Nos primeiros sete meses do ano, houve a importação de 344,1 mil veículos, abrangendo modelos leves e pesados. Esse volume representa um aumento de 25,7% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Destaca-se que os veículos vindos da China, majoritariamente automóveis e SUVs, tiveram um crescimento superior a dobrar, atingindo 105,4%. Por outro lado, a Argentina, que tradicionalmente exporta para o Brasil para complementar a produção de modelos entre os dois países, registrou uma queda de 16,7%. Em termos numéricos absolutos, de janeiro a julho, foram importados 180,5 mil produtos chineses e 101,1 mil argentinos. As exportações brasileiras, contudo, continuaram em declínio, apresentando uma redução de 20,8% no mesmo intervalo.
O acúmulo de veículos importados segue em patamares elevados e fora dos padrões históricos. Segundo a Anfavea, o estoque atual soma 360.000 unidades, o que equivale a 142 dias de vendas, contrastando com os 21 dias de estoque dos modelos fabricados nacionalmente. A maior parte desses veículos estocados pertence à BYD, que utilizou incentivos concedidos pelo Governo Federal para realizar importações maciças de carros elétricos e híbridos desde 2022, arcando com os custos adicionais. A marca chinesa mantém preços muito competitivos e não se intimida com a elevada taxa básica de juros, fator que impacta os financiamentos.
A BYD argumenta que os incentivos fiscais devem terminar em janeiro do próximo ano, conforme já estava previsto, e que esses benefícios não devem ser estendidos a novos participantes, sejam eles chineses ou não, que chegaram em momentos posteriores. A empresa está correta nesse ponto e mantém sua projeção de ser a primeira no mercado brasileiro em 2030 (atualmente ocupa a quarta posição). Paralelamente, o Grupo Chery e suas diversas marcas associadas — incluindo Omoda, Jaecoo, Icaur, Lepas, Exeed, Luxeed, Freelander e Jetour — visam alcançar a liderança em 2031. Essa meta se baseia na projeção de que o Brasil poderá absorver até cinco milhões de veículos anuais, um aumento de 70% em relação aos níveis atuais.
A Anfavea sustenta um otimismo em relação às vendas de veículos leves e pesados projetadas para 2026, independentemente do período eleitoral que vai até outubro, prevendo um crescimento de mais 12,1% em relação a 2025. Este percentual supera os 8% estimados pela Fenabrave. No que tange à produção, que é um pilar para o emprego, o Brasil foi o segundo país com maior crescimento entre janeiro e julho deste ano, alcançando 8,8%, ficando atrás apenas da Índia, que cresceu 14,5%. Nos primeiros sete meses de 2026, mesmo a China, que é o maior mercado mundial, viu sua produção diminuir em 4%, enquanto os Estados Unidos registraram uma queda de 11,7%.
As estatísticas frias frequentemente evidenciam o que se pretende destacar, podendo apontar aspectos tanto pessimistas quanto otimistas ou um equilíbrio entre ambos. O termo «eletrificados», por exemplo, não esclarece que se trata da soma de veículos elétricos aos três tipos de híbridos: básicos ou semi-híbridos, plenos e plugáveis. É igualmente importante considerar que bases de comparação muito baixas tendem a ocultar distorções. A Anfavea aponta que «há um ano, elétricos e híbridos somados não chegavam a 11% das vendas. No acumulado do ano, o crescimento é de 120,8%. Só os elétricos puros emplacaram 25,8 mil unidades no mês de julho, maior número da série histórica». Embora isso seja verdade, são necessárias ressalvas. Ao analisar a distribuição das vendas de veículos leves de janeiro a julho deste ano, observa-se que gasolina correspondeu a 2,8%; diesel a 9,3% (principalmente picapes médias e alguns SUVs); híbridos a 5,9%; híbrido plugável, coincidentemente, também 5,9%; elétricos a 7,2%; e flex a 68,9%. Portanto, o crescimento de 120,8% reflete bases de comparação excessivamente baixas. Ainda existe grande potencial para o crescimento dos elétricos, visto que são excelentes para uso urbano. Contudo, esse potencial é menor para viagens longas, dado que as distâncias no Brasil dificultam a instalação de redes de recarga, exceto na rodovia presidente Dutra, que conecta as duas maiores cidades do País e oferece acesso a 36 municípios ao longo de seus 402 km.



