscetível a sanções a cada dia. Quanto maior a pressão externa, maior a necessidade do Irã de realizar reformas econômicas, fortalecer a produção interna, expandir o comércio regional, desenvolver canais financeiros e comerciais e utilizar mais ativamente as capacidades internas do país.
Não se pode ignorar outro fato: as tentativas de perturbar os fluxos de comércio e energia em uma das regiões econômicas mais estratégicas do mundo acarretam custos para a economia global. Aqueles que falam sobre o 'isolamento econômico' do Irã também devem estar preparados para explicar as consequências de sua política para os mercados mundiais, o comércio internacional e a segurança energética.
O futuro da economia do Irã, segundo o autor, não está em Washington, mas sim nas fábricas do Irã, nos negócios iranianos, nas oportunidades da juventude do país, nas ligações econômicas com os países vizinhos e parceiros comerciais, bem como nas reformas estruturais internas.
O povo iraniano não está cansado das ameaças constantes; ele está acostumado a elas. É importante demonstrar através da atividade econômica, reformas e fortalecimento do potencial econômico nacional que a era em que tal retórica poderia influenciar as decisões e a determinação do povo iraniano passou.