As vendas de veículos movidos exclusivamente a bateria cresceram significativamente nos últimos meses, tornando esses modelos uma parcela relevante do mercado brasileiro. Embora apresentem benefícios como menor impacto ambiental, economia de consumo e alta tecnologia, o preço do seguro para carros elétricos tem sido motivo de questionamento.
Em março de 2025, o AutoPapo realizou uma comparação de coberturas entre modelos elétricos e a combustão de categorias similares. O estudo revelou que os automóveis elétricos tinham um custo de cotação até R$ 8.000 superior.
No entanto, a situação no Brasil evoluiu. Atualmente, carros eletrificados (tanto híbridos quanto elétricos) alcançaram 21,1% da participação no mercado automotivo nacional. Especificamente, os modelos 100% elétricos registraram 25.782 emplacamentos em julho de 2026, o que representa um aumento de 268% em relação a julho de 2025 (quando foram registradas 7.010 unidades).
Diante disso, a equipe do AutoPapo elaborou um novo comparativo de seguros entre modelos de diferentes categorias que utilizam motorização elétrica e a combustão.
Análise das Coberturas e Diferenças
Segundo o professor José Varanda, coordenador das Graduações da Escola de Negócios e Seguros (ENS), os veículos movidos a bateria possuem as mesmas coberturas básicas dos carros a combustão, incluindo proteção contra colisão, incêndio, roubo e furto, danos a terceiros e assistência 24 horas. O especialista ressalta que a principal distinção reside nas características específicas do veículo elétrico, que podem encarecer certos tipos de reparo.
Por essa razão, algumas seguradoras oferecem proteções adicionais voltadas para veículos elétricos, como cobertura para a bateria, cabo de recarga e reboque até um ponto de carregamento. Assim, a diferença de custo está mais ligada às características e ao custo de conserto do veículo segurado do que ao seguro em si.
As simulações de cotação foram feitas no site de uma seguradora, utilizando os mesmos dados pessoais para veículos novos do ano de 2026, sob uso pessoal. Em 2025, o seguro do Dolphin custava quase o dobro do preço cotado para o Nivus; contudo, em 2026, embora a disparidade persista, ela diminuiu consideravelmente.
Apesar de não haver um concorrente direto a combustão, os modelos Dolphin e Nivus são rivais populares no Brasil em 2026 e apresentam cotações bastante próximas.
Mudanças no Custo do Seguro
Ao analisar os valores das cotações, percebe-se que, em diversas situações, a diferença de preço entre modelos elétricos e a combustão foi pequena. Exemplos incluem a comparação entre o Renault Boreal e o Geely EX5 (R$ 344,10), assim como o paralelo entre as duas versões do Kwid (R$ 292,30), algo que não ocorria em 2025. O professor José Varanda explica essa alteração dizendo que, há algum tempo, os carros elétricos eram vistos como novidade pelas seguradoras. Nessa fase inicial, havia menos veículos elétricos em circulação, o que resultava em menor disponibilidade de peças, um número reduzido de oficinas especializadas e pouca experiência das seguradoras com sinistros, elevando a incerteza e, consequentemente, o preço.
Entretanto, o especialista aponta que, com o aumento do volume de veículos elétricos no mercado e a diversificação dos modelos, mais dados ficaram acessíveis para a avaliação de riscos pelas seguradoras. Desse modo, embora o seguro de modelos elétricos, em geral, ainda seja mais caro, hoje é possível encontrar prêmios muito próximos aos valores de veículos a combustão, ou até menores.
Para José Varanda, o custo do seguro passa a depender crescentemente do modelo do veículo, do custo de reparo, da experiência com sinistros, da seguradora e, principalmente, do perfil do segurado.
O especialista também salienta que os componentes dos carros elétricos, como a bateria e os sistemas eletrônicos, mantêm custos altos, e muitas peças ainda precisam ser importadas. Adicionalmente, reparos específicos nesses veículos demandam mão de obra especializada, o que pode manter o seguro mais caro em certas configurações.
Conclui o coordenador das graduações da ENS que o mercado está amadurecendo, e o custo do seguro tenderá a refletir cada vez mais o risco específico de cada automóvel, e não apenas o fato de ser elétrico.